18/10/06 - 19h:09mDenunciar

Salve,



Realmente acredito estar ficando doente. Aconteceu-me um excesso mental. Um lapso de consciência no qual eu não distinguo mais aquilo que é real, daquilo que verdadeiramente não existe. Foi uma pressão constante que fiz sobre mim, foi uma vida que às vezes sinto ter deixado escoar pelo ralo. Eu sei o quanto eu amei e quanto eu desprezei, refiro-me a vida, refiro-me a você, refiro-me aos meus filhos que ainda nem nasceram. Sei que tudo parece complicado comigo, é a maldita overdose, overdose de consciência, afinal de contas as leituras nos deixam (pelo menos quando falo por mim, isso é verdade) pessimistas, nos deixa com o fígado pedindo vodka, com o inconsiente ardendo em febre, com alguns graus de delírio. E minha vida é povoada pelo colapso com a realidade de nossa existência. Todas as vezes que ouço Debussy, ou Pink floyd sinto como se a vida fosse um eterno sofrimento, no qual nada adianta, pois quando a morte nos aparece, tudo se torna indiferente, e acaba a mente, acaba minha alma, que, sendo corruptível, foi devorada por todos os meus demônios, aqueles imateriais, aqueles corpóreos, com carne, ossos, barbas, e lábio de vinho, e nudez pecaminosa, e desejo e aquela vontade de explodir para dentro da pessoa para que nossas almas se tornem em fogos de artifício e queimem para sempre, nunca se tornam cinzas, o amor é o fogo eterno, o fogo completo de minha existência.

Acredito que passo para você os meus mais puros e mais verdadeiros sentimentos, embora eu saiba que você não merece nada de minha subjetividade. Adoro os vícios da carne, os vícios da mente, e o meu vício preferido que é você, e alguns outros homens. Quando leio Camus, não acredito que as perturbações existenciais tenham de ser tão tristes, porém é, por enquanto minha única realidade empírica quanto ao existencialismo, e a criação sem platéia, tão necessária para mim, quanto a beleza é para você, pois se não fosses belo, não escreveria uma linha sequer para você.

Eu ouço vozes, que me pedem para dizer adeus a ti. Mas eu não consigo. Você já sabe muito sobre quem eu sou, por favor, esqueça-me ou me não me olhe jamais, eu te imploro. Eu não vou suportar o teu olhar representar tua consciência e me julgar como alguém que podia recuperar o paraíso perdido e ter livrado o mundo de todo o mal.







Beijos eternos e distantes





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