AQUA

A Tempestade é uma história de revanche, de amor, de conspirações oportunistas, e que contrapõe os instintos animais que habitam o cerne humano à figura etérea, incorpórea, espiritualizada de suas altas aspirações, como o desejo de liberdade, realização e a lealdade grata e servil. Sedimentos possivelmente encontrados numa sondagem da virilidade militar.

Próspero, personagem central de A Tempestade, mago de amplos poderes, e sua filha, Miranda, passam a habitar aquela ilha. Com eles estão Calibã, um escravo abrutalhado, e Ariel, um espírito servil e assexuado que pode se metamorfosear em ar, água ou fogo. Os poderes eruditos e mágicos de Próspero e Ariel combinam-se e, depois de criar um naufrágio, Próspero coloca na Ilha seus desafetos. Quer levá-los à insanidade mental.

É nesse clima de suspense e magia que se desenrola a narrativa encontrada em “Aqua”, e os fãs terão no próximo dia 10 de julho uma amostra do potencial desse material. Mas então qual seria a música escolhida para representar um álbum tão rico, tão complexo e de história tão envolvente? Porque então essa informação não é logo divulgada para, assim, dissipar a ansiedade dos inúmeros fãs do grupo em todo o mundo?

Como toda a obra de Shakespeare é composta por textos carregados de subjetividade, com o ANGRA essa característica não poderia ser deixada de lado. Afinal de contas, tudo que o grupo se propõe a fazer é sempre de forma minuciosa, fidedigna e comprometida com a qualidade.

Portanto, seguindo uma ordem cronológica do enredo adotado, o novo single do ANGRA representa “O uso de forças da natureza, através da magia, para solidificar o sentimento de vingança que se sobrepõe aos demais. Coração enegrecido, tornando águas turbulentas em terreno arenoso. Labirinto de espinhos, provações, dor, sofrimento... esse é um jogo que nem todos conseguem jogar.”

Alguém arrisca um palpite???

OPINIÃO PESSOAL: O novo single do ANGRA soa como ANGRA. Desde a timbragem dos instrumentos, passando pela interpretação única do vocalista Edu Falaschi que de forma emocionante homenageou Dio na canção, até chegar nas execuções precisas de Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli. É incrível como eles conseguem se reinventar, e ao mesmo tempo conseguindo fugir de estereótipos. A impressão é que a fonte nunca seca e sempre se renova.

A composição é de fato emocionante. Edu Falaschi se impõe numa atuação interpretativa digna dos gigantes do estilo, levando o ouvinte a mergulhar na passagem da história descrita na letra. Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro mais uma vez roubam a cena. A técnica apurada do primeiro agrega-se ao talento e bom gosto do segundo, resultando em riffs e arranjos belíssimos. O tema inicial mesmo, e que retorna próximo ao final, é algo de levar o fã às lágrimas e empolga como há muito não acontecia.

Para aqueles que gostam de refrães pegajosos, fiquem sossegados. A nova canção tem um refrão que fatalmente será GRITADO por todos ao vivo. Vai ser de fato uma experiência marcante ver os shows dessa nova tour, principalmente pela reação dos fãs. Eu me emocionei e, certamente, serei um de vocês entoando esse novo clássico nas próximas apresentações do conjunto.

A cozinha eu deixei por último de propósito. É chover no molhado falar em Felipe Andreoli. Sem soar arrogante demais da minha parte, mas o cara é com sobras o melhor baixista brasileiro. Nesse single, o ouvinte por diversas vezes notará o baixo pulsante marcando presença, sem limitar-se em acompanhar o baterista Ricardo Confessori.

E como o Ricardo está soando? Está no nível do Aquiles? Ele ainda tem musicalidade pra ser baterista de uma banda como o ANGRA? A resposta é positiva para todos esses questionamentos, sem sombra de dúvidas. A impressão exata que me deu foi a de estar ouvindo a bateria do “Fireworks” na roupagem atual do ANGRA. Ricardo não é melhor que o Priester, e nem o Priester é melhor que Ricardo. Eles são músicos distintos, mas confesso que o maior swing deixou o som da banda mais “solto”, menos mecânico. Acreditem, a coisa está melhor do que o fã mais otimista poderia prever.

Parabéns aos caras por fugirem do óbvio, escolhendo a composição menos previsível para um single. Valeu a pena conferir o resultado? Obviamente que sim! Na realidade, esse aperitivo é apenas a ponta de um iceberg gigantesco.

Abraços,

Eduardo Macedo

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