20/09/04 - 23h:50mDenunciar

Kiko Loureiro no Raismesfest 2004 (França)

Nesta coluna Kiko Loureiro vai esclarecer todas as dúvidas sobre equipamentos, técnicas e outros assuntos relacionados à guitarra. Fique ligado e envie suas dúvidas para contato@kikoloureiro.com.br, as melhores e mais freqüentes perguntas serão respondidas na próxima edição.



Veja a seguir a primeira coluna do Workshop On Line:



Encordoamento



Para os guitarristas que sempre freqüentam meu site e fazem perguntas técnicas, criei uma coluna mensal onde vou tentar falar sobre vários assuntos, principalmente equipamentos. A idéia é esclarecer como funciona e para que serve diferentes tipos de equipamentos. O principal é que com as dicas, vocês possam se decidir melhor na hora de escolher que equipamento é mais adequado ao seu estilo.

Vou começar pelo encordoamento. Sempre me perguntam qual corda eu uso, tanto em relação à marca e quanto à espessura. Como todo equipamento, guitarra, ampli, efeitos etc., não existe o melhor, e sim o mais adequado ao seu tipo de som. Hoje eu uso cordas 0,10-046 ou 0,11-0,52, porém quanto mais grosso o calibre, mais encorpado fica o som, principalmente no som limpo. Quanto mais leve a corda, mais "magro" e "estalado" ele será. Mas é lógico que temos que tomar em consideração como o guitarrista toca. Se ele toca leve, ou com a mão pesada. Corda leve com mão pesada não funciona, pois o som sai todo "estalado" e as notas sem sustentação. Agora se o guitarrista tocar leve poderá soar muito bem, como por exemplo o Frank Solari que tira um som maravilhoso e usa 0,08. A 0,09 já é um meio termo legal, pois tem um som bom com distorção e é bem confortável para solar e dar bends. No meu caso, fui transitando da 0,09 para a 0,10, principalmente pelo fato da "pegada" para bases pedir uma corda mais firme que segurasse melhor a afinação no show e que eu pudesse tocar com bastante força, porque além de sair estalado, se você tocar forte numa corda leve, a tendência é a nota oscilar de afinação. Assim a corda 0,11 fica mais estável, porém fica um pouco duro para dar bends, vibratos, bends de dois tons etc. Isso acaba cansando a mão , fora um risco de pegar uma tendinite... No Angra, onde tocamos meio tom abaixo nos shows ou quando vou gravar guitarras base, coloco a 0,11. Assim já que não me preocupo com conforto e só com o som, a corda mais espessa mantém melhor a afinação e tem um som mais cheio. Outra solução para ter este som encorpado sem judiar dos tendões é afinar a 0,11 um tom abaixo, como fazia o Steve Ray Vaughan por exemplo. Ouçam o som dele e vejam como o som é encorpado e como ele tocava forte. Até para quem gosta de som ainda mais pesado, como Sepultura, é possível usar uma 0,12 e afinar uma quarta abaixo, emulando uma guitarra de sete cordas. No jazz, nas guitarras semi-acústicas, já se usa 0,12 ou 0,13 na afinação normal. Isso porque é necessário ter um som encorpado, bem limpo e onde quase não se usa a técnica de bend e de vibrato. Desta forma os tendões ficam à salvo e o som uma maravilha.



É isso aí, um abraço!

KIKO LOUREIRO

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