18/05/05 - 22h:33mDenunciar

Poema de Álvares de Azevedo

De tanta inspiração e tanta vida

Que os nervos convulsivos inflamava

E ardia sem conforto...

O que resta? uma sombra esvaecida.

Um triste que sem mãe agonizava...

Resta um poeta morto!

Morrer! e resvalar na sepultura.

Frias na fronte as ilusões - no peito

Quebrado coração!

Nem saudades levar da vida impura

Onde arquejou de fome... sem um leito!

Em treva e solidão!

Tu foste como o sol; tu parecias

Ter na aurora da vida a eternidade

Na larga fronte escrita...

Porém não voltarás como surgias!

Apagou-se teu sol da mocidade

Numa treva maldita!



Tua estrela mentiu. E do fadário

De tua vida a página primeira

Na tumba se rasgou...

Pobre gênio de Deus, nem um sudário!

Nem túmulo nem cruz! como a caveira

Que um lobo devorou!...

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