11/11/04 - 03h:48mDenunciar

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Abro olhos tristonhos

deixei de sonhar meus sonhos

meus dias todos viraram rotina

minhas angústias, sem tamanho



me perco numa vida que deveria ser a minha

me estranho num sorriso que deveria ser o meu

tenho pesadelos durante o dia todo,

à noite, não tenho sono



me vicio em expectativas

choro por um passado sem perdão

construo histórias mal resolvidas

desfaço qualquer nexo, sigo qualquer sentido



tento encontrar, talvez, amigos

preciso de segurança, de ser segura

tomo decisões bobas,

fujo do que realmente preciso decidir



me engano com contos de faz-de-conta

conto segredos que inventei

entrego meus dias ao acaso

me perco, me acho...me perco mais que me acho



broto sentimentos, falo de planos absurdos

inicio uma história, termino minha verdade

escrevo em linhas retas, narrações toscas

toco no vento, e acho que posso guardá-lo, como se pudesse ser meu



reduzo meu ritmo, acelero meu coração

me cego perante minhas pegadas

desvio caminhos

ando em círculos, perdi a noção



criei novas manias,

comprei um relógio e um cronômetro,

e tenho achado certo desafiar o tempo

correr do próprio destino



bebo ilusões,

desenho falsas vontades

danço qualquer som

vivo qualquer sensação

sabendo que não há como evitar

que chegando em casa, ao me deitar, a verdade se joga, bate na cara

faz doer, mostra que não dá pra fugir



nem rimas, nem versos

nem músicas, nem qualquer melodia

o certo é que perdi o tom

o tom da felicidade que não se consegue negando fatos, sentimentos

a letra da tranquilidade, que não é composta vivendo-se qualquer momento, qualquer ilusão



é só que o domingo tá quase chegando,

o coração não grita, nem canta, nem reclama

as cores ainda tão num tom meio beje

o livro que estou lendo, há semanas está na página treze



e de todas as vidas, talvez essa fosse a única que eu nunca quis viver

e amar a mim mesma tornou-se grande desafio, distante conquista

pelo simples fato de não conseguir amar a quem não conheço, a quem não consigo entender,

a quem, nunca mais, consegui satisfazer





brinquei de brincar com a minha felicidade...não consigo rir do final...



by Monique Bragança:~~~~(

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