18/01/06 - 10h:05mDenunciar

ENTREVISTA PARA O -MUSICA TRI-



MUSICA TRI ENTREVISTA GESSINGER

COMO DIZ A WANNESSA: É MEU PAI É?





HUMBERTO GESSINGER

Os sinais estão no ar - Não. Definitivamente Humberto Gessinger não é o vampiro que algumas teorias pregam ser. Numa manhã, cujo sol não era mero coadjuvante, o sr. Engenheiro do Hawaii conversou com o MusicaTri em pleno Leopoldina Juvenil, local onde costuma encarnar um outro personagem, mais distante do rock n' roll, o tenista que adora jogar contra o paredão. Animado e se dizendo mais jovem do que quando estava na casa dos 20, Gessinger falou sobre tênis, clips, cinema, crítica, MTV e, claro, música, especialmente a de Dançando no Campo Minado, mais novo trabalho do Engenheiros, fase Gessinger, Paulinho Galvão, Bernardo Fonseca e Gláucio Ayala.

Por Tanara de Araújo - (Colaboração de André Pase, Márcia Dienstmann e Márcio Bueno)

Fotos: Daniel Bacchieri



MUSICA TRI: Comecemos pelo disco novo. Ele só tem meia hora de duração, com músicas bem curtas. Foi preocupação de vocês fazer um som mais direto, sem muitas firulas?

HUMBERTO: Foi, mas não na hora de compor as músicas. Nesta hora, a gente faz o que acha que fica mais legal. Mas, quando foi pra escolher, algumas músicas ficaram de fora por não ter essa urgência. Porão a gente tinha gravado, mas tinha uns 6, 7 minutos e o papo dela é um pouco mais etéreo. Segunda-Feira Blues eu desmembrei pra ficar curtinha. É engraçado, eu falo muito de rock progressivo, e chegou uma hora em que isso começou a realimentar os fãs, e eles começaram a cobrar "Pô, mas não são mais progressivos?" Aí eu comecei a me dar conta que é mais essa coisa do tamanho das músicas. Eu vejo o disco (Dançando...) como uma música só, no mesmo esquema de Anoiteceu em Porto Alegre ou O Papa é Pop: eu ouço como uma música só. Eu desenho o disco todo, então, é meio contraditório, mas pelas músicas serem curtinhas dá pra tu ouvir o disco como uma música só: começa meio sombrio, com as músicas um pouco desperançadas, aí bate no chão em Segunda-Feira Blues, que é meio ressaca. Em Dom Quixote começa entrar uns raios de luz e acaba com a música mais esperançosa do disco que é Outono em Porto Alegre. É um circuito que começa numa desesperança com as macro-estruturas, vira para uma

esperança nas coisas pequenas, numa coisa pessoal.

MUSICA TRI:É uma estrutura perceptível. Não sei se é bem essa a mensagem que o disco quer passar, mas remete a algo como “o mundo não tem sido a melhor coisa, mas eu tô tranqüilo...

Humberto: É aquela velha história de procurar dentro. A gente imagina a felicidade como uma utopia, um lugar onde vai chegar e que onde, teoricamente, todo mundo tem que chegar junto. E é um consenso impossível, uma matemática que não fecha em zero nunca. Tu vai ver, tem outros componentes da felicidade, tem a química, tem o dom. Eu acho que felicidade é meio que nem preparo físico, cada um tem um limite. Tu pode treinar, melhorar um pouquinho, mas eu nunca vou ser o Borg (o tenista Bjorn Borg), ou o Rei Momo fisicamente. E eu acho que felicidade é meio assim, é olhar mais para o grão pequeno. E não que seja uma atitude alienada, a gente continua pensando nas teorias conspirativas, mas sabe ter humildade de que ali tu não pode agir imediatamente, mas, no teu dia-a-dia, tu pode. Fusão a Frio foi colocada ali porque tem essa inquietação, apesar de ser uma inquietação particular, meio contra a indústria da comunicação, entretenimento, mas não chega a ser uma coisa tão explícita quanto Camuflagem e Dançando no Campo Minado. Então, o disco vai ficando mais calmo, e eu gosto deste desenho dele. Depois que eu gravei, comecei a pensar: "Como é que a gente gravava disco com mais tempo que isso?". Aí eu me dei conta que a gente pensava em termos de vinil, que são duas entradas, dois lados. A tendência do cd, acho que pelo menos para o Engenheiros, é caminhar para essa escala de tempo, porque ninguém tem 70 minutos da vida pra botar um disco e ouvir.



MusicaTri: Existem algumas pegadas de guitarra bem anos 70, a la Led Zeppelin/Black Crowes, especialmente em Camuflagem. Foi proposital ou simplesmente quando vocês notaram tava lá?

Humberto: Tem isso, mas é uma música do Paulinho, bem nos parâmetros dele. Eu não consigo compor uma música em cima de riff. Acho legal, é um som que eu gosto, mas é que eu nunca escrevi assim, eu sempre toquei mais baseado em harmonia, melodia. Camuflagem é uma música de riff, bem anos 70, o que fica mais explícito na formação da banda de duas guitarras, sem teclado, sem nada amaciando. Então, não digo que seja proposital, mas não foi uma coisa que passou despercebida.



MusicaTri: Tu já afirmaste que o pessoal dava muita atenção para tuas letras, mas que elas seriam tão importantes como sua maneira de tocar baixo. Por que ficar sem o baixo agora?

Humberto: É, a maneira de tocar baixo naquela época, o que na verdade quer dizer a maneira de tocar um instrumento. O fato de tu trocar o baixo pela guitarra é um acorde, silencioso, mas é um acorde, é uma afirmação. Eu não acordei um dia levianamente e disse: Ah, enchi o saco, o que tem mais perto? A guitarra! Isso foi uma atitude até desmistificadora, porque a música pop tá ficando meio especializada, com aquela coisa de o cara tocar um tipo de guitarra, uma cor de guitarra, e como compositor isso, às vezes, me enche um pouco o saco. Eu gosto das limitações



de estar tocando numa banda, ter pouca gente convidada e ir pra estrada com o mesmo pessoal com quem a gente grava. Mas, por outro lado, às vezes, a gente fica meio neurótico com a coisa do "isso é guitarra, isso é baixo, isso é pop, isso é rock", então eu gosto de sair um pouco pra ver mais de fora como compositor. Mas a frase continua valendo, as letras são tão importantes quanto a maneira como eu toco guitarra ou que eu passe do baixo para a guitarra, que é um negócio que traz vida pra dentro da canção.

Eu procuro valorizar o processo em comparação ao resultado final, o que é um discurso meio absurdo, porque a gente vive numa necessidade de chegar ao produto, então o processo, às vezes, ninguém leva muito a sério. A gente busca retratar isso, porque eu acho que nesse lance de rock n’ roll, que é uma música brutal, a música folk da cidade ocidental hoje em dia, se tu tirar a espontaneidade, essa coisa mal acabada, fica muito sem graça, vira uma música muito limitada. E a audição é um dos sentidos mais conservadores que a gente tem. Na história das artes visuais, por exemplo, coisas que se fazia no modernismo, agressivas visualmente no design, nos anos 70 virava desenho de tecido de sofá. A música, não. A gente faz mais ou menos a mesma música que se fazia na idade média em termos de acordes de música folk. E o que aconteceu de uns anos pra cá é que tentam fazer tudo super bem acabadinho, um rock corporativo, como Aerosmith, Bon Jovi. Nem discuto os caras qualitativamente, mas é um rock corporativo em que tá sempre tudo certo: contratam um cara pra compor, pra treinar vocal, pra isso, pra aquilo. Quando tu vê, o que é a banda? Uma corporação. E eu acho que essas bandas ainda são melhores do que as boys bands, porque ainda tem uma coisinha ali que tu sente. É muito fácil gravar tudo certinho, ter uma capa bonitinha: pega qualquer publicitário, vai numa faculdade, que no 2° semestre o cara faz bem. Mas o que é este bem? Eu acho que tem que correr mais riscos. A molecada das bandas hoje no Brasil tem uma tendência a pensar corporativamente. Por mais que seja rock n' roll e o discurso seja de rebeldia, a molecada já não questiona muito o ambiente em volta. E não é uma coisa que tenha piorado o nível das bandas, sem dúvida não, mas é sintoma de um ambiente mais triste que os moleques estão pegando. Eu já não vejo os caras ousando na carreira deles "Ah, isso eu não vou fazer", "Isso eu não quero". Pô, pra gente, entrar com uma música na novela era uma crise na banda. Quando Toda Forma de Poder entrou, a gente pensou "E agora? vamos largar, vamos continuar?" Hoje é "Por favor, põe uma música na novela".



MusicaTri: Hoje, não é problema pro Engenheiros ter música na “Malhação”?

Humberto: Não, mas o que me importa é que não há mais questionamento sobre isso. A gente nunca foi banda elitista de não quero música em novela, não vou ao Chacrinha, me acho melhor do que o Gilliard. Nunca foi, pelo contrário, a gente sofreu muito por ser popular neste sentido e por respeitar os artistas populares. Vai regravar alguma coisa? Pega uma música do Fagner antes de pegar uma do Caetano, sabe? Mas eu sinto falta um pouco disso. Mas eu acho que também é sacanagem a gente ficar criticando os moleques, porque o espaço deles é muito mais competitivo do que quando eu comecei. Então, de repente, esse nível de discussão é um pouco mais sutil pra eles. É muita banda hoje em dia, então eles devem estar numa briga um pouco mais feroz do que nós. E a gente teve a sorte de que nos anos 80 o espaço não era tão segmentado, não tinha MTV, não tinhas essas coisas, então tu meio que caía no mesmo bolo dos artistas populares. Os programas eram aqueles, tu cruzava com o Wando, e isso é uma coisa muito enriquecedora. Quando fica o espaço fica mais específico, tu ganha mais tempo de exposição, mas é um espaço segmentado. E eu vejo isso geograficamente também. As bandas têm mais facilidade de exposição regional do que quando eu comecei. Por outro lado, é mais difícil de cruzar, porque todo lugar tem uma cena local.



MusicaTri: O Engenheiros é uma banda gaúcha de projeção nacional, com público consolidado no Brasil. Tu achas que hoje é mais fácil ou mais difícil para os artistas gaúchos conquistarem o circuito Rio-São Paulo e se manterem?

Humberto: Todo ano eu cruzo uma banda gaúcha em São Paulo, a gente toca junto e agora vai, agora vai e nunca vai. No Bem Brasil, um ano a gente toca com o Papas, um ano com o Acústicos, outro com o Cachorro Grande, e a gente vê que eles estão sempre naquela e não rola. Não sei por que, certamente não é por conta das bandas não serem boas. Também, em Porto Alegre, a gente fica pensando "Pô, tem uma cena legal aqui!", mas tem cena legal em todos os lugares hoje em dia, e isso dificulta. A gente tem essa sorte de ter um público mais espalhado, o que, às vezes, dá um cansaço. Eu até brinco que seria legal unificar os cinturões, no sentido de que temos fãs muito fiéis e fãs muito superficiais e isso, com o tempo, vai descolando. Os fiéis vão ficando mais fiéis e os superficiais vão ficando mais superficiais. Às vezes, parece que são duas bandas. É difícil até tu montar o repertório, saber com que profundidade falar. Tem vezes que tu vai dar uma entrevista e entra super frouxo, mas o cara sabe tudo da banda. Daí tem outras que tu entra falando super específico e o cara: "Não, mas vem cá, de onde vocês são?". As bandas do sul tem esse ambiente mais reduzido pra trabalhar, conhecem o cara da rádio, podem levar o single e explicar o porquê da letra. Eu não tenho como ser tão pessoal no Brasil inteiro. E às vezes que eu tentei uma aproximação com a coisa de Porto Alegre, não achei legal porque eu já tô em outro estágio, já não dá pra ficar tão à disposição dos canais da mídia daqui quanto as outras bandas. Então, às vezes, cansa um pouco das regras serem diferentes. É engraçado, porque eu tenho que abrir um espaço ao mesmo tempo descobrindo como fazer, porque não tem muita banda que trafegue assim neste ambiente intermediário, que não é mainstream e não é uma banda regional. Então, a gente vai descobrindo aos trancos e barrancos.



MusicaTri: Já que tu falaste em estar disponível ou não para os canais, que história é essa de a MTV ser hostil com vocês?

Humberto: Eu não sei como é que cresceu isso, eu tenho umas teses conspiratórias, mas são violentas demais. É um ambiente hostil no sentido de que, quando o canal surgiu, a gente era uma banda com muita exposição. Só que o Engenheiros nunca foi pra ser "A Banda", então quando a gente tava vendendo mais do que todo mundo, a gente recebia muita porrada e acho que era uma reação lógica do sistema, afinal não era pra ser "A Banda". Tá certo, hoje em dia eu vejo com clareza, e isso foi no momento em que a MTV pintou. Então houve sempre um estranhamento em relação à MTV. O que eu sinto é que as coisas são bem mais difíceis pra nós ali do que são para outras bandas. Mas acho que não é nada pessoal de alguém, de algo, acho que foi um momento histórico. Não é muito fácil Engenheiros. Num especial do Metallica, o Sean Penn disse que encontrou a banda no hotel e falou pra eles, no início da carreira: Vocês nunca vão fazer sucesso porque vocês têm um nome muito unidimensional”. Mas é o contrário, deveria ser. Vocês vão fazer sucesso”, porque Metallica, Ratos do Porão, Legião Urbana são todos nomes muito objetivos e únicos e é mais fácil trabalhar com bandas assim.



MusicaTri: O nome faz a diferença?

Humberto: O nome como significado de um raciocínio. Tu vê que é um raciocínio único, sem ironia: Metallica é uma banda de metal, Legião Urbana é uma banda herói, Ratos de Porão é uma banda podre, então fica muito mais fácil de seguir. Engenheiros do Hawaii já tem essa auto-ironia, esse lance gaúcho, esse humor que tu não entende muito bem, então acho que tem essas complicações também pro lance da MTV e da mídia em geral. É uma banda muito particular, difícil colocar ao lado mesmo desses caras da minha geração. Eu vejo que as bandas que tem um tráfego mais tranqüilo na MTV, nos grandes canais de mídia são bandas que aceitam melhor os rótulos que lhe são colocados. E o Engenheiros nunca fez isso não por arrogância, mas por falta de saber qual seria o meu melhor rótulo. Eu não sei, eu acho que eu sou MPB com rock progressivo. Mas, nem MPB, nem rock progressivo tem espaço, como é que vai ter espaço uma mistura dos dois?



MusicaTri: E aquela coisa de o Engenheiros ser uma banda considerada gaúcha pelo Brasil e nacional pelos gaúchos? Isto ainda existe?

Humberto: É, e a gente é muito rock pra pop. Se a gente vai fazer um programa de TV da Globo, os caras acham a gente super rock n’ roll, mas pros roqueiros a gente é muito pop. Mas isso é porque a vida real é meio assim também. E acho que tu assumir essas divisões, esses rótulos é tu aceitar um vírus, né? E eu quero ter liberdade pra gravar Gaúcho da Fronteira ou Fagner ou Motorhead, então tem esse estranhamento. Nada muito grande, mas é que geralmente, na história de uma banda, chega uma hora que os caras pra entrar no negocião mesmo, abdicam dos lados. Quando eu comecei, não era só Engenheiros do Hawaii que tinha um nome assim auto-irônico. Eu uso sempre o exemplo dos Titãs: era Titãs do Iê Iê Iê, que faz um puta sentido, uma brincadeira com uma coisa forte e grande e o iê iê iê. Agora, chega o momento em que os caras tem que escolher: ou eles são do iê iê iê ou eles são Titãs. E não é uma coisa formal com o nome, é uma atitude psicológica. Tem um momento que todo o artista faz isso, mas ele não chegou ainda pra gente. Quem é a favor do Engenheiros, acha que é bacana ter uma coisa heróica; quem é contra, pode dizer que isso é síndrome de Peter Pan, que é falta de amadurecimento. Pode ser também, uma coisa de querer ser criança a vida inteira. Eu ainda não cheguei à conclusão se é uma atitude bem bacana e corajosa ou se, na verdade, isso é uma atitude covarde, mas é o que eu sinto de estar carregando Engenheiros do Hawaii psicologicamente. Eu quero compor de uma maneira pessoal, senão não me interessa muito arte.



MusicaTri: Ou seja, tu continua sendo feliz com a banda sem se importar com o que digam...

Humberto: É, continuo sendo sujeito. Pra mim, arte só faz sentido quando tem sujeito, quando é pessoal, mas a indústria não trabalha isso. Tu vê o cinema. Se tu fala em cinema autoral hoje é como se fosse um palavrão. Eu vejo as pessoas do teatro divulgando peças, falando duzentas vezes “Você vai rir muito, você rir muito!”. As opções de informação que se dá ao adolescente hoje em dia é só besteirol. Falar sério virou pecado. Ter 3, 4 caras que fazem piadinhas legais, bacanas, nonsense, é legal, mas todo mundo fazendo isso chega uma hora que tu diz: “Caralho! Com quem é que eu posso falar sério sem me considerarem um chato?” Tudo é meio (imitando um chinelão): “Pô legal, podre, pô legal!”. Aqui no sul, então, isso é exagerado pra caramba, porque as gírias são todas voltadas para o que é ruim é bom, chinelagem é que é legal. Isso é bacana, mas chega uma hora que enche um pouco o saco. Tu quer alguém que fale sério, fale sem segundas intenções.



MusicaTri: Tu mencionaste cinema. Tu é conhecido por não gostar de cinema...

Humberto: Esse lance de não gostar de ir ao cinema eu até exagero, porque é uma coisa muito absurda, né? O cinema é como quando descobriram o açúcar refinado: “Como não gostar de açúcar?”. É considerado como uma coisa acima do bem e do mal. Mas, paraí, é até uma provocação que eu faço, mas tu assumir que o cinema seria a arte de todas as artes, é assumir que a leitura seria uma coisa incompleta, que a música e as artes gráficas seriam uma coisa incompleta. É um absurdo total tu achar que juntar som com imagem seja maior do que som e maior do que imagem. Não é matemático. E o que me assusta é que na minha geração, 50 pessoas iam ali no Bristol pra ver um filmezinho cabeça, filmes alternativos, legal pra caralho. Mas quando Batman ou Matrix são a coisa, isso me dá uma claustrofobia do cão, me dá a impressão que tá todo mundo no mesmo pescoço, pra cortar é uma navalha só. Eu também questiono essa coisa, que às vezes passa batido: os caras acham o cd caro, mas eu acho que se tu vai com a tua namorada ao cinema, é o preço de um cd e ninguém acha caro. Tu já viu alguém falar em cinema ser caro? Não, tu só vê as pessoas falarem como são boas as salas hoje em dia. E comprar um cd pra tu ouvir a vida inteira, os caras “Ah, não tá caro!” Que lance nonsense, né. Eu tenho défict de atenção, eu acho, porque é impossível ficar 2 horas fazendo uma coisa na minha vida, ainda mais ficar numa sala escura. Eu sofro muito pra levar minha filha em desenho animado porque, se eles fossem um pouco mais silenciosos, dava pra dormir. Mas não dá, tu pega no sono e dá umas gritarias. Eu fui levar ela pra ver o Simbá, dei uma cochilada, e quando acordei tinha um polvo e os caras gritando.



MusicaTri: E isso não acaba afetando o fato de tu não gostar de fazer clip?

Humberto: Não. Eu gosto de ver clip, quer dizer, não gosto mais, acho que há muito tempo eu não vejo um clip que não seja uma propaganda de três minutos de uma banda. Com o Metallica, por exemplo, os caras querem passar a imagem de que eles são os mais pesados de todos e tal, num clip preto e branco numa prisão. Aí, começa a ler como comercial. E é nojento, porque é um comercial muito comprido. Comercial de verdade, pelo menos, é só 30 segundos. Mas o que me desconecta do clip é que quando tu faz uma música, ela tem dez mil leituras. As pessoas até me perguntam sobre música, e eu faço questão de não responder, porque o barato da música é ter várias leituras. E no clip parece que tu tá dando uma leitura. Isso começou a me assustar quando, às vezes as pessoas se referiam a música: "A música do Dire Straits? Qual? Aquela do clip tal". Então eu acho que o meu lado autor tem ciúmes do vídeo-clip. Agora, é uma ferramenta de divulgação. O que eu gosto dos clips é, por incrível que pareça, o que todo mundo acha ruim. Eu gosto dos antigos e ver que são bem datados, bem anos 80, feitos assim porque era pro Fantástico. Eu gosto de ver eles como se lê um jornal antigo, nesse sentido, eles são eternos. Mas, como expressão de arte do autor, eu me sinto completamente impotente pra transar eles dessa maneira, tenho a maior inveja dos caras que fazem a música, gravam solo e vão fazer o clip. Eu gostaria de ser Leonardo da Vinci, mas não sou.



MusicaTri: É, mas o de “Até o Fim” tá bem caprichado, película 35 mm...

Humberto: É bom. De um tempo pra cá, a gente faz clips bem industriais, no patamar MTV.



MusicaTri: Então rola uma preocupação com o clip?

Humberto: É, pô, tem verba em contrato pra grana do clip. A gente tá ligado que tá nesse mundo e tem que ter uma afirmação. O que eu quero desvincular é a coisa autoral do clip comigo. Deixar bem claro que é a leitura do diretor. Eu gosto de ver clip pra ver os instrumentos que os caras tão tocando, eu tenho esse coração moleque assim de ver a banda tocando.



MusicaTri: Tu chega a dar algum piteco nos clips?

Humberto: Não, nem vejo eles editarem. Também não aceito que dêem piteco na minha parte, eu uso a roupa que eu quero. Eu até entendo que tenha um lance profissional, mas eu digo pra banda: "Peguem as roupas que vocês quiserem"” Não tem essa de "a mensagem que queremos passar". Ela tem que ser passada na música. Mas tu vê, a MTV tá tocando cada vez menos clips, então acho que até eles já sacaram a limitação deste formato. Até pode ser uma coisa artística, de vez em quando, mas tem umas certas limitações que parecem regra de NBA. Por que só o tempo da música? Por que não fazer um curta? Por que não um clip que toque a metade da música? O meu ponto é que a tecnologia te dá a ilusão de que todo mundo pode ser músico, diretor de clip, modelo, hoje em dia. Mas tu não pode assumir que um botox vai te fazer ficar mais jovem, ou que um computador vai te fazer um diretor de clip, essa atitude eu acho arrogante. Então, é mais um coisa de humildade. Até pro bem da indústria do clip, a gente tem que dar espaço pros diretores. Clip é que nem letra de música, que não é poesia, nem música, é uma coisa específica. Então, o lance de eu dizer que eu não dou piteco é mais respeitoso do que desdenhoso. É uma coisa super séria o cara ficar dando piteco "Ah, eu quero sair assim". Eu acho que, se eu não vou ao cinema, isso tem que aparecer nos meus clips. É fácil pra mim fazer o mesmo clip que as outras bandas fazem: contrata o cara e tal. Só que tem que refletir a tua relação com essas mídias todas, porque não se pode tomar por pacífico que todo mundo goste das coisas da mesma maneira, cinema, chocolate, música. Eu acho que tem que aparecer as tuas preferências no teu trabalho.



MusicaTri: Os engenheiros não ligam muito para a confecção do clip, mas cuidam horrores da composição. Isso me remete ao fato de, antigamente, as bandas gostarem de separar (ao menos, na teoria) a parte artística da empresarial, enquanto hoje toda banda procura se envolver em tudo pra ter certeza de que vai sair como ela quer. Os Engenheiros estão mais para a banda à moda antiga?

Humberto: Com o lance do clip, sim.



MusicaTri: Não, em relação a tudo...

Humberto: Aí não. Não é à toa que tu liga a TV no Raul Gil e tá uma artista popular tipo Pepe e Nenê dizendo que o empresário fixou com o nome delas. Tem tanto interesse de dinheiro hoje, que ninguém mais pode ser completamente alienado em relação a isto.



MusicaTri: O Engenheiros é uma banda que se cuida, então?

Humberto: Ah sim, até por que a gente sabe que música na indústria é mais do que só música. Eu sei que o cabelo é importante, mas nem por isso eu vou ao cabeleireiro. Isso quer dizer que eu tô cagando e andando pra cabelo? Não, mas não quer dizer que eu vá ao cabeleireiro.



MusicaTri: A troca constante de integrantes que o EngHaw passa desde o fim da formação clássica é um prato cheio para o trocadilho de que o Engenheiros é "O Exército de um Homem Só". Isto te incomoda?

Humberto: Não, eu acho que é mesmo, é um pseudônimo assim tipo...Lulu Santos também não é o nome do cara, Pelé não é o nome do cara, e acho que acabou ficando assim. Mas isso não quer dizer que tanto faz tocar com o Augustinho ou com o Paulinho, obviamente. Porque, por mais que tenha mudado, não tem artista que trabalhe mais banda do que eu. E observo outros artistas, no sentido de quem compõe é quem grava, quem grava é quem vai pra estrada. Tem bandas que quem faz a letra é um cara de fora e quem tem um monte de músico convidado.



MusicaTri: No Dançando no Campo Minado tu até abriste mais o espaço pra parceria...

Humberto: Mas, pro pessoal da banda, né. E isso sempre teve. Até no Simples de Coração, que era uma formação que a gente sabia que era transitória, tem parceria com o Cadinho, com o Deluqui, com o Cazarin. Tu vai analisar algumas bandas, não tem isso. Então, neste sentido, o Engenheiros é mais banda do que vários artistas. Eu gosto dessa limitação. Adorava compor quando era trio porque eu tinha que pensar como é que a gente ia fazer aquilo tudo, e adoro compor sabendo com quem eu vou cair na estrada. Agora, cada vez é mais difícil alguém entrar na banda e achar que está no mesmo pé de igualdade comigo. É impossível até. O Bernardo tem 20 anos, quase a idade do Longe Demais. Cara, eu não sei se tu perguntar pros caras que tocam comigo agora a ordem dos discos do Engenheiros, se eles vão saber dizer. Às vezes, eu me esqueço.



MusicaTri: Humberto Gessinger é um dinossauro do rock brasileiro...

Humberto: (rindo) É. Eu, na verdade, acho que tem duas formações do Engenheiros a grosso modo: com o Carlos e sem o Carlos. Eu acho que o Carlos fazia uma super diferença. Desde o início a gente pensava muitas coisas juntos, periféricas à composição, mas super importantes, tipo capa, nome da banda. Mas é um cara que nunca compôs comigo quando tava na banda, e agora a gente compôs nos dois discos. Então, banda não é um lance físico, é meio quântico. Eu participo dos festivais, e observo que geralmente a gente era o único trio, agora a gente é o único quarteto. A gente tá sempre no lance mais banda mesmo, por isso teria tudo pra gente não ser percebido como tal, mas ainda nos encaram como banda. Mas que na prática não é, nem na formação passada era, um lance de igualdade em relação aos músicos: se eu disser bú, todo mundo se assusta, não tem como ser mais natural. A naturalidade vai sendo criada com os discos. No segundo disco, o pessoal já fica mais à vontade; no terceiro já vão entrando em contato com a realidade dos Engenheiros, porque não é uma realidade que tu consiga acompanhar a parada, porque são vários núcleos de fãs.



MusicaTri: Muitas bandas da 'época de ouro' dos anos 80, contemporâneas de vocês, restauraram formações quebradas por brigas sérias e afins, e o público acolheu bem. Nunca, jamais te passou pela cabeça restaurar Gessinger, Licks e Maltz?

Humberto: Nunca pensei, mas não é uma coisa que não possa acontecer. Eu sei que o Carlos, que é quem eu tenho mais contato, não é mais um baterista. Não no sentido de não poder mais tocar, porque acho que tocaria igual, mas ele não tem mais a cabeça de um baterista. E não sei o que o Augusto é hoje, faz muito tempo que eu não falo com ele. Eu acho que uma banda tem que começar ali, fazendo barulho pra depois chegar ao produto. Não se pode começar pelo produto. Sem dúvida, tem um monte de gente que gravaria um disco com sua formação original, faria um show, mas a gente vai começar pelo contrato? Mas, e o som? A gente tem que começar pelo som.



MusicaTri: E nem no auge das voltas do Capital e do RPM, isso não surgiu?

Humberto: Não, não.



MusicaTri: E o que tu achaste dessas voltas? Foram válidas ou forçadas?

Humberto: Forçado não. Tu vê, o Capital fez mais sucesso depois, ou seja, tinha ainda um resto na garrafa. O RPM, sem dúvida, tinha isso também, acabou precipitadamente, então tinha algo a fazer. É uma sensação que eu não tenho, por exemplo, com a segunda formação do Engenheiros (Gessinger, Licks e Maltz). A gente acabou as possibilidades que tinha juntos, então, se voltasse seria voltar pra olhar pra trás. Com a primeira formação, do Pitz, acho que a gente até podia ter andado mais, foi um baque quando ele saiu. Já a formação do Luciano, Lúcio e o Adal também meio que esgotou. Então voltar pra andar pra frente é legal, mas pra olhar pra trás, eu ainda não tô com esse time. Eu acho que pode ser que pinte o tempo na tua vida que tu queira dar uma olhada pra trás, deve ser bem agradável. Eu vejo nas bandas de fora, rola isso com caras que até falaram mal um do outro e tal, Emersom, Laker & Palmer, Pink Floyd, e tu vê que o tempo passa e as feridas fecham. O que dirá com a gente, que não houve briga nesse sentido. Mas teria que ser pra olhar pra frente, porque pra trás não vejo mais sentido. Não sinto que a época que a gente teve mais exposição da mídia fosse especial. Não tenho a menor saudade de fazer Faustão com O Papa é Pop. Mas, é claro, tem fãs que sentem saudade disso.



MusicaTri: Tem gente que parou naquela época...

Humberto: É o tal do fã mais superficial, que, às vezes, começa a te cobrar como se ele fosse o retentor do santo gral do que seria o Engenheiros do Hawaii. Tem od caras que ligam assim como se tivessem ameaçando “Acho os outros discos mais legais”. Eu digo “Que bom, velho, eles estão na loja, ouve eles, compra de novo”, mas eu não tenho nada a ver com isso, com o cara achar que era melhor antes. É que nem quando falam mal de mim, “Legal, falou”, mas o que tem a ver comigo isso. É a opinião do cara. Sabe, eu gostaria muito de tomar isso em pílulas, melhorar e fazer todo mundo gostar de mim, os fãs acharem que esta é a melhor época. Não sei, pode ser ilusão, mas que tem muita jovialidade, principalmente nos dois últimos trabalhos da banda. Eu, às vezes, me assusto de ouvir e de sentir no show como tá pulsando. Eu acho que é um núcleo pequeno ainda de gente assim, mas tem um nome Engenheiros nascendo de uns anos pra cá.



MusicaTri: Tem muita gurizada a fim da banda...

Humberto: Tem, e vendo a gente de uma maneira muito límpida, o que é melhor. Pode ser besteira, pode ser que eu esteja me iludindo, mas eu sinto um coração pulsando na estrada e é atrás disso que eu vou.



MusicaTri: Tu ainda acredita naquela teoria do capricorniano, que nasce velho e vai rejuvenescendo com o tempo? Tu estás se sentindo mais jovem?

Humberto: Eu to. Eu me sinto mais jovem na relação com a minha arte, meu ofício. Sem dúvida, eu me sinto mais livre hoje, sem responsabilidades, o que é uma sensação muito boa, fundamental pra fazer a arte. Tem uma frase em Cidade em Chamas, que eu acho meio desagradável, até não toco a música por causa dela, que diz que é “...preciso trair tudo e trazer a solidão...”. Eu sei o que eu queria dizer na época, é uma música sobre liberdade, mas ela pode ser muito mal-entendida. Pô, trair tudo? Mas é uma frase também muito importante no sentido de não ter amarras pra fazer a tua arte, nem com os outros, nem contigo mesmo. Às vezes tem que fazer um disco que vai ser vendido pouco, às vezes, é pra ser ruim. Não ruim no sentido de não ser bom, ruim no sentido de provocar, ser destoante. E essa liberdade eu tenho agora, e não acho que seja uma liberdade num ambiente hostil, a banda a gente tá gostando muito de tocar junto.



MusicaTri: Falando em liberdade de compor, tu não acha que essa tradição do um disco por ano não acaba podo tua inspiração na parede? Ou tu acredita que criação é mais transpiração mesmo?

Humberto: Não é transpiração. Mas a gente não tem obrigação. É uma tradição sim, mas não tá escrito em pedra, tanto que a gente já ficou um ano sem lançar e certamente se a gente achar que não tem material não vai gravar. Mas, é o que cara perguntou esses dias “E se tu não tiver motivos pra fazer uma canção, o que acontece?”. Eu disse “Mas isso é um belo tema pra fazer uma canção: não ter motivos pra fazer uma canção”. Então, até agora não pintou essa coisa de se sentir com uma máquina atrás cobrando um disco. Pode ser que pinte, aí a gente vai certamente lutar pra não gravar, sem dúvida. Uma vez eu falei que era que nem jornal, que tinha que sair mesmo não tendo notícia, e isso era mais nesse sentido que eu te falei: de o bonito é o processo, não o produto final, então a busca da canção está ali. Agora, claro, tem que ser bacana, não pode ser uma coisa que tu não goste, “Puta, que merda, mas vou lançar”, sem dúvida não.



MusicaTri: O Engenheiros mantém um mesmo padrão Rush: três discos de estúdio para um ao vivo. Só que agora o Rush tá quebrando esse padrão com o disco do Rio. Tu pensa em também quebrar o padrão, ou sai mais um de estúdio pra outro ao vivo?

Humberto: Ah, é engraçado, eu tô achando super bom o show ao vivo, acharia legal registrar isso, mas não acho que o próximo disco deva ser um disco ao vivo. Eu queria fazer mais um disco primas do Surfando e do Dançando, mais um gerúndio. Eu não sei, as pessoas falam muito dessa coisa do acústico, mas eu não sei.



MusicaTri: Não te apetece?

Humberto: Além de já ter o Filmes de Guerra, eu acho que isso virou uma coisa esquisita. Eu não tenho mais aquela sensação de “Puta, ali a banda numa outra situação, a banda mais fragilizada”, que era o bacana do acústico. “Desplugaram os caras, como é que eles vão sair?”, isso eu acho legal, mas como tá sendo interpretado, pô, são só os hits. Eu já tenho dificuldade disso no meu dia-a-dia da banda, imagina gravar mais um disco com hits. Mas o ambiente acústico eu acho do caralho, fiz uns shows de violão e acho bom. E acho mais, acho que os Engenheiros tem material pra fazer isso, mas seria fazer um acústico mesmo. O que o Pearl Jam fez é bacana, o do Nirvana é bacana. O Neil Young fez um que eu até hoje eu não sei se eu gosto ou não, porque depois ele fez aquele Silver and Gold, que é só ele, e é absurdamente bom. Parece que tu tá dentro do palco, não aparece nenhum take da platéia, ele caminha, vai até o piano, pega o violão, pluga, afina, toma água, isso é que eu acho que é o acústico.



MusicaTri: Tu tem uma certa resistência às coletâneas, não é?

Humberto: Ah coletânea é a mesma coisa que o clip. Tem artista que se envolve “Pô, eu remasterizei”. Eu, ao contrário, nem sei quais são as músicas, não tenho responsabilidade sobre as coletâneas dos Engenheiros. Não seriam as que eu



faria, nunca pedi pra ninguém comprar as coletâneas do banda. Agora, não tem no meu contrato o que tem no de algumas bandas lá de fora, que é o lance de proibição de fazer as coletâneas. Não, eu acho que é legal a indústria lançar, criar esse utensílio de sucesso, mas não é relevante pra história da banda.



MusicaTri: Tu nunca pensaste em fazer uma oficial, então?

Humberto: Não, eu acho que em algum momento eu vou fazer umas remixagens pra uma coletânea. Não sei se gravar alguma coisa, mas sem dúvida remixar e escolher um material que eu ache que seja mais significativo, porque é muito aleatório o que toca na rádio e o que não toca e isso acaba predominando as coletâneas. As músicas que tocavam na rádio, nem sempre eram as mais significativas pra banda.



MusicaTri: Pra encerrar, que história é essa do amor ao tênis? Tu nunca pensaste em ser tenista, não?

Humberto: Quando eu era garoto queria ser, mas eu perdia todos os jogos porque eu me amarelava todo. Eu sou daqueles caras que quando tu vê batendo bola, parece que joga, aí começa o jogo e o cara se amarela, se caga todo. Eu perco pra minha cabeça, sabe. Mas o tênis foi legal pra eu aprender que a cabeça pode te complicar. Cara, tu pensou no tênis, tu tá fodido. A hora de pensar é no intervalo, quando tu senta, toma a tua água. Se for pensar cada golpe, é ridículo, é muito ângulo, muito peso de bola, muita umidade de não sei quê, muito vento, muito sol, e tu tem um segundo pra bater a bola, então é meio um aprendizado pra vida. E é um esporte de capricorniano, de inglês – a Inglaterra, me disseram, é um país de capricorniano, de trabalho, de repetição – e nesse sentido, eu acho que é uma superação pessoal, meio Até o Fim e Na Veia, essas são as músicas do tênis. E é extremamente frustrante jogar tênis, como a vida é extremamente frustrante. Tênis é um esporte derrotado, porque pra 64 que jogaram um só ganha, e a vida é meio assim. Tu tem que descobrir um prazer na vida, sem ser o da vitória, descobrir pequenas vitórias, se satisfazer contigo mesmo. Tu não joga contra o adversário, tu joga contra ti mesmo, e a vida é assim. Quando tu vê alguém reclamando muito da vida, é que o cara não descobriu que ele tá jogando contra si mesmo.



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