23/09/05 - 11h:00mDenunciar

Rafael Bittencourt



II Parte do Diário da Turnê Pan-Americana:



Quarta-feira, dia 14, nós tocamos em Montreal no Le Medley, uma casa muito boa, com capacidade para umas duas mil pessoas e com uma estrutura excelente. Não enchemos a sala, mas havia uma quantidade considerável de fãs que vieram de várias partes do Canadá para nos assistir. A passagem de som foi tranqüila e tudo pareceu sob controle e o show também foi legal. A galera estava um pouco mais parada do que em Quebec, pois muitos assistiam sentados em cadeiras. É um pouco estranho tocar Heavy-Metal para um público sentado, você acaba não bangueando muito a cabeça porque banguear sozinho é um pouco patético. Tocamos bem, de maneira um pouco mais comportada do que o convencional.



Quinta-feira, dia 15, saímos do hotel às 04:30 da manhã sem tempo para dormir nem nada. Não consigo desarrumar minha mala sem bagunçar o quarto inteiro e acabo demorando a arrumar tudo de volta, pois tenho medo de esquecer coisas nos hotéis. Isto porque já esqueci muitas coisas espalhadas em diferentes hotéis pelo mundo. O vôo foi as sete da manhã e tivemos dois problemas, o primeiro: nossa equipe não conseguiu visto para entrar nos EUA e tivemos que ir sozinhos levando todo o equipamento, e isto gerou muito stress com a companhia aérea, Delta Airlines, que nos cobrou uma boa grana para podermos levar tudo. Tivemos que subir no avião carregando todas as guitarras nas costas e peças da bateria, além das malas, computadores e objetos pessoais, parecíamos um monte de retirantes. O transporte do aeroporto para o hotel demorou mais de uma hora para chegar, mas quando chegou valeu a espera. Uma gigantesca limusine preta para a banda e um furgão para o equipamento. Fizemos bagunça, filmamos, tiramos fotos e tal. Chegamos no hotel depois de vinte minutos de translado e, como disse o Aquiles, “tudo o que é bom dura pouco”. Eram 13h e já estávamos bem cansados, sem dormir etc... e a notícia vinda do balcão era que só haveriam quartos depois das 15h. Danou-se! Eu queria dormir no carpete no saguão do hotel Best Western de Atlanta. Decidimos passear... O Aquiles, o Kiko e o Edu foram ao Guitar Center comprar artigos musicais e tal. Fizeram a festa lá, voltaram cheios de pacotes. Eu fui com o Fabio, o Oliver (tour manager) e o Paulo Batista (nosso iluminador) ao Shopping Center. Vocês podem achar estranha minha escolha, mas foi fundada no fato de que passaria muita vontade de comprar tudo no Guitar Center, decidi ir ao shopping onde comprei presentes para a família e para mim mesmo. À noite, havia uma festa de confraternização. Jornalistas, músicos, equipes técnicas e até alguns pequenos shows para os fãs mais fanáticos em uma ala separada. Algumas fãs vieram do Japão para ver o nosso show no ProgPower e estavam por lá fazendo o que sabem fazer de melhor, tirar fotos. Conforme o meu cansaço crescia, minha paciência se esgotava e tive que voltar para o hotel depois de meia hora de festa. No dia seguinte haveria um show importante e eu precisava “recarregar minhas baterias”. Voltei para o quarto, liguei para casa, naveguei um pouco na internet e fui dormir.



Sexta-feira, dia 16, acordei um pouco antes das dez. Dividi o quarto com o Felipe que muito animado se pôs a cantar "Acorda Maria Bonita" em tom meio Nelson Gonçalves. Descemos para tomar café e lá estavam nossos fãs do Japão, Masako, Yumiko, Junko, Yoko e mais uns quinze japoneses que nos acompanham em vários shows. Sempre simpáticos, atenciosos e, é claro, tirando fotos. Tiramos fotos no café da manhã, no saguão, no aeroporto, clicando incansavelmente suas câmeras de última geração a cada movimento nosso. Conversei um pouco com o Frod Johnsrud, jornalista da revista do Sweden Rock Fest, e voltei para o quarto. Arrumei minhas coisas, pois de novo transformei meu quarto num cenário de Tsunami! Detalhe: eu odeio bagunça, mas na correria de ir de um lugar para outro é inevitável que ela aconteça. Fiquei pronto para a passagem de som que aconteceria às 13h. Ao chegar lá, o evento estava duas horas e meia atrasado. Aproveitei para responder uns e-mails e tentar uma conexão para passá-los... Nada! Meu computador estava passando por uma crise pessoal e se negou a colaborar com minhas vontades. Tudo bem, desanimar jamais! Assisti a passagem de som do Orphaned Land, ótima banda Israelense do vocalista Kobi, com quem eu me correspondi durante as gravações do "Temple of Shadows". Na época, trocamos alguns e-mails sobre teologia e Judaísmo, mas naquele dia nos conhecemos pessoalmente. Também conversei bastante com o Tori e o Roy Kan, do Conception. Eu já conhecia o Tori do Midem, uma feira em Cannes que reúne as empresas ligadas ao mercado fonográfico. No período de reconstrução da banda, fui à esta feira apresentar as demos que continham os atuais integrantes do Angra e nossas intenções de continuar o grupo. Ele estava lá apresentando o Ark, seu novo projeto com o Jörn Lande. Passamos o som com a equipe local, que camuflava alguns técnicos competentes num mar de gente atrapalhada. Meus cabos viraram uma verdadeira macarronada, coisa que me irrita profundamente. Pouco depois, fizemos uma sessão de autógrafos para os fãs e fui jantar. No jantar, tive a oportunidade de conversar com o baixista do Conception, que é satanista praticante. Ele inclusive escreveu o prefácio para a edição original de uma famosa bíblia satânica que eu não me lembro o nome. Muito interessante! A filosofia satanista é muito mais anti-clerical e anti-dogmática do que de adoração a Satan. Me identifiquei com algumas idéias e com outras, nem tanto. Ainda deu tempo de voltar para o hotel e dormir por uma hora. Levantei, tomei banho e ainda deu tempo de assistir o show do Conception. Tivemos que montar praticamente sozinhos nossas coisas, pois é mais confiável passar pelo stress de fazer sozinho a correr o risco de deixar quem você não conhece fazer. O show foi legal, apesar do técnico de monitor ter atrapalhado mais do que ajudado. Além de estar sem nenhuma paciência (afinal éramos a quinta e última banda), ele parecia estar meio perdido na mesa de som. Na frente o som estava ótimo, o técnico de som veio da Alemanha, é um dos melhores do estilo. Os ingressos para o ProgPower estavam esgotados! O público deste festival é único. Por ser o único festival deste estilo nos EUA, reúne americanos de todo o país e fãs do mundo inteiro. É um momento especial, ver toda aquela gente reunida, ávidas por ouvir cada uma de nossas notas, cantar conosco e interagirem com nossa performance. É uma grande festa do metal internacional.

Nosso show foi bom. Eu gostei pelo menos. Agitei como louco. Estava feliz de estar lá como headliner em meio a tantas boas bandas. Muitas pessoas que já haviam assistido ao nosso show em outros lugares fizeram elogios à evolução ocorrida nos últimos anos da banda. Acho que causamos uma boa impressão.



Sábado, dia 17. Missão cumprida! O ProgPower foi o show mais importante da turnê. Continuo cansado, mas com certa sensação de alívio porque os jornalistas, gravadoras, empresários e todos os fãs presentes falaram muito bem do nosso show. Dormi das 4h às 8h, e foi o mais longo sono em uma cama desde o início da turnê. Pegamos o avião para o México e foi tudo tranqüilo. Chegamos e fomos direto à casa de shows onde revimos nossa equipe de roadies e técnico de som. Fomos almoçar quase quatro da tarde e estávamos famintos. Não passamos o som para descansar um pouco. O show foi animal, a galera do México é completamente eufórica, fanática, louca!!! Pareciam que nunca haviam visto um show de metal na vida. Procuramos vencer o cansaço e retribuir o carinho que os mexicanos estão nos dando com energia. Depois do show, ainda recebemos alguns fãs no backstage, muitos acompanham a banda a muitos anos. Dei uma entrevista para uma rádio de Monterrey e voltamos para o hotel.



Domingo, dia 18: Acordamos às 8h, mas só saímos as 09 porque o transporte para o aeroporto demorou a chegar. No aeroporto, surpresa! O organizador havia se confundido com os horários das passagens e perdemos o vôo... Detalhe: não haviam mais passagens disponíveis e corríamos o risco de não conseguir chegar para o show. Depois de um tempo, conseguimos cinco passagens para as 12:40. Decidimos que iriam os técnicos e o Aquiles para adiantar a montagem da batera com o Cheron (técnico de bateria). Ficamos, eu, o resto da banda, o organizador, o tour manager e o Paulo (iluminador) no aeroporto tentando encontrar vagas de desistências em outros vôos. Sentei no chão e escrevi um pouco do diário. Conseguimos vagas para um vôo às 20h, mas o show começaria as 21:30 e não daria tempo. Pensamos em cancelar o show. Pouco depois, apareceram vagas em um vôo às 17h. Ótimo! Ficamos em uma lanchonete comendo, conversando, esperando e aproveitei para adiantar um pouco mais o diário. Ao chegar no hotel, por volta das 19h, mais uma surpresa, o caminhão que viajava com nosso equipamento quebrou no caminho e estava parado em uma oficina a cinco horas de Monterey. Seria impossível o caminhão chegar a tempo de montarmos tudo, passar o som e tocarmos às 21:30. Decidimos adiar para segunda-feira e avisar as rádios locais sobre o imprevisto. Por um lado foi bom porque eu pude descansar, mas partiu meu coração saber que alguns fãs vindos de outras cidades estavam chorando na fila porque não poderiam voltar para o show na segunda-feira. Aproveitei para dormir.



Segunda-feira, dia 19: fiquei na internet até bem tarde. Acordei às 13:00 todo amassado, remoído e com dores. Acho que estou ficando velho. Dei um mergulho rápido na piscina do hotel para acordar, almocei e agora estou esperando pela passagem de som que deve ocorrer às 18h.



Rafael Bittencourt

Comentários (2)

serraskaters
1. serraskaters 23/09/05 11:10

fotinha tah manera
pow vc jah ta add nos favoritos
add eu ai tbm
da uma morauzinha!
vlw
fui abraço

viniciusrockgol
2. viniciusrockgol 23/09/05 11:20

olha só o akra manda bem a viola

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