16/03/09 - 23:56Denunciar

feridas

Este texto fala de feridas,
feridas que abrimos em nós mesmos,
aquelas feridas que aparecem,
quando surgem problemas entre pessoas,
ou existem sentimentos que nos sufocam,
sem que os consigamos esquecer,
estas feridas aparecem,
e tentamos curá-las,
tentamos, não,
há quem tente,
e há quem as esconda,
eu escondo as feridas que abro,
aquelas que roubam um espaço na memória,
sim porque há feridas profundas,
que se escondem na memória,
e nos impingem uma cicatriz imortal,
como que um castigo,
que nos pune todos os dias,
que nos faz lembrar que agora na nossa pele há um remendo,
e estamos diferentes,
a marca de uma ferida que já não existe,
mas que teimosamente deixou a sua marca,
essas cicatrizes são perigosas,
podem ser a recordação que torna tudo tão mais forte,
ou a memória que torna tudo tão insustentável,
eu não consigo controlar essa escolha,
e desisti de tentar sarar essas feridas,
deixo a ferida aberta,
entrego o seu destino a outrem,
não me quero envolver,
não quero criar mais uma memória triste,
mais essa memória estranha,
que ao contrário de uma lágrima,
esconde a ferida,
como se esconde-se uma mentira.

Escondo feridas,
como tento esconder esta,
e a próxima que irei esconder,
procuro pessoas que não me façam feridas,
procuro pessoas que me ensinem a viver sem elas,
mas é tão difícil,
e é tão difícil que me entendam,
e é tão díficil encontrar alguém.

Este texto nasceu de uma ferida,
que se abriu,
e da qual não tenho coragem de sarar,
tenho dúvidas,
tenho medo,
tenho a falta de senso,
que me tornaria numa pessoa normal,
não serei capaz de recordar essa cicatriz,
se ela tiver o teu nome,
seja esta ferida aberta,
a não existência do fim com o qual não sei lidar,
seja esta ferida aberta,
a incógnita do meu não saber amar,
seja isto a hipótese de amanhã,
tudo ser melhor,
tudo ser diferente,
acorda ao meu lado e sorri,
diz-me que esta ferida,
não existe,
diz-me que estas palavras não interessam.

Seja este texto confuso,
mais uma ferida,
um pedaço de uma ferida que resolvi sarar,
porque revelei ao mundo,
que lê estas palavras,
o que me anda a matar.

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