14/09/04 - 11h:13mDenunciar

"Temple Of Shadows pela Rock Brigade"


Não espere ouvir uma continuação de Rebirth ao colocar para tocar o mais novo disco do Angra, Temple of Shadows. Calma, isso não quer dizer que a banda tenha se afastado do metal melódico que sempre fez, muito pelo contrario, mas há uma gama enorme de novas influências, citações e ate mesmo experimentos ao longo do disco. A primeira faixa, Deus Le Volt, é uma rápida introdução e teve seu titulo extraído de uma frase que era gritada pelo povo em resposta ao chamado do papa Urbano II quando tiveram inicio as cruzadas. Essa faixa da o clima para Spread Your Fire, tema rápido e que surpreende pela interpretação de Edu Falaschi, que se vale de um vocal bem mais rasgado do que estamos acostumados a ouvi-lo fazer no Angra. Essa música conta ainda com a primeira participação de Sabine Edelsbacher, que faz um belo dueto com Edu. Angels And Demons é a seguinte, com alguns detalhes de Prog Metal no arranjo, especialmente na introdução. Vale notar o interessante arranjo vocal que essa faixa recebeu, assim como alguns inspirados riffs de guitarra. Por falar em riffs, esse é o ponto alto de Waiting Silence, que conta, também, com um trabalho excepcional da cozinha - aliás, difícil apontar uma dupla de baixo e bateria mais entrosada e talentosa do que Felipe e Aquiles. Em seguida, é a vez da balada pesada Wishing Well, que se destaca pelo arranjo elaborado e, principalmente, pela bela melodia. Também chama a atenção o solo de guitarras dobradas em terças. Por falar em guitarras: quando os músicos do Angra falam sobre a complexidade do disco, eles não estão brincando. Ouçam só a introdução e o solo da próxima música, Temple Of Hate, e confiram se Kiko e Rafael tiveram vida fácil na gravação... Essa é outra das rápidas do disco e traz Kai Hansen numa interpretação raçuda, pra dizer o mínimo. A velocidade dá lugar ao virtuosismo e ao clima brasileiro na introdução, com violão com cordas de nylon, de The Shudow Hunter. Esse clima permanece por toda a música, mas acompanhada por guitarras distorcidas e cozinha pesada, num mix que pouquíssimas bandas são capazes de fazer e no qual o Angra é mestre. O clima tranquilo continua em No Pain For The Dead, outra que recebeu arranjo de violão na intro e que também tem ritmo mais lento. Essa música é outra que conta com os belos vocais de Sabine. A velocidade volta com tudo em Winds Of Destination, que também varia andamentos e harmonias. O convidado nessa faixa é Hansi Kürsch, que mostra a competência de sempre. Sprouts Of Time chama a atenção pelos arranjos trabalhados e criativos, repletos de detalhes, enquanto Morning Star, a segunda mais longa do disco, também recebeu diversas variações harmônicas e melódicas. A faixa seguinte, Late Redemption, é a que traz a tão comentada participação de Milton Nascimento. Ele canta daquele jeitão que conhecemos e não há nenhum estranhamento maior, já que se trata de uma balada e o momento em que ele participa é o mais tranquilo da música. É bastante curiosa a passagem em que há um diálogo entre ele e Edu - um cantando em português, outro, em inglês. Gate Xlll, que fecha o disco, é um tema instrumental comandado pelos teclados e que dá o "grand finale" que um trabalho como esse exige. Sem dúvida, a palavra "ousadia", que foi citada inúmeras vezes na entrevista com a banda, é a melhor para definir Temple Of Shadows. Trata-se de um disco que necessita de mais de uma audição para que suas nuanças e seus detalhes sejam notados e absorvidos. Mas, seja qual for a avaliação que se faça dele, algo é inegável: Edu, Kiko, Rafael, Felipe e Aquiles atingiram, de fato, o ponto mais alto de suas carreiras enquanto músicos com este trabalho.

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