20/02/05 - 13h:02mDenunciar

Kiko Loureiro - Entrevista Exclusiva!



Leia a seguir a entrevista concedida pelo guitarrista Kiko Loureiro a José Roberto Santos Neves diretamente da França:



*J.Roberto* - Pelas declarações no seu site tem-se a impressão de que você cultiva uma relação quase que espiritual com a música É a isso que se deve o título "No Gravity"?

*Kiko* - Não sei se espiritual seria a palavra. Nunca pensei nisso. Existe sim uma relação de devoção ao instrumento e ao estudo da música, com certeza. A música mexe com vibrações, que são o princípio do som, a escultura do ar. A mais bela das artes, a mais abstrata, com o poder de alcançar profundos sentimentos, lembranças e imaginações. O termo "No Gravity" vem um pouco disso, pois a música, sendo ela ouvida ou tocada, pode nos levar a este estado de absorção completa, de leveza e concentração, deixando a imaginação nos controlar. Afinal, não é à toa que igrejas ou qualquer outro tipo de manifestação cultural ou de massa utilizam a música como elemento fundamental.





*J.Roberto *- Além, obviamente, da sua guitarra e das suas composições, qual é o conceito que amarra as 13 faixas deste CD?

*Kiko* - Para mim, é sempre importante mostrar o sangue brasileiro de uma forma ou de outra. Sabendo que sou um guitarrista de rock, tenho a preocupação de fazer esta antropofagia e mostrar como pode ser o rock brasileiro para nós mesmos e para fora. Afinal, este meu CD está sendo lançado em diversos países. Outra coisa foi criar melodias bem marcantes e estruturas musicais que sejam bem palatáveis, mesmo aos ouvidos que não estão acostumados à música instrumental. Procurei achar o ponto certo onde o virtuosismo da guitarra pode ser mesclado com boas melodias e texturas sonoras interessantes.



*J.Roberto *- No seu site, você diz que este álbum representa a expressão subjetiva da sua carreira e também a realização de um sonho construído ao longo de 21 anos de dedicação à música. Você poderia destacar cinco guitarristas e/ou violonistas fundamentais na sua formação musical e cujas influências podem ser ouvidas na sua forma de tocar?

*Kiko* - Claro. Van Halen, Jeff Beck, Malmsteen, Satriani, Heraldo Do Monte, Guinga... e tantos outros.



*J.Roberto* - No Angra, você é conhecido por ser um guitarrista altamente veloz e virtuoso. Como equilibra a técnica e o sentimento em suas composições e arranjos? Em outras palavras, você busca sempre tocar temas de difícil execução ou também aprecia os riffs mais simples e os solos com menor número de notas, porém, repletos de emoção?

*Kiko*- Sim, gosto das duas formas de expressão. A própria música "No Gravity" mostra bem isso, pouca nota e bastante expressividade. Vale lembrar, porém, que virtusismo e técnica não se contrapõem à musicalidade e sentimento. Isso é uma questão recorrente que, se olharmos a história da música, não faz sentido. Velocidade e agressividade são formas de expressão válidas, por exemplo.



*J. Roberto* - Músicas como "Enfermo" trazem profusão de notas, solos, alternâncias de ritmo, de compasso, além de um entrosamento impressionante... Como se deram as gravações com o baterista Mike Terrana? Vocês gravaram juntos no estúdio, valendo, ou a bateria foi captada separadamente?

*Kiko* - Foi captada separadamente sim. Porém, os ensaios que tivemos antes (que duraram 3 dias) foram muito importantes para ele entender bem minha intenção musical. É claro que esta rápida interação só foi possível pela grande experiência do Mike Terrana, que tem mais de 50 CDs gravados. Também contei com a minha própria experiência de estúdio e de 13 anos de Angra. Assim nos sentimos à vontade no estúdio conseguindo transmitir toda a espontaneidade da sala de ensaio para as gravações.



*J.Roberto* - Às vezes tem-se a impressão de que há uma orquestra de guitarras no seu disco. Em qual música você usou o maior número de guitarras?

*Kiko* - Na realidade, não sei bem dizer ao certo. Gosto muito de somar guitarras, fazendo camadas de sons diferentes. É o segredo de deixar o CD mais rico em texturas e timbres. Muitas vezes existem de 4 a 5 guitarras ao mesmo tempo.



*J. Roberto* - Em músicas como "Choro de Criança", "Pau-de-arara" e "Beautiful Language", você exibe conhecimento e domínio sobre ritmos brasileiros como o choro, maracatu e samba. Esse pode ser um diferencial na sedimentação de sua carreira-solo no exterior?

*Kiko*- Faz parte do meu conceito musical. Por um lado eu me pareço mais próximo de um Steve Vai, na forma de tocar guitarra, mas, na realidade, me comparo muito ao Carlos Santana, por exemplo, nesta questão de manter uma identidade latina nas composições. É fundamental para nós, brasileiros, sabermos da força e do peso de nossa cultura, e seja qual for o estilo que façamos, é uma coisa natural e que está presente na nossa musicalidade. Não há como evitar isso, temos que desenvolver e mostrar ao mundo.



*J. Roberto* - Você acredita que, assim como a participação de Milton Nascimento no último CD do Angra, este CD também contribuirá para aproximar o heavy metal da MPB e ajudar a acabar com o radicalismo de parte do público head-banger, que vê com desconfiança a fusão deste gênero com outros ritmos?

*Kiko*- O caminho da evolução da música foi, é, e será sempre a mistura e fusão de estilos e culturas. Com a interação que o mundo vive hoje, cada vez ficando menor, as culturas e estilos vão se misturar com certeza cada vez mais. Nós, brasileiros, devemos manter nossa identidade seja qual for o estilo. O heavy metal não pode ser diferente. É um estilo que pode se moldar a qualquer tipo de música, e o que procuramos com o Angra e eu, particularmente, procuro nos meus estudos e pesquisas musicais, é a mistura da música do mundo, enaltecendo a nossa, evidentemente.



*J.Roberto* - Quais foram os pedais de efeito e técnicas de guitarra (como a da dupla digitação) a que você mais recorreu neste CD?

*Kiko* - Usei 3 guitarras diferentes. Duas Tagimas e uma Gibson.Amplificadores Mesa Booggie e inúmeros efeitos que hoje podemos usar com softwares de computador. Quanto às técnicas de guitarras eu procuro usar de tudo um pouco, buscando diferentes sonoridades. Além da técnica de duas mãos, temos as chamadas técnicas de palheta alternada, sweep picking, tocar com os dedos ao estilo Jeff Beck e tantas outras formas.



*J. Roberto *- Existe a possibilidade de o CD "No Gravity" ser levado ao palco? Com quais músicos?

*Kiko* - Sim. Já estou com shows marcados na França e provavelmente na Itália, em abril. O baterista será o Mike Terrana e o baixista, o Felipe Andreoli, do Angra.



*J.Roberto* - Em setembro do ano passado, o Angra fez seu primeiro show em Vitória, para um público de 7 mil pessoas. O que você achou da recepção dos fãs

capixabas? A banda já tem data para se apresentar novamente no Espírito Santo?

*Kiko* - Foi muito legal. Fiquei impressionado com a paixão do público conosco. Eu estava super doente no dia, mas o público na hora do show realmente me vez esquecer a febre...



Grande abraço



Kiko Loureiro

Comentários (7)

dejapaa
1. dejapaa 20/02/05 13:06

Aew primeiraaaa...

dejapaa
2. dejapaa 20/02/05 13:11

Ah naum velho...
Esse cara eh mtuh bom... em tduh...
Toka mtuh e tem uma idéias mtuh boas, eh mtuh inteligente...
Eu achuh q ele não é um ser humano... Ohh... XD
Hehehe... Eh isso...
Viva angra!!!

metalworm
3. metalworm 20/02/05 13:12

Fala maluco,blz véi?
Não é a toa que vc domina os flogs
que falam do Angra,o teu acesso a info sobre eles é ilimitado e vc sempre
coloca mto bem as coisas. Que entrevista kra,de arrepiar!!
Abraços! \../orm.

sahazat
4. sahazat 20/02/05 13:33

bah mto fera a entrevista...
o kiko sempre surpreende...
cada vez mais...
bjos!

danipaludo
5. danipaludo 20/02/05 14:22

oioieeeeeeeee
angra humilhaaa meoooo""
bjoxxx
te++

serginho81
6. serginho81 21/02/05 7:41

kiko...
massa...toca mto...
o show foi estilo

laminhadometal
7. laminhadometal 26/02/05 0:03

MUITO LEGAL A ENTREVISTA, MAS POSSUI UM ERRO; O PRIMEIRO SHOW DO ANGRA NO
ANO PASSADO FOI EM RIO VERDE GOIÁS

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