22/06/06 - 16h:53mDenunciar

Cássia Eller e Caetano Veloso

Eu tava encostada ali, minha guitarra

No quadrado branco-vídeo-papelão

Eu era o enigma, uma interrogação

Olha que coisa mais

Que coisa à toa, boa boa boa boa

Eu tava com graça...

Tava por acaso ali , não era nada

Bunda de mulata, muque de peão

Tava em Madureira, tava na Bahia

No Beaubourg, no Bronx, no Brás

E eu e eu e eu e eu

A me perguntar:

Eu sou neguinha?

Era uma mensagem

Parece bobagem mas não era não

Eu não decifrava, eu não conseguia

Mas aquilo ia e eu ia e eu ia e eu ia e eu ia

Eu me perguntava:

Era uma gesto hippie, um desenho estranho

Homens trabalhando, pare, contramão

E era uma alegria, era uma esperança

E era dança e dança ou não ou não ou não

Tava perguntando:

Eu sou neguinha?

Eu sou neguinha?

Eu sou neguinha?

Eu tava rezando ali completamente

Um crente, uma lente, era uma visão

Totalmente terceiro sexo

Totalmente terceiro mundo

Terceiro milênio

Carne nua nua nua nua nua

Era tão gozado

Era um trio elétrico, era fantasia

Escola de samba na televisão

Cruz no fim túnel, becos sem saída

E eu era a saída, melodia, meio - dia dia

Dia dia

Era o que eu dizia eu sou neguinha

Mas e outras coisas via um moço forte

E a mulher macia dentro da escuridão

Via o que é visivel, via o que não via

E o que a poesia e a profecia não tem mais vez

É o que parecia

que as coisas acontecem

Coisas supreendentes

Fatalmente erram, acham solução

E que o mesmo ciclo que eu tento ler e ser

É apenas o possivel ou o impossivel em mim em mim em mim

e a pergunta vinha :

Eu sou neguinha?

Eu sou neguinha?

Eu sou neguinha?

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