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vencendo a crise de identidade

por penelope em 16/01/07 - 09h:52m

O que você vai ser quando crescer? Provavelmente você já teve que responder a essa pergunta em algum momento de sua vida.Essa pergunta, de um teor tão inocente, passa gradativamente a assumir um caráter intimidador e até mesmo tirano. Isso acontece, principalmente, porque temos sobre nós a pressão de provar ao mundo que nossa existência tem um propósito, um significado. Somos vistos como um projeto inacabado de gente que, ironicamente, só será alguém “quando crescer”. E por crescer, subentende-se, ter uma profissão que o qualifique, um status social e, é claro, uma conta bancária que lhe garanta estabilidade e crédito.
Passamos toda nossa existência tentando afirmar nossa identidade através desses parâmetros para que, de alguma forma, tenhamos a aceitação de que precisamos por parte do resto do mundo – e, no final das contas, acabamos nos tornando a somatória da opinião pública.
A questão da identidade é central na formação do indivíduo. Creio que foi essa a razão pela qual o diabo escolheu essa questão na tentação de Cristo : "E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães." (Mateus 4 : 3)
Essa insinuação visava contrariar a afirmação do próprio Deus a respeito da identidade de Cristo que fora manifesta em seu batismo: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16-17).
O desafio do diabo a Jesus se mostra muito parecido com o desafio que muitos de nós recebemos por parte do mundo. O desafio de, através de todos os meios possíveis, provar quem somos e justificar nossa existência. E é a partir desse questionamento que ele lança suas tentações. O pecado tem uma profunda relação com a questão da identidade.
Quando pecamos, estamos tentando validar nossa existência por meio de sensações. Ao sentir-se incompleto, o ser humano busca alternativas que o façam sentir-se vivo, mesmo que seja por poucos instantes.
A estratégia é antiga. Foi a partir da insinuação de que o homem não era tudo aquilo que poderia se tornar, que Satanás induziu Eva ao pecado.
“Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5).

Perdemos nossa identidade no jardim quando desejamos ser o que não fomos projetados para ser.
(Mateus Ferraz de Campos)

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