Blog do Kiko

NO FINAL, TUDO VAI DAR CERTO. SERÁ?

- “Gringo maldito, cai fora que estamos no Rio de Janeiro. Aqui gringo não tem moral. Isso aqui é Brasil!” Pancadaria cinematográfica, objetos voando pelo ambiente. De um lado, dois alemães da empresa de iluminação; do outro, todos os cozinheiros e seguranças do restaurante dos artistas e da produção, que abriu 20 minutos atrasado.

- “Vocês estão indo para o palco? Estou aqui esperando minha van há duas horas, mas ninguém sabe de nada. Posso ir com vocês? Preciso programar a luz do show de hoje à noite do Slipknot”. “Sorte a sua que estamos indo agora. A nossa chegou só meia hora atrasada. Melhor que o Lemmy (Motörhead), que esqueceram no aeroporto ontem...”

- “A mesa que colocaram para o P.A. do Angra não está cabeada. Precisamos de algumas horas, mas a passagem de som é só de uma hora”.

- “Não adianta apressar, pois só há uma mesa de monitoração para todas as bandas, e o responsável é português e a comunicação está complicada. Está todo mundo batendo cabeça”.

- “Havia um representante da empresa do P.A. mexendo no equipamento durante o show. Acho que foi por isso que metade do som desligou e não tinha frequência média. Fomos obrigados a ligar em mono para o show do Sepultura não ficar tão ruim quanto o de vocês”.

Foi ao mesmo tempo a maior alegria e a maior decepção estar no Rock in Rio 2011. É inexplicável a sensação de tocar para tanta gente em um festival histórico, mas contar com uma produção à altura de um festival de colégio – ah... exceto a iluminação da cidade do rock, que foi um espetáculo à parte, pois todos os técnicos eram vindos de fora e eles não aceitam um minuto de atraso sequer, nem mesmo no almoço.

O termo em inglês que não consta no dicionário de uma boa produção é “compromise”. Significa consílio, meio-termo, concessão, acordo. Uma produção em excelência é aquela na qual não existe meio-termo para os problemas. Resolve-se e pronto. É inaceitável o “quase bom”: ou é excelente ou não serve.

Esse parâmetro de excelência é quase impossível em algumas situações e temos sempre de brigar, passar por chatos ou arrogantes. Se for no Brasil, a coisa complica ainda mais, porque não temos esse pensamento impresso em nossa genética . É engraçado perceber a nossa reação perante um “no compromise” gringo – acontece uma certa obediência e sensação de que o sujeito deve saber o que está falando. De brasileiro para brasileiro, a coisa é diferente. Espera-se o concílio, o “jeitinho”, o “tudo vai dar certo no final”. E se não der? Não deu para o Angra no Rock in Rio.

Aproveito para lembrar duas frases do guru moderno que, infelizmente, se foi em outubro:

“Meu trabalho não é agradar as pessoas. Meu trabalho é pegar essas grandes pessoas que temos, exigir o máximo delas e torná-las ainda melhores”.

“Seja uma referência de qualidade. Algumas pessoas não estão acostumadas a um ambiente em que se espera excelência.” – Steve Jobs

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