Kiko Loureiro e Jô Soares

Relembrando um marco muito legal na carreira do guitarrista que foi participar do Programa do Jô, na Rede Globo. O assunto saiu um pouco do lado musical, mas valeu para as pessoas o conhecerem um pouco mais. Então vamos reler a matéria publicada no Blog da Guitar Player Magazine sobre este dia:

Programa do Jô

Gosto da expressão “a hora da verdade”. Não porque remeta a um momento de revelação bombástica, mas porque se refere a uma situação na qual não temos oportunidade para uma segunda chance. É quando temos de mostrar a verdade nua e crua de quem somos e o que conseguimos fazer.

Artistas constantemente se deparam com essa hora quando sobem ao palco ou gravam algo ao vivo e precisam mostrar a que vieram em curto espaço de tempo. Outras profissões também carregam esse fardo: imagine um pênalti decisivo em final de campeonato ou qualquer competição olímpica, em que um erro implica em uma segunda tentativa somente quatro anos depois. É o momento de mostrar do que você é capaz, o quanto se preparou, e não há segunda chance para a primeira impressão.

Não é fácil conseguir espaço na maior rede de televisão do Brasil, ainda mais em nosso país, onde guitarra e rock não circulam entre os assuntos mais relevantes na mídia de massa. O já tradicional e lendário Programa do Jô sempre recebeu minha música de portas abertas. Além de algumas vezes com o Angra, já tive o prazer de tocar nos lançamentos dos meu álbuns No Gravity e Universo Inverso. Desta vez, fui convidado para mostrar em rede nacional meu novo trabalho, Sounds of Innocence, e, pela primeira vez, para uma entrevista.

A música – para nós, sempre o principal – é mais um dos vários ingredientes no caso de um programa de TV como o de Jô Soares, já que o público é genérico e heterogêneo. Portanto, para conseguir ser convidado, a assessoria deve propor algo curioso ao programa. No meu caso, além da minha carreira internacional, o fato de eu ter morado na Finlândia, país de peculiaridades surpreendentes, ajudou muito a propor uma pauta boa o suficiente para que eu provasse da caneca do Jô.

Tocar ao vivo na TV é isso: pura hora da verdade. Nesse caso, recebi o tempo de dois minutos e meio para fazer a parte musical. Assim, meus reduzidos “minutos da verdade” serviram para mostrar por que eu estava sendo convidado para o programa e tratado como ícone da guitarra no Brasil. Não houve segunda chance, pois o programa, apesar de gravado, ocorre como se fosse ao vivo.

Para se sair bem nesses momentos, não há outra alternativa a não ser estar muito bem preparado e ter passado por horas e mais horas de estudo e ensaios para adquirir uma autoconfiança plena, em que nenhum receio possa atrapalhar esse momento tão importante e raro.

Estar plenamente preparado vai ainda além. Sempre que fazemos um show ou compomos e gravamos uma música, nossa primeira vontade é nos agradar, mas, definitivamente, agradar os outros é também importantíssimo. É uma simbiose necessária, na qual melhorar a vida do ouvinte com música torna-se parte fundamental de sua relação saudável com a arte.

Para o Programa do Jô, propus as mais diversas situações que poderiam agradar a produção e o público e, assim, manter uma relação saudável para que a gravação fosse um sucesso. Sugeri a minha música Reflective, que combinaria com o programa, e algumas canjas que considerei interessantes para o público genérico da televisão: Jimi Hendrix, Van Halen, um “roqueiro que compõe samba” (Samba da Elisa, acompanhado pelo flautista Derico) e um choro na guitarra (Ginga do Mané, de Jacob do Bandolim, acompanhado pelo sexteto). Com todas essas opções, a direção do programa se sentiu à vontade para escolher o que seria mais pertinente para os telespectadores. Tudo fluiu com tranquilidade e ainda recebemos o convite para tocar mais uma música que não estava planejada, para que fosse transmitida em outro programa, além de uma jam com o grande guitarrista da casa, Tomati.


Para quem quiser ver no YouTube: http://youtu.be/92AJM0AMcBA

Na hora da verdade, estar preparado e ter a postura de que tudo deve sair bem para ambos os lados é o melhor caminho para alcançar ótimos resultados seja qual fora a situação, afinal de contas, cooperação, leveza e eficiência levam ao êxito.

Kiko Loureiro @ Guitar Player

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