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MEU SALGUEIRO

por monyka em 08/02/07 - 18h:33m

O GRES Acadêmicos do Salgueiro é uma Escola de samba do bairro da Tijuca, das mais tradicionais do Rio de Janeiro.

Fundada em 5 de março de 1953 a partir da união de 3 escolas de samba do Morro do Salgueiro: Azul e Branco, Unidos do Salgueiro e Depois eu Digo. A Unidos do Salgueiro, a terceira escola existente naquela localidade e que tinha como representante maior o Joaquim Calça Larga, não concordou com a fusão e por esse motivo, ficou de fora. Mais tarde, a Unidos do Salgueiro acabou desaparecendo. Em seu primeiro desfile, em 1954, com o enredo Romaria a Bahia, surpreendeu o público e alcançou a 3º colocação, a frente da Portela.

O primeiro presidente do Salgueiro foi Paulino de Oliveira e nos anos que se seguiram, a escola ousou ao tratar de enredos que colocassem os negros em destaque, e não como figurantes. É exemplo marcante desse novo estilo, Navio Negreiro (1957). Mas foi em 1958, sob a presidência de Nelson Andrade, que a agremiação adotou o lema que traz até hoje: nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente. Foi Nelson Andrade o responsável pela ida do carnavalesco Fernando Pamplona para o Salgueiro, em 1960, dando início a uma grande mudança no visual da escola. Pamplona criou uma equipe formada por ele, o casal Dirceu e Marie Lousie Nery, Arlindo Rodrigues e Nilton Sá, revolucionou a estética dos desfiles das escolas de samba.Essa tendência foi reforçada com a chegada de Fernando Pamplona e, posteriormente, de Arlindo Rodrigues, que resgataram personagens negros que enriqueceram a história do Brasil, embora fossem pouco retratados nos livros escolares, como Zumbi dos Palmares (Quilombo dos Palmares - 1960), Chica da Silva (Chica da Silva - 1963) e Chico Rei (Chico Rei - 1964).

Nos anos 70 a escola consagra o jovem artista plástico Joãosinho Trinta, que foi aluno de Pamplona, nos memoráveis desfiles de 1971 Festa para um Rei Negro (samba composto por Zuzuca, tendo como carnavalesco Joãosinho Trinta com o qual obtém seu 5º título) e o bicampeonato em 74/75 com Rei de França na Ilha da assombração (samba composto em 1974 por Zé Di e Malandro tendo como carnavalesco Joãosinho Trinta que lhe rendeu seu 6º título do carnaval carioca) e As minas do rei Salomão (samba composto em 1975 por Nininha Rossi, Dauro Ribeiro, Zé Pinto e Mário Pedra e tendo como carnavalesco Joãosinho Trinta com o qual conquistou seu 7º título).

Nos anos 80 a escola amarga uma série de insucessos, disputas internas causaram afastamento de salgueirenses históricos e vê a ascensão de escolas como: Beija-Flor de Nilópolis , Imperatriz Leopoldinense e Mocidade Independente de Padre Miguel, cujos desfiles eram confeccionados por ex carnavalescos do Salgueiro, como Joãosinho Trinta, Arlindo Rodrigues e Rosa Magalhães.

O jejum de títulos é quebrado em 1993 com o surpreendente Peguei um Ita no Norte, de Mario Borrielo, Demá Chagas, Arizão, Celso Trindade, Bala, Guaracy e Quinho e com o carnavalesco Mário Borriello, esse desfile foi responsável por um dos momentos mais inesqueceis do carnaval carioca.

Nos últimos anos seu carnaval foi feito pelo carnavalesco Renato Lage que foi discípulo de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Mas com a perda do patrono Miro Garcia, a escola deixou de disputar os primeiros lugares.

O símbolo que acompanha o Salgueiro desde a sua fundação, são instrumentos de percussão utilizados na bateria de uma escola de samba e desenhados no centro de dois círculos superpostos.

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