24/10/05 - 17h:10mDenunciar

Kiko e Rafa



Diário da turnê pelo Nordeste, por Rafael Bittencout:



Estou no Nordeste again!!!



Quinta-feira, dia 20 de outubro, acordei às cinco da manhã para pegar um vôo para Belém. O resto da galera já estava lá. Eu sou um pouco encanado em viajar sozinho, acho que aumenta a probabilidade de acontecer uma tragédia. Sempre há alguém dizendo sobre os que morreram, “era para eu estar lá naquele vôo”, ou “nossa, era para ele ter vindo conosco no dia anterior” etc. Tenho certa superstição de que os acidentes acontecem quando um grupo de pessoas que normalmente viajam juntos se separa. Peguei uma conexão via Brasília e para minha surpresa o portão de embarque era justamente o 13, e como estava escrito também em inglês, Gate 13. Como na estória do Shadow Hunter o Gate 13 tem um sentido figurado de transposição de etapas como a morte por exemplo fiquei muito mais encanado. Peguei o avião pelo gate 13 quase certo de que o avião iria cair. Rezei, fiz promessa etc. Não caiu. Ótimo!

Cheguei em Belém e ainda deu tempo de descansar um pouco. Fui numa rádio sozinho de novo porque cada um dos meus colegas de banda estava num lugar diferente. Como a idéia do programa era tocar algo, levei a guita e o amplizinho e toquei algumas coisinhas. Arrisquei cantar a "Rebirth", mas acabei destruindo a música. "Wish You Were Here" do Pink Floyd saiu um pouco melhor. Então o cara me pediu para tocar alguma do Led Zeppelin, mas eu não lembrava, deu branco. Assim, na hora? Caguei no pau (desculpe o linguajar). Nem a "Kashmir" que nós gravamos me veio à memória na hora. "Stairway to Heaven" me neguei a tocar por pura insegurança porque gosto muito desta música. Deveria ter tocado; me arrependi. Paro para comprar uma webcam, volto para o hotel e lá estavam Edu, Aquiles, Felipe e Fábio. Uns atormentados com suas próprias agendas de entrevistas e outros aguardando pela passagem de som. Olá pessoal, firmeza?

Corro para o quarto para ligar minha nova aquisição. Demorei uma hora para fazer funcionar a bendita. Caramba! Parecia fácil!

Ligo em casa e me exibo ao vivo. O maior barato. Na época da gravação do "Holy Land" me correspondia com minha esposa (na época namorada) por cartas que demoravam dez dias para chegar e outros dez para vir a resposta. Telefonemas internacionais eram caríssimos. Que diferença! Estávamos lá os dois em imagem e som sem pagar impulsos telefônicos.

Porque não descansar mais um pouco? Catapoft! Caio na cama e... já é hora de show! Tomo banho e coloco minhas roupas de rock-star na mochila porque não gosto de andar por aí vestido à caráter. Só minha bota pesa três quilos e me dá dores no joelho. Tudo pelo metal!

O show foi no ginásio do rock Altino Pimenta, era o Amazônia Rock Fest, um festival de bandas paraenses que acontece mais de uma vez por ano. Logo que o show começou, um monte de gente começou a subir no palco, fazer caretas, nos agarrar, bagunçar os pedais etc. Fiquei de mau-humor. Estou nesta profissão há anos lutando todos os dias contra o preconceito que se tem com este estilo, dizendo por aí que o fã de heavy metal é bem informado e culto que me desaponto em ver o público de metal se comportando como se aquilo fosse um show de forró ou axé. Parecia um programa do Chacrinha. Alguns exibidos pulavam no palco para aparecer e fãs histéricas tentavam nos agarrar lutando contra os seguranças. Que cena patética! Num determinado momento o Edu interveio dizendo para a galera se acalmar e foi atendido. Graças a Deus!

É de um egocentrismo imenso este tipo de atitude, porque invadindo o palco um indivíduo está atrapalhando o show de todo o resto que pagou. Muitas vezes pegam na gente destruindo a parte, pois fazem você errar e não estão nem aí. Já aconteceu de um fã roubar a palheta do Kiko no meio de um solo. Como o cara quer que agente toque um solo difícil sem a palheta? E o cara que estava atento para aprender as notas do solo? Me desculpem o desabafo mas acho que o brasileiro tem que ter um pouco mais de senso de coletividade, civilidade e respeito ao próximo. Nossa liberdade termina onde começa a do outro. Assim nunca seremos uma nação desenvolvida e sempre seremos tratados como macacos subdesenvolvidos. Uma fã me atrapalhou no meio do solo da Carry On. Fiquei puto da vida! Estragou o meu solo, aquele momento do show e o meu humor mais uma vez! Estudei para ser músico e não o Menudo.

No fim não foi um show ruim, mas não me diverti como de costume.

Volto para o hotel, desço para comprar umas garrafas de água para evitar os R$3,00 cobrados por garrafa no quarto, assino e tiro fotos com alguns fãs entrincheirados na porta do hotel, tomo uma água de côco sozinho e volto para dormir. Que dia!

Dia 21. A banda foi para São Luís no meio da madrugada anterior. Eu e o Fábio não conseguimos passagens. Dormimos até tarde (para inveja de nossos colegas), saímos do hotel depois do almoço e fomos ao aeroporto para pegar o avião das 17:15.

Cheguei em São Luís lá pelas sete horas da noite, fui para a passagem de som e o Paulo, iluminador e tour manager, foi logo dizendo: está tudo atrasado! Pode voltar para o hotel que hoje vai começar tarde.

Fui para o hotel e caí na piscina. Foi de longe o melhor momento da viagem até agora. Tomei banho e fiquei pronto. Fomos toda a banda para o local do show e o Paulo mandou agente voltar, toca seguir para o hotel de novo. Ele não tinha recebido o cachê até então e não queria deixar a banda começar o show sem a grana. O rolo começou a complicar porque não tínhamos passagens de avião para ir para Recife no dia seguinte e o único vôo disponível era às três da manhã. Como poderíamos começar o show à meia-noite e estar no aeroporto às duas e meia para o check-in de bagagens? Estávamos ferrados, esta era a verdade.

Voltamos para o hotel. Jantei, pois não havia jantado até então e depois de alguns minutos, voltamos para o local do show. Fomos obrigados a encurtar o set. Tocamos pouco mais de uma hora e corremos para pegar o avião. Foi uma pena, porque a galera estava bem animada e não tinha nenhuma culpa sobre a má organização local. Como não havia passagem de avião para todos fomos, a banda, o técnico de som e o técnico de monitor.

A maior parte do nosso equipamento como a bateria e os amplis seguiu de caminhão direto para Campina Grande, porque eram trinta horas de estrada para Recife e o equipamento não chegaria a tempo.

Dia 22. O show de Recife já seria difícil sem o nosso equipo, mas não tardou a chegar a notícia de que o resto da equipe com o resto do equipamento, como guitarras, violões etc, só haviam conseguido passagens para as nove e meia da noite, detalhe: nosso show estava marcado para as nove. Enfim, chegaram às onze e arrumaram tudo na velocidade da luz. Fizemos um show especial, em consideração aos milhares que esperavam por nós no clube Português. Tocamos quase três horas de música. O Temple of Shadows inteiro e mais de uma hora de sucessos antigos. Era meu aniversário e o Kiko me fez uma homenagem chamando a galera e

a banda para cantar parabéns para mim. Fiquei comovido. Assinamos para alguns membros do fã-clube e fomos para o hotel.

Ontem, dia 23. Tocamos em Campina Grande. Nessa correria de um show atrás do outro é difícil manter os horários. O caminhão com o sistema de som (PA) quebrou no caminho para Campina. Pode isto? O que mais vai acontecer?

Começamos às dez e meia e tocamos um set bem recheado de músicas e ainda chamamos o Katalynse, um vocal conhecido da região, para cantar a Painkiller conosco. Como minha memória é horrível, errei metade da música. Mas, a outra metade ficou legal.

Depois, mais de uma hora para conseguir organizar o povo exaltado que queriam autógrafos e fotos. A bagunça só gera prejuízo. Não pudemos assinar para todos pela incapacidade do público e dos seguranças de formarem uma simples fila. Assinamos rapidamente para uns dez e fomos embora. O motorista do micro-ônibus se perdeu e demoramos quarenta minutos para chegar ao hotel. Duas e meia da manhã. Beleza! Tibum na cama again!

Dia 24. Estou aqui em Campina Grande ainda, esperando a hora de sair. Viajaremos de volta a Recife onde ficaremos até quinta-feira, seguindo para o show de Maceió na sexta. É isso aí. Por enquanto é só. Fui!



Rafael Bittencourt

Comentários (2)

rebeldes05
1. rebeldes05 25/10/05 9:30

Olá ..Bom Dia ....To passando pra deixar um "Oi" ....quando puder passe no meu blz ???
Beijaoo...NICK

semfotoprapostar
2. semfotoprapostar 25/10/05 15:34

Até os contra-tempos desta vida na estrada são divertidos.
Apenas queria dar os parabens ao dono deste flog. Seu preparo para acompanhar a rotina do Angra é invejavel.
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.Parabens pela seriedade, e pelo respeito com nossos artistas prediletos.
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.Fiken na benção
.Leon *777*

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