14/05/08 - 22h:40mDenunciar

Pois é, coitada da Isabella...

Mas já deu né pessoal?



Não sei vocês mas eu acho que já se vendeu o suficiente para uma única desgraça, não? A mídia está desidratando essa história a seu bel prazer e vem inundando bancas e TV com entrevistas, depoimentos, simulações e etc e tal só para rechear uma época de paradeira. Nada no mar das notícias, calmaria bombástica. Nada como uma tragédia na classe média para comover bons cristãos compradores de notícias. Putz, sem nem uma CPIzinha no supremo, a Isabella (com o perdão da palavra) caiu como uma luva no terreno na imprensa.

E engraçado como esse exaurir “midiático” de um caso dá ao mesmo um caráter singular. Se esvazia tanto essa história que chega parecer que esse caso é filho único de mãe solteira. Não, não foi o primeiro. E não, não será o último. Violência contra crianças não é inédito. A triste verdade crua e nua: duendes não existem e crianças são freqüentemente vitimas de violência doméstica. Algumas, vítimas fatais. Dã. Parece que só a mídia não sabia disso. Estardalhaço como se tivessem descoberto a roda.

(Tão cômico que beira o trágico).

Mas, ninguém gastaria tinta e nem minutos no horário nobre se não houvesse ávido receptor desse drama. Desgasta-se esse crime para suprir a curiosidade mórbida do ser humano. Cada um inconscientemente (ou não) deleita-se com a sensação de superioridade sobre o “casal-assassino-cruel-jogador-de-criancinhas-pela janela”. Eu desprezo a idéia de matar meu filho e isso (pasmem!!!) não é vantagem. Ohhh...

Medonho essa ânsia por desgraças alheias.

Inacreditavelmente irritante o imenso tempo que se dispõe a discutir com fulgor justiceiro o “caso Isabella”. Não falam sobre o absurdo número de casos de violências contra crianças (a cada dois dias cinco crianças são mortas por familiares próximos). Não está em pauta o“coro” (prática tão corriqueira no ofício parental que nem mais é classificada como violência). Nem se discute o real absurdo despreparo dos pais, ou sobre distúrbios psicológicos, nem mesmo sobre as técnicas bombantes a lá CSI que a perícia de são Paulo está gastando. Não. Fala-se sobre a Isabella. Caso Isabella. Detalhes sórdido e/ou inúteis do triste fim da Isabella Quaresma.... Chega né?! Vamos trazer para perto essa história e perceber as doses homeopáticas de violências que cometemos. Ou que nos omitimos. Proponho transcender (gastei o latim agora, hein?) a agressão física e jogar na roda as porradas morais e verbais, o desrespeito geral à infância. Tá na hora de ampliar a polêmica e não de escafunchar no mesmo lamaçal.

Coitada da Isabela, mártire da imprensa e objeto de contemplação pública. Já ta na hora de deixar esse caso descansar na santa paz do senhor.

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