12/05/07 - 04h:05mDenunciar

Museu Britânico exibe acervo de arte africana

Entre as mais destacadas produções materiais da África conservadas por esse museu estão os bronzes de Benin e tecidos de todo o continente, além de um importante acervo do Egito antigo.
O Museu Britânico abriga ainda as galerias africanas Sainsbury formadas pelo acervo do antigo Museum of Mankind (da Humanidade).

A grande mostra África 2005

O Museu Britânico de Londres, reabriu as galerias reservadas para a África em 2005, com a exposição das melhores obras de arte africanas do mundo.
A coleção é composta por objetos de várias partes do continente e abrange séculos de produção artística, juntando objetos de arte contemporâneos e artefatos de civilizações antigas.
Constituída por diversos eventos sobre as culturas contemporâneas e tradicionais do continente, incluindo-se a África setentrional, e não apenas da chamada "África negra".
Em função dessa mostra, foi apresentada uma seleção de objetos da África, ou, "inspirados por ela", existentes nas coleções do Museu Britânico.
Segundo os curadores, o objetivo da exposição foi mostrar a diversidade e a vitalidade da arte na África em mais de cinco séculos.
Regiões tradicionalmente mal representadas nesse tipo de exposição, como o Magreb e o nordeste da África, estão tendo destaque na mostra.

Disputa

Apesar de ampla, a exposição no Museu Britânico é também polêmica.
Algumas peças de bronze do Benin, tomadas pelos colonos britânicos em 1897, estão sendo mostradas. As peças são o centro de uma disputa entre os dois países, com a Grã-Bretanha se recusando a devolvê-las.
O Museu Britânico argumenta que é um dos museus mais populares do mundo e oferece a milhões de pessoas todos os anos a oportunidade de ver os artefatos.
Uma disputa semelhante envolve o governo da Grécia e o Museu Britânico no tocante aos baixos-relevos do Parthenon - o templo grego da Acrópole de Atenas.
As obras gregas foram retiradas do Parthenon e estão expostas no museu.
As galerias Sainsbury de arte africana fornecem um espaço de exposição permanente e substancial para uma das melhores coleções de arte africana e artefatos do mundo.
A coleção compreende mais de 200.000 objetos e englobando o material tanto arqueológico quanto contemporâneo incluindo obras-primas de arte e objetos da vida cotidiana. Os destaques da coleção compreendem uma magnífica cabeça de latão de um soberano ioruba de Ife, Nigéria, a ourivesaria axante de Gana e a coleção Torday de esculturas, tecidos e armas da África Central.
A abertura dessas galerias para o público marcou a volta das magníficas coleções africanas que estavam há quase 30 anos no Museum of Mankind, o Museu da Humanidade.

Museu Britânico exibe acervo de arte africana

No Museu Britânico, no seu grande átrio central coberto logo à entrada, a Árvore da Vida, ou Tree of Life, serve de introdução à grande exposição sobre África, agora inaugurada.
Africa at the British Museum é o título genérico da exposição que vai permancer neste museu de Londres até ao próximo mês de Abril.
A Árvore da Vida, a simbolizar a dinâmica criativa dos africanos, é uma obra de artistas de Moçambique que, integrados no projecto TAE, "Transformar Armas em Enxadas", executam obras de arte a partir de armas do tempo da longa guerra civil que atingiu Moçambique.
O conflito de dezasseis anos, desde 1976 a 1992, deixou milhões de armas espalhadas por todo o país.
Era necessária uma iniciativa que convencesse a população a devolver as armas, de modo a que elas não viessem um dia a cair em mãos erradas.

Armas por Enxadas

E assim surgiu em 1995 o projecto TAE, da autoria do Bispo Dom Dinis Sengulane em conjunto com o Conselho Cristão de Moçambique e com o apoio da ONG Christian Aid.
Inicialmente as armas eram todas destruídas mas, a certa altura, Dom Dinis considerou ser necessário deixar testemunhos para as próximas gerações.
E assim surgiu a ideia de transformar as antigas armas mortíferas da guerra em obras de arte.
O Museu Britânico teve conhecimento do trabalho que os artistas moçambicanos estavam a desenvolver e encomendou-lhes as obras que agora são uma das principais atracções da exposição Africa at the British Museum.

Tree of Life

A Árvore da Vida é uma escultura que pesa cerca meia tonelada e mede três metros de altura.
"Trono das Armas" feito com armas entregues no projecto TAE
Feita inteiramente a partir de peças de armas de guerra, como metralhadoras AK-47, as conhecidas 'Kalashnikovs', pistolas e lança granadas, foram necessários três meses para a sua conclusão.
O Director do Museu Britânico, Neil MacGregor disse estar impressionado pelo modo como artistas moçambicanos constroem uma cultura de paz criando esculturas fascinantes a partir de armas mortíferas desmanteladas.

Como funciona o TAE?

As populações moçambicanas, individualmente ou em grupo, devolvem o armamento que têm em seu poder ou cuja localização conheçam.
Em troca recebem instrumentos de trabalho que os possam ajudar a ganhar o seu sustento.
Esse instrumento de trabalho varia consoante o número de armas que forem entregues.
O tractor, por exemplo, foi trocado por 500 armas que a aldeia em conjunto recolheu.
O projecto TAE, nos seus nove anos de existência, já recolheu e desmantelou mais de 600.000 armas.
Mas há ainda milhões de pistolas, espingardas, metralhadoras e lança-granadas, que ainda não foram devolvidas.

Uma das obras da exposição

O Museu Britânico, de Londres, reabriu as galerias reservadas para a África, com uma exposição das melhores obras de arte africanas do mundo.
A coleção é composta por objetos de várias partes do continente e abrange séculos de produção artística, juntando objetos de arte contemporâneos e artefatos de civilizações antigas.
Segundo os curadores, o objetivo da exposição é mostrar a diversidade e a vitalidade da arte na África em mais de cinco séculos.
Regiões tradicionalmente mal representadas nesse tipo de exposição, como o Magreb e o nordeste da África, estão tendo destaque na mostra.

Disputa

Apesar de ampla, a exposição no Museu Britânico é também polêmica.

Algumas peças de bronze do Benin, tomadas pelos colonos britânicos em 1897, estão sendo mostradas. As peças são o centro de uma disputa entre os dois países, com a Grã-Bretanha se recusando a devolvê-las.
O Museu Britânico argumenta que é um dos museus mais populares do mundo e oferece a milhões de pessoas todos os anos a oportunidade de ver os artefatos.
Uma disputa semelhante envolve o governo da Grécia e o Museu Britânico no tocante aos baixos-relevos do Partenon - o templo grego da Acrópole de Atenas.
As obras gregas foram retiradas do Partenon e estão expostas no museu.

'Tree of Life' de Moçambique em Londres
Gonçalo de Carvalho
BBC Para África

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