04/01/06 - 15h:38mDenunciar

Soneto Da Separação



De repente do riso fez-se o pranto



Silencioso e branco como a bruma



E das bodas unidas fez-se espuma



E das mãos espalmadas fez-se espanto.







De repente da calma fez-se o vento



Que dos olhos desfez a última chama



E da paixão fez-se o pressentimento



E do momento imóvel fez-se o drama.







De repente não mais que de repente



Fez-se de triste o que se fez amante



E de sozinho o que se fez contente.







Fez-se do amigo próximo o distante



Fez-se da vida uma aventura errante



De repente não mais que de repente.



(Vinícius de Moraes)



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