Loud Park

Ano passado o Angra participou de um grande festival no Japão e Kiko relembra essa experiência na terra do sol nascente, em seu blog, na Guitar Player Magazine. Confira:

"Três Dias de Japão
Desta vez foi uma pouco mais fácil, já que Los Angeles (EUA), onde moro atualmente, está no meio do caminho. Todas as outras vezes em que dei um pulinho até o outro lado do mundo, tive de passar pelas agonizantes mais de 30 horas de viagem aérea Brasil-Japão. Loud Park é o nome do festival do qual o Angra participou pela terceira vez na Terra do Sol Nascente. A permanência em Tóquio durou módicos três dias, que não são suficientes para se adaptar ao fuso e entender que dia é dia e noite é noite. O corpo, embriagado pelo tempo, sofre... O primeiro dia não conta, pois já era noite e hora de dormir quando me deitei na cama do quarto de um hotel arranha-céu com janelas que não abriam (dizem que é por causa dos desesperados que se defenestram na calada da angústia) e latrinas eletrônicas (regula-se a pressão do jato, além de seu ângulo e temperatura, coisas de uma civilização milenar que sabe das coisas). Quem já ouviu falar que japonês gosta de trabalhar pode ter certeza de que não apenas gostam, mas também sabem colocar os brasileiros na labuta sem cerimônias. No segundo dia, antes do show (que estava marcado para as 19h – ou seria 7h, conforme nosso relógio biológico?), eles não se intimidaram e agendaram duas horas de sessão de autógrafos, entrevistas, fotos, chamadas de rádio e todas estas “cositas” promocionais que são sempre divertidas de fazer quando não existe uma apresentação importantíssima esperando para te pegar no outro lado da esquina. Almoçar e descansar antes do show é algo irrelevante para os nipônicos, mesmo sabendo que, no catering (refeitório, no linguajar da estrada emprestado dos gringos), há um sushiman “original” à disposição. Atrás dos dois palcos onde acontecem as apresentações, os equipamentos de cada banda (Stone Temple Pilots, Europe, Yngwie Malmsteen, entre muitos outros artistas) ficam alinhados de forma milimétrica, nomeados e selados, como em um grande centro de logística. Ah, como poderíamos aprender com os japoneses... Porém, como já mostrou Sofia Coppola no filme Encontros e Desencontros, eles não falam inglês e a organização fica somente por conta deles, pois nós ficamos perdidinhos. Sem um minuto a mais ou a menos – afinal, tem multa no contrato! –, entramos e cumprimos nossa parte no festival. Esquecemos o fuso, que, naquele momento, já não importava mais, e nos divertimos. Show de festival é sempre mais curto. Quando você acha que começou, já está acabando... Setenta minutos passam voando! Não dá nem para suar, o que é bom, pois, logo ao sair do palco, há mais entrevistas e fotos marcadas. Para quem imagina que Japão é Haiku, na verdade, lá temos de virar Super Saiyan. Nosso terceiro dia foi reservado para aproveitar as maravilhas do Japão. Templos, lojas de eletrônicos, perder-se no metrô e vivenciar por completo esse país tão incrível e fascinante. Depois, foi pegar o voo de volta e perceber que o avião chega mais cedo do que saiu – retornamos no tempo. Pena que não dá para voltar no tempo de verdade e fazer tudo de novo."


Kiko Loureiro @ Guitar Player

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