24/09/04 - 09h:44mDenunciar

Kiko Loureiro, Edu Falaschi e Rafael Bittencourt

ANGRA NA ROCK BRIGADE



I PARTE:



Após treze anos de carreira, reconhecimento mundial, quatro álbuns de estúdio – sem contar os discos ao vivo, singles, EP’s e MCD’s – o Angra chega num ponto crucial em sua carreira. Afinal a nova formação adquiriu muito entrosamento ao longo desses três últimos anos de trabalho. Era chegada a hora de colher os frutos que esse convívio e essa experiência proporcionaram. O resultado disso é o “Temple Of Shadows”, álbum que surpreendeu pela ousadia. A começar pela temática, que toca em assuntos sempre polêmicos como a fé e a religião. Musicalmente, o álbum também surpreende pela gama de estilos musicais que o envolve e pela participação inusitada do cantor de MPB Milton Nascimento. Veja a seguir a 1ª parte de alguns depoimentos dados por Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Aquiles Priester, Edu Falaschi e Felipe Andreoli sobre a fase atual da banda e o novo álbum.



Momento atual da banda:



Kiko – A banda esta mais madura, coesa e entrosada, pois, na época do “Rebirth”, nós tivemos mais de 100 shows apresentados e dois anos de convivência, nos conhecemos como pessoa e como músicos. Assim, na hora de fazer as músicas, você já sabe o ponto forte de cada um e, naturalmente, acaba usando o melhor de cada um. Então, isso dá uma liberdade criativa muito grande. Nesse disco vocês vão ouvir o melhor de cada um de nós!



Conceito temático do álbum:



Rafael – Isso surgiu naturalmente. Após a pré-produção, tivemos uma folga, e nela, fui me inspirando ouvindo e treinando as músicas, ou seja, as próprias músicas serviram de inspiração pra essa história. Musicalmente essa foi a vez em que melhor exploramos as dinâmicas do Angra. As partes clássicas estão bem trabalhadas, bem sofisticadas; as partes rápidas estão bem velozes; o lado técnico está bem trabalhado, com partes difíceis; e o lado musical brasileiro também foi muito bem explorado. As músicas estão cheias de climas e tudo isso acabou inspirando a história.

O tema do disco é polêmico, pois aponta algumas contradições entre o comportamento da religião e o que ela prega, mas ele não contesta o tempo inteiro. Eu coloco isso de formas diferentes para que as pessoas conversem a respeito. A intenção inicial era colocar pra fora algumas idéias que eu tinha. Só que eu queria combinar com a identidade da banda, não queria passar apenas a minha idéia. Por isso, eu criei um personagem que passa por vários questionamentos totalmente diferentes que na vida real podem existir em diferentes pessoas. Ele passa por tantas transformações que não tem como unificar aquilo como uma idéia só. É uma história longa, na qual ele passa da fé à perda total. É o caminho inverso da descoberta da fé, é o questionamento da fé, que termina com ele desacreditando em Deus.



Felipe – Inclusive, dentro da própria banda, nós temos cinco exemplos distintos de religiosidade. Cada um tem sua própria visão, ou seja, cada um se encaixa no conceito em uma parte da história. Eu, por exemplo, sou ateu. Então, a conclusão da história, onde ele se torna ateu e é morto pela igreja, tem mais a ver comigo. Já o Rafael é um cara que se questiona a esse respeito e por aí vai. Nós conversamos bastante sobre religião, dogmas e as crenças de cada um. É um assunto atual, pois elas movem multidões ao redor do mundo e as guerras religiosas existem desde a época de Cristo e estão aí até hoje.



Aquiles – Mas este é um assunto que a gente deixa em aberto. Em momento algum nós dizemos o que é certo e o que é errado. São idéias que estão sendo abordadas para que as pessoas pensem a respeito.



Edu – Até mesmo porque não há só dois pontos de vista, certo e errado, existem várias opções a serem adotadas pelas pessoas como um rumo de suas vidas. Esse é o ponto mais legal de ser discutido, que não existe o certo e o errado, mas sim o que é melhor pra você e o que é melhor pra mim.



Rafael – Conversei individualmente com cada integrante da banda, isso foi bom para que todos soubessem do que eu estava falando nas letras e para eu ter total segurança de que não ia falar nada que comprometesse a opinião de ninguém.

Não me preocupo se alguém interpretar essa história como um posicionamento contra a igreja católica. Eu corro esse risco e, em muitos aspectos, eu vou contra mesmo! Este álbum é o grande marco do amadurecimento do Angra, o conceito musical também é muito forte, porque envolve um lado experimental, ousado e progressivo, isso exigia uma temática que correspondesse a ele. Você não pode fazer uma musica super densa e escrever que as nuvens são lindas e tal. Além disso, eu sentia muita necessidade de expor minhas idéias, pra saber se minha opinião estava errada. Então, a idéia é essa. Estou levantando uma discussão e se as pessoas disserem: “Você está louco!”, eu vou dizer: “Muito obrigado por me avisar! [risos] Eu não sabia e foi por isso que falei sobre o assunto”.



Aquiles – É exatamente isso! Queríamos mostrar os vários pontos de vista que podem aparecer, dependendo da interpretação de cada um.



Kiko – Pode até ser que a música leve uma certa pessoa a encaixar àqueles conceitos a sua própria vida e, a partir daí, ele tire algum ensinamento ou alguma conclusão. O fã de Heavy Metal é muito ligado nessa viagem de absorver algo para sua vida, através da música. Eu acho que esse vai ser o disco mais forte do Angra tanto no aspecto musical, que leva a uma viagem mais profunda, quanto nas letras, que acompanham essa profundidade.



Composição do novo álbum:



Aquiles – O Rafael sempre dizia que estava louco para começar a compor as novas músicas porque queria ver se conseguia fazer temas tão bons quanto os do último disco. Então, estávamos sempre ouvindo o que a gente já tinha feito pra tentar chegar em algo novo.



Felipe – A própria música surpreendia a gente, os caminhos que a composição tomava nos deixavam surpresos. A música meio que cria vida durante o processo de composição.



Kiko – O segredo da ousadia no processo de criação é não impor limites. Várias músicas acabaram saindo com 9 ou 10 minutos, isso porque a gente deixou a imaginação fluir. Como somos cinco pessoas com influências bem diversificadas, quando junta tudo dá algo que fica até difícil de rotular. Tivemos a liberdade para cada um trazer uma parte de seu aprendizado musical. Não paramos de estudar, pois, antes de qualquer coisa, somos músicos. Essa liberdade que a gente se deu chama-se ousadia para alguns.



Rafael – Essa ousadia e essa liberdade são a base do Angra. Hoje em dia, muitas bandas que vieram depois de nós imitam alguns formatos e estruturas que criamos numa época em que nem existia o termo “Metal Melódico”. Com o tempo muitas bandas foram aparecendo, algumas molduras foram criadas, mas nós não criamos o nosso estilo baseado em algumas molduras, e sim baseado nessa liberdade e nessa ousadia. Voltamos ao sentido original da banda, que era simplesmente não impor limites a nós mesmos.



Em breve a II Parte desta matéria será postada.

Fiquem ligados!!!



:-)



by FR_Delano

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