26/08/05 - 14h:04mDenunciar

A VOZ DO SILÊNCIO



Encontrei um poema com apenas dois versos que diz assim:



"Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala".





Simples.

Rápido.

E quanta força.

Imediatamente me veio a cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você

sabe, o silêncio não é dado a amenidades.





Um telefone mudo.

Um e-mail que não chega.

Um encontro onde nenhum

dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,

esquecimento, recusas.



Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão.

O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável, o silêncio a ante-sala do fim.





É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamentos articulam argumentos expõem suas queixas, jogam limpo.





Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados.

Quando nada é dito, nada fica combinado.





Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar:

"diz alguma coisa, diz que não me ama mais, mas não fica aí parado me olhando".





É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem- vindo.

Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo.





Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente.





Para os seguranças dos shows do Sepultura, o silêncio é uma megasena.

Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.





O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto.

É quando ninguém bate a nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem."







(Autor Desconhecido)

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