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Meu Filho Mais Velho e Eu (Agosto de 2004)

PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS













Existem coisas



pequenas e grandes,



coisas que levaremos



para o resto de nossas vidas.







Talvez sejam poucas,



quem sabe sejam muitas.







Depende de cada um,



depende da vida que cada



um de nós levou.







Levaremos lembranças,



coisas que sempre serão



inesquecíveis para nós,



coisas que nos marcarão,



que mexerão com a nossa



existência em algum instante.







Provavelmente iremos



pela a vida afora



colecionando essas coisas,



colocando em ordem de grandeza



cada detalhe que nos foi importante,



cada momento que interferiu



nos nossos dias,



que deixou marcas,



cada instante que foi



cravado no nosso peito



como uma tatuagem.







Marcas,



isso... serão marcas,



umas mais profundas,



outras superficiais



porém



com algum significado também.







Serão detalhes que guardaremos



dentro de nós e que se contarmos



para terceiros talvez não tenham



a menor importância,



pois só nós saberemos



o quanto foi incrível vivê-los.







Poderá ser uma música,



quem sabe um livro,



talvez uma poesia,



uma carta,



um e-mail,



uma viagem,



uma frase que alguém tenha



nos dito num momento certo.







poderá ser um raiar de sol,



um buquê de flores



que se recebeu,



um cartão de Natal,



uma palavra amiga



num momento preciso.







Talvez venha a ser



um sentimento



que foi abandonado,



uma decepção,



a perda de alguém querido,



um certo encontro casual,



um desencontro proposital.







Quem sabe



uma amizade incomparável,



um sonho que foi alcançado



após muita luta,



um que deixou de existir



por puro fracasso.







Pode ser simplesmente



um instante,



um olhar,



um sorriso,



um perfume,



um beijo.







Para o resto de nossas vidas



levaremos pessoas guardadas



dentro de nós.







Umas porque



nos dedicaram



um carinho enorme,



outras porque foram



o objeto do nosso amor,



ainda outras por terem



nos magoado profundamente,



quem sabe haverá algumas



que deixarão marcas profundas



por terem sido tão rápidas



em nossas vidas,



e terem conseguido ainda assim



plantar dentro de nós



tanta coisa boa.







Lá na frente



é que poderemos realmente



saber a qualidade de vida que tivemos,



a quantidade de marcas



que conseguimos carregar conosco



e a riqueza que cada uma delas



guardou dentro de si.







Bem lá na frente



é que poderemos avaliar



do que exatamente foi feita



a nossa vida,



se de amor ou de rancor,



se de alegrias ou tristezas,



se de vitórias ou derrotas,



se de ilusões ou realidades.







Pensem sempre que hoje



é só o começo de tudo,



que se houver algo errado



ainda está em tempo



de ser mudado



e que o resto de nossas vidas



de certa forma ainda



está em nossas mãos.





Silvana Duboc

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