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TAPETE DE ARRAIOLOS




A verdadeira origem do Ponto de Arraiolos, que é uma variante do ponto cruz, ainda hoje é considerada um mistério, sabendo-se no entanto que foi divulgado na Península Ibérica pelos mouros.

O primeiro tapete conhecido, datado do século XII, encontra-se na catedral de Astorga, em Espanha e nele é bem visível um ponto igual ao que hoje se faz.

Nos finais do século XV, por mandato de D. Manuel I, são expulsas da Mouraria de Lisboa várias famílias mouriscas que viriam a fixar-se em Arraiolos, dedicando-se à manufactura de tapeçarias que chegaram até nós graças às mãos laboriosas de gerações de bordadeiras, com traços da vida da grande planície alentejana.

Os verdadeiros tapetes de Arraiolos, são pois, confeccionados desde tempos remotos nesta antiga vila que lhes deu o nome, e considerados como autênticas obras de arte. O ponto conhecido pelo nome de ponto grego ou ponto trança eslavo é executado em pura lã merino sobre tela.

Totalmente executados à mão, em todos os tapetes de Arraiolos pode-se notar o gosto e a personalidade da mulher portuguesa e alentejana que os confecciona, e o seu toque e cunho pessoais nos variadíssimos matizes e conjuntos de cores.

À parte da técnica de fabricação, no que diz respeito à organização pré-decorativa dos tapetes, as regras e princípios adoptados são originários da Pérsia, no entanto as decorações não têm esta origem.

Actualmente podemos encontrar Tapetes bordados com os mesmos motivos usados no século XVII, como por exemplo o Correntes e o Anjos, ou no século XVIII, como é o caso do Seminário, já no século XIX temos o Flores, o Bonecos e o Seteais. No entanto, uma panóplia de novos motivos têm surgido, mas no fundo o fundamental é manter a técnica de bordar intacta para que se evite perder este ícone cultural, como a arte de bem bordar os originais tapetes de Arraiolos pelas preciosas mãos das Tapeteiras desta zona.

Na tentativa de classificar os tapetes, estes têm sido agrupados por épocas:

A 1ª Época corresponde ao séc. XVII, caracterizada pela influência persa na composição decorativa: flor de palmeira, arabescos, palmetas, nuvens, etc. e por alguns motivos geométricos inspirados em mosaicos e azulejaria, sendo o bordado feito sobre linho.

A 2ª Época corresponde aos dois primeiros terços do séc. XVIII, na qual predominam desenhos de inspiração popular enriquecidos com motivos orientais. Surgem os animais, figuras humanas, juntamente com elementos florais. Este foi o período florescente da indústria artesanal em Arraiolos.

A 3ª Época corresponde aos finais do séc. XVIII e ao séc. XIX, desaparecendo os motivos orientais, os arabescos e, progressivamente, os motivos populares, em favor de grandes ramagens e motivos florais, sendo a composição menos densa.

Em meados do séc. XIX, a indústria entrou em decadência, chegaram a desaparecer por completo as oficinas, ficando apenas algumas bordadeiras que trabalhavam por sua conta, nas suas casas ou nas casas dos seus clientes. Foram estas mulheres que, transmitindo a técnica de mães para filhas, tornaram possível o renascimento desta arte já no séc. XX.

Actualmente, bordam-se, com o ponto de Arraiolos, desenhos antigos e modernos, de todas as origens e de todos os estilos. No entanto, os criadores de desenhos para tapetes nem sempre podem ser felizes nas suas composições originais, pois é uma actividade que muito depende do talento.

São diversos e complexos os problemas actuais que se põem a esta actividade, resultantes fundamentalmente da massiva industrialização verificada nos anos 80 e princípios da década de 90. A manutenção da autenticidade e genuinidade regional dos Tapetes de Arraiolos, a dignidade profissional da actividade das artesãs, a protecção da denominação de origem, são os desafios fundamentais no presente, sem fechar portas às evoluções de estilo características das artes vivas.

in CATA - Centro de Apoio às Tapeteiras de Arraiolos






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