20/05/05 - 01h:16mDenunciar

Xxx JediMaster xxX



Enfim, o fim



É um culto. Não há palavra mais apropriada para definir o que une fanáticos do mundo inteiro em torno da saga "Guerra nas Estrelas". E culto, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, significa "reverência respeitosa a uma divindade; conjunto de atitudes e ritos pelos quais se adora uma divindade; paixão extrema para com alguém ou algo". E nem adianta Bento 16 declarar que o seu pontificado terá os jovens como alvo. Caso o novo papa ainda não saiba, boa parte da juventude (e um número considerável de marmanjos) já tem a sua própria "religião", composta por sabres de luz, cavaleiros Jedi, naves reluzentes e monstros interestrelares. No centro do altar, George Lucas, o criador da saga.



"Guerra nas Estrelas" estreou nos cinemas em 1977. Submetido a vários estúdios, foi recusado pela Universal e pela United. A Fox só aceitou produzí-lo por influência de Francis Ford Coppola, padrinho de Lucas. Sem acreditar muito no filme, a empresa destinou modestos 9 milhões de dólares ao projeto. Reclamaram uma barbaridade quando o diretor pediu mais 1 milhão para finalizar o longa. A primeira exibição, com a presença dos diretores Brian De Palma e Steven Spielberg, foi constrangedora. A platéia achou o filme "primário". Só um dos presentes gostou, dizendo que a ingenuidade da história iria agradar multidões. O nome dele: Steven Spielberg.



e comparados aos recursos tecnológicos de hoje, os "efeitos especiais" do primeiro "Guerra nas Estrelas" são risíveis. Em vários momentos, é fácil perceber que as naves espaciais são de brinquedo. Mas o melhor dos filmes de Lucas nunca foi o acabamento e, sim, o ritmo alucinante que faz com que o espectador não desvie os olhos da tela em momento algum. Nascia ali, contra a expectativa de gente que supostamente entendia de cinema, o culto à cinessérie que com o passar do tempo virou mania, e mudou para sempre os rumos da indústria cinematográfica norte-americana.



Para quem não faz parte dessa "jedimania" é difícil entender como alguém é capaz de se prostar diante da porta de entrada de uma sala de cinema três meses antes da estréia de um novo episódio de "Guerra nas Estrelas" só para exibir em praça pública a sua veneração à obra de Lucas. As comparações talvez nem sejam adequadas, mas também temos certa dificuldade para entender os homens-bomba, os colecionadores de tampinhas de refrigerante, os padres que proíbem o uso de camisinha, a mulherada que se derrama em lágrimas diante de algum astro da música, as torcidas organizadas de futebol e aqueles que roubam calcinhas do varal da vizinha. Fanatismo, fé, paixão e esquisitices de toda espécie são assuntos que realmente não combinam com lógica ou racionalidade.



Pois bem, 28 anos depois do início de "Guerra nas Estrelas", saberemos enfim de que maneira Anakin Skywalker se debandou para o lado do mal e se transformou no temível Darth Vader. E se você acha que finalmente o mundo se livrará de mestre Yoda e companhia, a idéia de George Lucas é levar esse singelo drama familiar fantasiado de ficção científica para a TV. A grife "Star Wars", como se vê, continuará por muito tempo a angariar novos "fiéis". Aos súditos do Império Galático, uma boa notícia. Aos que acham tudo isso uma grande bobagem, fiquem sabendo que a vida também é feita de grandes bobagens, o que, com certeza, a torna muito mais divertida. Bom filme!



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