28/10/06 - 10h:50mDenunciar

Kiko Loureiro



VIRTUOSOS DA GUITARRA CHEGAM AO BRASIL



A hora da verdade: Kiko Loureiro avalia a técnica de Joe Satriani, Eric Johnson e John Petrucci, da formação atual do G3.



Os "heróis" da guitarra estão entre nós. Desda a última quinta-feira, Joe Satriani, John Petrucci e Eric Johnson carregam seus instrumentos para três palcos diferentes (Porto Alegre, São Paulo e Rio) e mostram com quantas cordas se faz um solo virtuoso. As apresentações fazem parte da turnê do G3, apelido dado ao trio que já teve também entre seus membros o lendário guitarrista Steve Vai, que foi substituído nesta temporada por John Petrucci, do Dream Theater.



Para dar conta de toda essa técnica sem deixar escapar nenhuma nota nem perder o tempo, o G1 convidou o igualmente virtuoso Kiko Loureiro para comentar o que o público pode esperar de cada um dos três músicos.



Joe Satriani

"A música do Satriani, acredito, é a mais acessível dos três. Ele é um melodista em primeiro lugar. Cria músicas de estruturas simples e diretas, com temas facilmente cantáveis. É uma música bem energética, que por inúmeras vezes é usada como trilha de abertura de programas de esporte ou de adolescentes, vide a famosa abertura do 'Vídeo Show', da Globo ['Summer song'].

Comparado aos outros dois que dividirão o palco com ele é o menos técnico e provavelmente o que passa a emoção musical de forma mais clara e sem barreiras. Satriani no palco não tem a mesma postura de um 'guitar hero' virtuoso, tem uma característica mais tranqüila e fechada."



Eric Jonhson

"É o menos conhecido do público brasileiro, porém na mídia especializada americana é sempre escolhido como o guitarrista 'best overall', isto é, o melhor acima de todos seja qual for o estilo. É um guitarrista tipicamente americano com um mix influências muito diversas. Ele tem fama de ser meticuloso em relação à pesquisa de som e possui uma forma única de misturar técnicas usadas por guitarristas de jazz dos anos 50, como Wes Montgomery, com as do rock dos 60, como Hendrix, Clapton e Jeff Beck. Tudo isso com uma técnica precisa e invejável, porém sempre de uma forma mais que natural, sem em nenhum momento parecer que as notas estão 'caindo pelo chão'.

Johnson possui um estilo único de extrair sons muito especiais da guitarra sempre em conexão com a música e o contexto. A figura dele é ainda mais tranqüila que a do Satriani, chegando a usar protetor de ouvidos para "a guitarra alta dos outros não muchucarem os seus tímpanos."



John Petrucci

"É bem mais novo que os outros e por isso notadamente cresceu estudando guitarra sob a influência direta dos mega virtuoses e "guitar heroes" dos anos 80. Ele é ídolo máximo entre os adolescentes que buscam a música de competição, a do 'quem toca mais notas por segundo', mas também símbolo claro da música de complexidade e virtuosismo desnecessários para outros. Com o Dream Theater, Petrucci foi o oásis nos anos 90 para quem gostava de música complexa, intrincada, sofisticada, virtuosa, conseguindo espaço em meio à idolatria das bandas de três acordes e 'bends' desafinados vindas de Seattle.

Suas melodias não são tão diretas e presentes no nosso imaginário. A digestão é mais difícil; sua técnica em escalas e arpegios na velocidade da luz pode tirar a atenção da música em si segundo alguns fãs de guitarra mais conservadores."



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