21/07/11 17:30Denunciar

LIVING EYES É TEMA DE ENCONTRO EM SÃO PAULO


Aproveitando mais um encontro temático do BR GIBB BEE GEES CLUBE, neste sábado (23/07), que é sempre muito bom para quem gosta de trocar informações, colo a seguir algumas curiosidades levantadas para nosso primeiro encontro Living Eyes.

Na foto do post, o LP Living Eyes japonês que eu achei lá em casa e que futuramente também estará decorando o Museu Bee Gees na internet. Além do OBI, que todos os colecionadores gostam, esse LP trazia originalmente uma bonita cartela de adesivos - que aliás, estão intocados, como deve ser. Aparece à direita na foto.

Se gosta de itens de coleção, visite também o Museu Bee Gees: www.beegeesnet.blogspot.com

Abaixo, para quem gosta de conteúdo, as informações do nosso primeiro encontro sobre o Living Eyes:

+ O álbum Living Eyes foi concebido durante um período de grande turbulência. Os Bee Gees enfrentavam um processo por plágio por How Deep Is Your Love e um processo contra a RSO sob alegação do não pagamento de direitos autorais. Acabariam perdendo os dois (o de plágio seria revertido em outra instância). Barry começava a sofrer com suas conhecidas dores nas costas, que vinham sendo controladas com o uso crescente de analgésicos. Maurice afundava no abuso do álcool e das drogas, sendo internado em uma clínica na Califórnia para o tratamento do alcoolismo, sem resultados práticos. Durante uma de suas bebedeiras, chegou a ser retirado à força de um voo de Concorde nos Estados Unidos. Robin vivia um escandaloso divórcio, que gerou manchetes na mídia e chegou a levá-lo aos tribunais, culminando com a perda do direito de ver os filhos. Ao mesmo tempo, a mídia já ignorava os irmãos enquanto músicos devido à superexposição verificada entre 1977 e 1979. A imagem da banda estava desgastada. Em meio a tantas confusões, os Bee Gees ainda tinham a obrigação contratual de entregar dois novos álbuns pelo selo RSO.

O primeiro deles começou a ser produzido em 1980, aproveitando a inauguração do estúdio próprio da banda, o Middle Ear. Em razão da dificuldade de agendar sessões e do custo no estúdio Criteria, de Miami, eles decidiram que era melhor ter sua própria estrutura. Para isso, compraram e reformaram o imóvel de uma empresa de contabilidade, que atendia, entre outras, a banda KC e Sunshine Band.

O primeiro nome previsto para o Living Eyes era Sanctuary. Alan Kendall, Blue Weaver e Dennis Bryon começaram a trabalhar nas primeiras sessões de gravação, mas subitamente e sem explicação os trabalhos foram suspensos e os músicos demitidos. Tempos depois, eles contaram que desde o princípio o trabalho não fluía bem, pois havia uma excessiva preocupação em usar novos recursos tecnológicos e de computação em substituição aos instrumentos musicais de verdade. Não por acaso um dos bateristas creditados no álbum final se chama Solly Noid (em Crying Every Day), trocadilho para uma nova bateria eletrônica da época que produzia os sons por meio de impulsos elétricos obtidos em um solenóide.

Uma vez que já estava previsto que não haveria turnês pelos próximos anos, a produção buscou alguns dos melhores músicos de estúdio da época para tocar no álbum. Alguns deles já haviam trabalhado nos álbuns do Andy Gibb e no Guilty, de Barbra Streisand. Segundo a lenda, a opção também decorreu de um período de exagerado e irritante perfeccionismo do Barry.

Desde o início do projeto havia muita apreensão. Todos estavam convictos de que o trabalho deveria representar uma forte mudança em relação a aquilo que havia sido produzido na segunda metade da década de 70. Era preciso estabelecer um estilo musical diferente. Mas já nas sessões todos perceberam que nada estava evoluindo direito e as perspectivas não pareciam muito animadoras.

Durante a concepção do álbum, chegaram a circular boatos de que o novo LP traria, pela primeira vez, Maurice como principal vocalista na maioria das músicas. Isso não se confirmou, mas, além dele ter uma canção solo, Robin voltou a ocupar posição de destaque como lead vocal, espaço que não vinha tendo desde que os falsetes começaram a dominar o repertório, a partir do Saturday Night Fever.

A ideia dos irmãos era promover uma mudança tão radical quanto a experimentada em 1975 com o Main Course. No entanto, ao contrário daquele álbum, agora não havia mais inspiração, envolvimento nem energia criativa. Havia um forte sentimento de que era impossível fazer algo ainda melhor do que aquilo que havia sido feito anteriormente. Esse sentimento, afinal, mostrou-se um reflexo da verdade, não apenas quanto ao Living Eyes, mas para o resto da carreira dos Bee Gees.

Do outro lado dos negócios, percebendo que a fase áurea dos Bee Gees tinha chegado ao fim e o que o sucesso nunca mais se repetiria com a mesma intensidade, durante o processo de produção do Living Eyes a RSO Records demitiu 80% de seus funcionários, reduzindo o quadro de 60 para 12 pessoas. Não haveria mais demanda que justificasse a estrutura anterior da empresa. A própria empresa percebeu que fonte havia secado.

O primeiro sinal de vida do Living Eyes foi o lançamento do single He’s a Liar, em setembro de 1981. Após um período de quebra de recordes nas paradas musicais, a nova canção dos Bee Gees atingia apenas a 30ª posição nos Estados Unidos. Embora a própria banda preferisse que o primeiro single fosse Living Eyes, todos concordaram que He’s a Liar era a música que melhor mostraria ao público a diferença dos “novos” Bee Gees para aqueles que ficaram populares no final dos anos 70. Um dos destaques era a marcante guitarra de Don Felder, dos Eagles.

Em todo o álbum, somente uma música tinha falsete, Soldiers. A ideia foi abolir esse recurso para fugir do estereótipo construído no final dos anos 70. Ao mesmo tempo, com essa música pretendiam mostrar ao público que os Bee Gees que todos conheciam ainda estavam lá de certa forma, e que o falsete poderia ser usado novamente quando fosse o momento.

He’s a Liar foi o primeiro single dos Bee Gees lançado comercialmente no formato 12”. Havia também uma versão instrumental. Mas a música foi ignorada pelas rádios e pelo público. Os admiradores da banda não reconheceram aquela música como um trabalho dos Bee Gees. E o processo que moviam contra a RSO resultou na total falta de divulgação do trabalho junto à mídia.

O álbum Living Eyes foi finalmente lançado em outubro de 1981. Muitas edições especiais e limitadas acompanharam o lançamento. No Japão, por exemplo, uma versão para DJs trazia seis músicas – três de cada lado – e o LP só podia ser tocado do centro para fora.

Também costuma se dizer que o Living Eyes foi o primeiro álbum prensado no novo formato CD. Foi exatamente o CD Living Eyes que apareceu no programa TV Tomorrow’s World, da BBC, uma produção que apresentava as tecnologias do futuro. No entanto, esse CD demonstrativo não chegou de fato às lojas – todo mundo sabe como é difícil encontrar um Living Eyes em CD. Segundo os pesquisadores e especialistas, o primeiro CD colocado efetivamente à venda para o público no mundo teria sido do ABBA. Portanto, para efeito de estatística, o primeiro CD do mundo foi do ABBA.

As fotos para ilustrar o Living Eyes foram feitas em Nova York. Na capa, o por do sol visto do alto de um edifício em Manhattan. A foto interna traz o trio no lobby do Radio Music City Hall, no Rockefeller Ceter. Atrás, a foto tinha como cenário a casa de Robin em Long Island.

Quatro músicas foram descartadas durante as sessões de produção do Living Eyes: Hold Her in Your Hand, mais tarde gravada por Maurice Gibb e lançada em compacto; Heat of the Night; Loving You is Killing Me; e a inacabada City of Angels, que pelo que se ouve teria potencial para ser a mais bonita de todas.

No começo da década de 90, Barry avaliou o Living Eyes como um trabalho sem energia. Ele admitiu que, na época, o objetivo era fazer um trabalho diferente e sem falsetes. Para ele, esse trabalhou deixou uma cicatriz na obra dos irmãos.

O segundo single lançado foi Living Eyes, mas a sorte do álbum já estava decretada. O desempenho da canção foi ainda pior que He’s a Liar, atingindo apenas a 45ª posição nos Estados Unidos. O álbum foi um dos maiores fracassos comerciais da carreira dos Bee Gees.

Em meio a um período conturbado e com a clara perspectiva de que não tinha mesmo como dar certo, o álbum Living Eyes marcou uma importante transição na carreira dos Bee Gees. Antes dele, sempre tivemos um grupo de irmãos acompanhados por músicos amigos, trabalhando e interagindo juntos na criação de novas canções e novos discos, fazendo o melhor possível, mas dentro de uma série de limitações, inclusive enquanto músicos e banda. A partir do Living Eyes, o espírito de interação entre compositores e músicos desapareceu para sempre. As bandas fixas foram substituídas por profissionais de estúdio, selecionados e contratados de acordo com o trabalho em vista. Tecnicamente, em tese houve uma qualificação da estrutura. No entanto, claramente perdeu-se a espontaneidade e o envolvimento emocional de todos os envolvidos no processo, algo fundamental para o resultado alcançado nas décadas de 60 e 70. Talvez também por isso, a partir do Living Eyes o trabalho e o sucesso dos Bee Gees nunca mais foram os mesmos.

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