30/06/09 - 21:07Denunciar

Sagrada Eucaristia

Primeira leitura (Gênesis 19,15-29)

Leitura do Livro do Gênesis:

Naqueles dias, 15os anjos insistiram com Ló, dizendo: “Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas, e sai, para não morreres também por causa das iniquidades da cidade”. 16Como ele hesitasse, os homens tomaram-no pela mão, a ele, à mulher e às duas filhas – pois o Senhor tivera compaixão dele –, fizeram-nos sair e deixaram-nos fora da cidade.
17Uma vez fora, disseram: “Trata de salvar a tua vida. Não olhes para trás, nem te detenhas em parte alguma desta região. Mas foge para a montanha, se não quiserdes morrer”.
18Ló respondeu: “Não, meu Senhor, eu te peço! 19O teu servo encontrou teu favor e foi grande a tua bondade, salvando-me a vida. Mas receio não poder salvar-me na montanha, antes que a calamidade me atinja e eu morra. 20Eis aí perto uma cidade onde poderei refugiar-me; é pequena, mas aí salvarei a minha vida”.
E ele lhe disse: 21“Pois bem, concedo-te também este favor: não destruirei a cidade de que falas. 22Refugia-te lá depressa, pois nada posso fazer enquanto não tiveres entrado na cidade”. Por isso foi dado àquela cidade o nome de Segor.
22O sol estava nascendo, quando Ló entrou em Segor. 24O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. 25Destruiu as cidades e toda a região, todos os habitantes das cidades e até a vegetação do solo. 26Ora, a mulher de Ló olhou para trás e tornou-se uma estátua de sal.
27Abraão levantou-se bem cedo e foi até o lugar onde antes tinha estado com o Senhor. 28Olhando para Sodoma e Gomorra, e para toda a região, viu levantar-se da terra uma densa fumaça, como a fumaça de uma fornalha.
29Mas, ao destruir as cidades da região, Deus lembrou-se de Abraão e salvou Ló da catástrofe que arrasou as cidades onde Ló havia morado.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Salmo (Salmos 25)

— Tenho sempre vosso amor ante meus olhos.
— Tenho sempre vosso amor ante meus olhos.

— Provai-me, ó Senhor, e examinai-me, sondai meu coração e o meu íntimo! Pois tenho sempre vosso amor ante meus olhos; vossa verdade escolhi por meu caminho.
— Não junteis a minha alma à dos malvados, nem minha vida à dos homens sanguinários; eles têm as suas mãos cheias de crime; sua direita está repleta de suborno.
— Eu, porém, vou caminhando na inocência; libertai-me, ó Senhor, tende piedade! Está firme o meu pé na estrada certa; ao Senhor eu bendirei nas assembleias.


Evangelho (Mateus 8,23-27)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 23Jesus entrou na barca, e seus discípulos o acompanharam. 24E eis que houve uma grande tempestade no mar, de modo que a barca estava sendo coberta pelas ondas. Jesus, porém, dormia.
25Os discípulos aproximaram-se e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!” 26Jesus respondeu: “Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé?” Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria. 27Os homens ficaram admirados e diziam: “Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.


Liturgia comentada: PALAVRA DE VIDA

Autor: Antônio Carlos Santini
Email: [email protected]

Salva-nos, Senhor, que perecemos! (Mt 8, 23-27)

Era uma barca pequena. No latim de São Jerônimo, “naviculam” – um diminutivo. O “mar” era pequeno: na verdade, o Lago de Genesaré, mas em região de poucas águas um lago acaba sendo chamado de mar. Mar da Galiléia ou de Tiberíades. A fé era pequena. Basta um vento atrevido para que o desastre pareça iminente. No fundo da barca, dormia o Mestre em plena tempestade (dormia mesmo?... ou fingia, para testar aqueles marmanjos?). E os discípulos acordam Jesus com gritos desesperados: “Salva-nos, Senhor, que estamos perdidos!” Mas Jesus é grande. Maior que o vento. Maior que o mar. Maior que o medo. O narrador registra que Jesus “se ergueu”. Ficou de pé na barca, em plena borrasca, e com um gesto imperativo calou a ventania e fez dormir as águas.

Somos como os discípulos: pequenos, medrosos, inseguros. Nossa esperança se evapora nas crises. Nossa coragem se esfarinha ao primeiro obstáculo. Nossa fé se congela diante da primeira tentação. Até parece que Jesus não está no mesmo barco!

O barco é a família. Navega contra o vento do consumismo, da busca de prazeres, da rebeldia dos filhos. Navega contra as toxinas da TV, a propaganda do ateísmo, o ácido da contracepção. E tudo indica que vamos soçobrar... O barco é a Igreja. Navega contra as correntezas do ateísmo, do racionalismo, do relativismo. Navega contra as pressões do paganismo que renasce, das calúnias dos meios de comunicação, da desobediência dos próprios ministros. E tudo sugere que não chegaremos ao porto... O barco é o planeta. Navega contra a destruição ambiental, a expansão das epidemias, o esgotamento dos recursos naturais. Navega contra as mazelas do sistema econômico, contra o terrorismo fundamentalista, contra a corrida armamentista. E tudo aponta para o caos...

Mas alguém dorme no fundo do barco. Dorme? Ou finge que dorme, esperando que se eleve um grito universal, em todas as línguas, de todas as nações: “Salva-nos, Senhor, que perecemos” ? Chegamos a pensar que o progresso científico livraria a humanidade de seus males. Depois de Hiroshima, a ilusão se dissipou em forma de cogumelo. Chegamos a pensar que acordos políticos suavizariam os ódios internacionais. O fracasso da ONU jogou por terra este remédio. A quem recorrer?

Recorramos, confiantes, Àquele que parece dormir, mas apenas espera pelo grito da Humanidade.

Orai sem cessar: “Não dormirá aquele que te guarda!” (Sl 121 [120], 3)

Paz e alegria!

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