23/09/04 - 20h:40mDenunciar

perfeitoo

"Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que

foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não

sofrer. Apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão

bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez

companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi

desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções

irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter

conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos

os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos,

por todos os shows, livros e silêncios que gostaríamos de ter

compartilhado e não compartilhamos, por todos os beijos

cancelados, pela eternidade interrompida. Sofremos não porque

nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as

horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para

conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos

não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os

momentos em que poderíamos estar confidenciando à ela nossas

mais profundas angústias, se ela estivesse interessada em nos

compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela

euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas

porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo

assim, que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as

quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é

simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da

vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se

do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

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