Blog do Kiko

MÚSICA, ACIMA DE TUDO

Cinco dias efervescentes, ainda mais este ano, com a economia do “companheiro” Lula a todo vapor. Empresas fazendo de tudo para chamar a atenção com seus letreiros de plasma e pegar carona na alavancada do país do futuro. Expomusic 2010. Além de todo negócio envolvido, do qual nós, músicos, passamos ao largo e observamos pela tangente, o melhor dessa festa é encontrar os amigos, instrumentistas, lojistas, representantes e todas as pessoas que trabalham de forma direta e indireta com nossos objetos de consumo. A cada ano que passa, sinto-me um ancião. Sou dos poucos que já frequenta esse evento desde a época da bienal, no Ibirapuera. Lembro-me de, em 1992 (pasme!), Edu Ardanuy e eu no estande da Zoom tocando a partir da abertura das portas até o encerramento. Todos os dias, sem parar! Foi a minha primeira Expomusic, na época da liberação das importações pelo nosso ex-presidente yuppie. Era o embrião do que existe hoje. Quando, em 1994, a feira mudou-se para o Expo Center Norte, mostrou mais pujança e, daquele momento em diante, estamos lá todo ano, como um déjà-vu cíclico em espiral evolutiva. A memória, que normalmente me engana, decifra ainda várias das maravilhosas jams das quais participei e não me recordo ao certo o ano, mas lembro das músicas, dos instrumentistas e das amizades nascidas ali. Marcantes também os lançamentos dos álbuns Universo Inverso e Neural Code, no Music Hall, os eficazes bombeiros cancelando uma tumultuada tarde de autógrafos do Angra, as bebedeiras dos amigos, os fãs e suas fotos em momentos que deveriam ser solitários nos banheiros públicos, as gafes misturadas com os sonhos, os talentos, os egos, as invejas e tudo mais que os poucos dias recheados de amendoins, pseudofama, vendas e, é claro, música proporcionam a cada um de forma muito diferente. Mas, se por um lado, a feira parece um déjà-vu anual, percebi que algo mudou desde aquele longínquo 1992 até os dias de hoje. É essencial perceber e reconhecer que a fonte, a matéria-prima, o alimento de todo esse universo está no artista. Músico cria arte com instrumentos e não o inverso. Instrumentos podem ser grandes incentivadores da criação e desenvolvimento musical, mas nunca estão acima da criatividade e do instinto. Temos de ter a consciência de que somos nós que criamos a demanda para todo esse ambiente de Expomusic. Na era do “preciso ter um endorsement para ser conhecido”, as coisas perderam o equilíbrio. O músico deveria vir antes do instrumento e a música, antes ainda do músico. Ela poderia existir por si só. Por isso, pense bem em como se inserir profissionalmente nessa área. Só a sua música vai lhe trazer reconhecimento, e não o instrumento. Formadores de opinião e criadores de sonhos e desejos, os músicos e artistas são a base de tudo. Sem nós, nada aconteceria.

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