27/01/07 - 15h:25mDenunciar

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(iRmAun e pRimA)







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"O último dia de vida"



Naquela manhã,sentiu vontade de dormir mais um pouco.

Estava cansado porque na noite anterior fora deitar muito tarde.

Também não havia dormido bem.



Teve um sono agitado.

Mas logo abandonou a idéia de ficar um pouco mais na cama e

se levantou,pensando na montanha de coisas que precisava fazer na empresa.



Lavou o rosto e fez a barba correndo,automaticamente.

Não prestou atenção no rosto cansado nem nas olheiras escuras,

resultado das noites mal dormidas.

Nem sequer percebeu um aglomerado de pelos

teimosos que escaparam da lâmina de barbear.

"A vida é uma seqüência de dias vazios que precisamos preencher",

pensou enquanto jogava a roupa por cima do corpo.



Engoliu o café da manhã e saiu resmungando

baixinho um "bom dia", sem convicção.

Desprezou os lábios da esposa,que se

ofereciam para um beijo de despedida.



Não notou que os olhos dela ainda guardavam

a doçura de mulher apaixonada,mesmo depois

de tantos anos de casamento.

Não entendia por que ela se queixava tanto

da ausência dele e vivia reivindicando mais

tempo para ficarem juntos.



Ele estava conseguindo manter o elevado padrão de vida

da família,não estava?Isso não bastava?

Claro que não teve tempo para esquentar o carro

nem sorrir quando o cachorro,alegre,abanou o rabo.

Deu a partida e acelerou.



Ligou o rádio,que tocava uma canção antiga do Roberto Carlos,

"detalhes tão pequenos de nós dois..."

Pensou que não tinha mais tempo para curtir

detalhes tão pequenos da vida.



Pegou o telefone celular e ligou para sua filha.

Sorriu quando soube que o netinho havia dado os primeiros passos.

Ficou sério quando a filha lembrou-o de que há tempos

ele não aparecia para ver o neto e o convidou para almoçar.

Ele relutou bastante:sabia que iria gostar muito

de estar com o neto,mas não podia,naquele dia,

dar-se ao luxo de sair da empresa.

Agradeceu o convite,mas respondeu que seria impossível.

Quem sabe no próximo final de semana?Ela insistiu,

disse que sentia muita saudade e que gostaria

de poder estar com ele na hora do almoço.

Mas ele foi irredutível:realmente,era impossível.



Chegou à empresa e mal cumprimentou as pessoas.

A agenda estava totalmente lotada, e era muito importante

começar logo a atender seus compromissos,pois tinha

plena convicção de que pessoas de valor não desperdiçam

seu tempo com conversa fiada.



No que seria sua hora do almoço,pediu para a

secretária trazer um sanduíche e um refrigerante diet.

O colesterol estava alto,precisava fazer um check-up,

mas isso ficaria para o mês seguinte.

Começou a comer enquanto lia alguns papéis

que usaria na reunião da tarde.



Nem observou que tipo de lanche estava mastigando.

Enquanto engolia relacionava os telefonemas que

deveria dar,sentiu um pouco de tontura,a vista embaçou.

Lembrou-se do médico advertindo-o,alguns dias antes,

quando tivera os mesmos sintomas,de que estava

na hora de fazer um check-up.Mas ele logo concluiu

que era um mal-estar passageiro.



Terminado o "almoço",escovou os dentes e voltou à sua mesa.

"A vida continua",pensou.

Mais papéis para ler,mais decisões a tomar,

mais compromissos a cumprir.Nem tudo saía como ele queria.

Começou a gritar com o gerente,

exigindo que este cumprisse o prometido.

Afinal,ele estava sendo pressionado pela diretoria.

Tinha de mostrar resultados.

Será que o gerente não conseguia entender isso?



Saiu para a reunião já meio atrasado.

Não esperou o elevador.

Desceu as escadas pulando de dois em dois degraus.

Parecia que a garagem estava a quilômetros de distância,

encravada no miolo da terra,e não no subsolo do prédio.



Entrou no carro,deu partida e,

quando ia engatar a primeira marcha,

sentiu de novo o mal-estar.

Agora havia uma dor forte no peito.

O ar começou a faltar...

a dor foi aumentando...

o carro desapareceu...os outros carros também...

Os pilares, as paredes, a porta, a claridade da rua,

as luzes do teto,tudo foi sumindo diante de seus olhos,

ao mesmo tempo em que surgiam cenas de

um filme que ele conhecia bem.

Era como se o videocassete estivesse rodando em câmera lenta.

Quadro a quadro,ele via esposa,o netinho,a filha e,

uma após outra,todas as pessoas que mais

gostava.



Por que mesmo não tinha ido almoçar com a filha e o neto?

O que a esposa tinha dito à porta de casa quando

ele estava saindo, hoje de manhã?

Por que não foi pescar com os amigos no último feriado?

A dor no peito persistia,mas agora outra dor

começava a perturbá-lo:a do arrependimento.

Ele não conseguia distinguir qual era a mais forte,

a da coronária entupida ou a de sua alma rasgando.



Escutou o barulho de alguma coisa quebrando

dentro de seu coração,e de seus olhos escorreram

lágrimas silenciosas.

Queria viver,queria ter mais uma chance,

queria voltar para casa e beijar a esposa,

abraçar a filha, brincar com o neto...

queria...

queria...

mas não deu tempo.



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Como está sua vida?

Qual o tempo que tem dedicado às coisas pequenas,

mas importantes,da vida?

E Deus,em que lugar você o coloca?

Será que...?



Lembre-se,

são poucas as pessoas que tem uma segunda

e "nova oportunidade" de vida para mudar e... Pense nisso .




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RefLitA!!!

bOm FdS pRa tOdOS!!!









By Ma|uKo

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