27/09/04 - 08h:56mDenunciar

Edu Falaschi

ANGRA NA ROCK BRIGADE



II PARTE:



Liberdade, sentimento, evolução e produção:



Edu – Neste álbum, eu estou cantando como cantava no Symbols, que é meu jeito de cantar a mais de 10 anos; Mais rasgado, com drive e com mais impostação. No Rebirth foi um caso diferente, em que nós tivemos um certo cuidado, mas agora tivemos total liberdade e eu pude cantar do jeito que gosto.

Eu sou um vocalista, posso cantar minhas letras, como posso cantar letras de outros compositores, principalmente quando esse compositor é o Rafael, que na minha opinião é um dos melhores da atualidade. Imagine um ator que só queira encenar peças que tenham texto dele...

Acho que hoje em dia temos que ter uma preocupação maior com o mundo em que estamos vivendo e este álbum fala muito disso. Não gostaria de perder meu tempo cantando sobre algo banal se posso falar sobre um assunto importante, fazendo as pessoas crescerem com esse ensinamento. Coisas banais têm aos montes no mundo. A gente tenta não ser banal.



Kiko – Música é arte e arte é cultura. A principal função da arte é fazer as pessoas pensarem. Como artista, eu tenho isso como primordial. Uma das coisas que salva o nosso país e a nossa cultura é aquele artista que tenta levar isso a sério.



Felipe – Mesmo se for uma música instrumental, é fundamental passar algum sentimento, mexer com as pessoas – e não fazer com que elas mexam a bunda... [risos]

Hoje, quando escuto este CD, é gratificante perceber certos detalhes e notar a evolução da banda. A própria música trouxe à tona qualidades dos músicos que talvez estivessem escondidas. Você consegue ouvir as nuanças dos instrumentos de uma forma bem orgânica, bem na cara! Você ouve e não tem dúvida do que tem ali, não tem nada maquiado.



Aquiles – Esse é um disco de opostos. Ele tem coisas super extremas e coisas super simples, quando é necessário à música. A banda teve o bom senso de fazer arranjos completamente pertinentes ao que a música pedia. O diferencial do Angra sempre foi essa característica de passar nas letras e nas próprias músicas algo com que o ouvinte se identifique.



Kiko – Que o faça pensar, que seja um tapa na cara, que ele vá estudar mais, que procure pesquisar sobre o que o Rafael escreveu, que procure outros artistas de maior complexidade musical. Eu espero que os fãs ouçam o CD e façam isso.



Rafael – Acho que o Dennis Ward (produtor) esta vivendo um momento parecido com o nosso, de amadurecimento como produtor. Acho que esse disco é o melhor trabalho dele como produtor. Primeiro porque o material era muito complicado de se trabalhar, já que as músicas são muito diferentes e difíceis. Ele nos ajudou a conectar esse material, a criar um conceito e a fazer o disco ter uma unidade.



Kiko – Tem que treinar... (falando sobre a representação ao vivo) Naturalmente é um outro ambiente você toca em pé, com o publico na sua frente e tudo mais que te dispersa num show. Mas a gente vai querer sempre mostrar que é capaz. É como eu falei: nós estamos sempre estudando e querendo mostrar nossa evolução.



Felipe – Já vi muitos músicos que, com o tempo, se cansam de tocar coisas difíceis e começam a enxugar cada vez mais as músicas dele. Nós somos o oposto, quanto mais passa o tempo, mais a gente quer tocar. Porque todo mundo está sempre louco pra mostrar os limites.



Edu – O Angra tem essa característica de ser uma banda que está sempre querendo se superar.



Kiko – E não só na velocidade, mas em todos os sentidos musicais que você possa imaginar: Técnica, harmonia, estruturação musical, timbres, ou seja, em todos os aspectos.



Participações especiais:



Edu – Com o atraso das gravações e, conseqüentemente, do lançamento do Temple Of Shadows, surgiu a possibilidade de gravar com o Milton Nascimento.



Rafael – Tínhamos a intenção de convidá-lo, mas não havia nada confirmado.



Felipe – Eu lembro quando o Kiko nos mostrou a música (Late Redemption) e o Edu cantou essa parte da qual o Milton participa de um jeito que lembrava o próprio Milton. Foi assim que surgiu a idéia.

Teve um dia que alguém falou: “Já pensou se o Milton cantasse no disco?” E foi aí que a gente resolveu ir atrás dele e convidá-lo.



Kiko – Nós já tínhamos essa idéia de ter convidados que representassem o nosso lado Heavy Metal e o nosso lado brasileiro. Pensamos em vários nomes, mas resolvemos convidar o Milton. Entramos em contato com o empresário e não rolou nenhuma restrição em relação ao Heavy Metal, que era nossa primeira preocupação. Eles pediram pra ouvir a música, gostaram e daí foi só uma questão de conciliar as agendas.



Rafael – O Angra sempre teve influencia de música brasileira e, dentro dela, o Milton sempre foi uma referência muito forte pra gente.



Kiko – O Milton e os caras do Clube da Esquina (Movimento musical, voltado para a MPB, que aconteceu nos anos 70 em Minas Gerais) influenciaram muita gente lá fora, como o Yes, por exemplo.



Aquiles – Todo mundo fala: “A primeira música que quero ouvir é essa, com o Milton Nascimento”. E eu sempre digo: Tenho certeza que todo muito vai adorar, porque a gente não mudou em nada a nossa maneira de tocar por ter o Milton na música. A voz dele se encaixou perfeitamente, mas percebe-se que a música tem peso.



Edu – No Japão, tanto os críticos como os fãs não acreditavam que a gente tinha conseguido colocá-lo no disco. O cara é um ícone lá! Quer dizer, uma das coisas que nos orgulha de tê-lo no disco é o fato dele ser quem ele é.



Kiko – Ele já ganhou três prêmios Grammy... A gente sempre trouxe esse lance de ter a cabeça aberta como um ensinamento pro cara que é radical e, de repente, começou a gostar do Angra por causa das músicas mais pesadas, vê que o disco tem todas essas variações e pode começar a gostar. O mesmo com a música clássica. De repente, o cara ouve o Angra hoje e, amanhã, vai procurar assistir uma orquestra. Essa é a idéia.



Rafael – Hansi Kürsch (Blind Guardian) e o Kai Hansen (Gamma Ray) são o sangue do Heavy Metal, porque são caras de longa carreira e não fazem nada moderno, ligado a tecnologia. É riff de guitarra e voz rasgada – a pura energia do Metal. Então nós procuramos ilustrar no disco a origem de cada uma de nossas influências. Já a Sabine Edelsbacher é de uma geração bem mais recente e participa por uma outra razão. Acontece que o disco é muito pesado, muito denso e melancólico, não só pelas músicas, mas pelo tema. Então, fazia falta uma voz feminina para suavizar um pouco esse clima. Ela tem uma voz muito bonita e canta lírico muito bem, então, veio a calhar.



Em breve a III Parte desta matéria será postada.
Fiquem ligados!!!



:-)



by FR_Delano

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