19/07/04 - 14h:40mDenunciar

Anjo perdido

Ae galera,vlw pelos comentarios,vou retribuir a todos...bjus e fikem c esse poema q curto muito!



A FLOR DO DIABO



Branca e floral como um jasmim-do-Cabo

Maravilhosa ressurgiu um dia

A fatal Criação do fuIvo Diabo,

Eleita do pecado e da Harmonia.





Mais do que tudo tinha um ar funesto,

Embora tão radiante e fabulosa.

Havia sutilezas no seu gesto

De recordar uma serpente airosa.





Branca, surgindo das vermelhas chamas

Do Inferno inquisitor, corrupto e langue,

Ela lembrava, Flor de excelsas famas,

A Via-Láctea sobre um mar de sangue.





Foi num momento de saudade e tédio,

De grande tédio e singular Saudade,

Que o Diabo, já das culpas sem remédio,

Para formar a egrégia majestade,





Gerou, da poeira quente das areias

Das praias infinitas do Desejo,

Essa langue sereia das sereias,

Desencantada com o calor de um beijo.





Sobre galpões de sonho os seus palácios

Tinham bizarros e galhardos luxos.

Mais grave de eloqüência que os Horácios,

Vivia a vida dos perfeitos bruxos.





Sono e preguiça, mais preguiça e sono,

Luxúrias de nababo e mais luxúrias,

Moles coxins de lânguido abandono

Por entre estranhas florações purpúreas.





Às vezes, sob o luar, nos rios mortos,

Na vaga ondulação dos lagos frios,

Boiavam diabos de chavelhos tortos,

E de vultos macabros, fugidios.





A lua dava sensações inquietas

As paisagens avérnicas em torno

E alguns demônios com perfis de ascetas

Dormiam no luar um sono morno...





Foi por horas de Cisma, horas etéreas

De magia secreta e triste, quando

Nas lagoas letíficas, sidéreas,

O cadáver da lua vai boiando...





Foi numa dessas noites taciturnas

Que o velho Diabo, sábio dentre os sábios,

Desencantado o seu poder das furnas,

Com o riso augusto a flamejar nos lábios,





Formou a flor de encantos esquisitos

E de essências esdrúxulas e finas,

Pondo nela oscilantes infinitos

De vaidades e graças femininas.





E deu-lhe a quint'essência dos aromas,

Sonoras harpas de alma, extravagancias,

Pureza hostial e púbere de pomas,

Toda a melancolia das distancias...





Para haver mais requinte e haver mais viva,

Doce beleza e original carícia,

Deu-lhe uns toques ligeiros de ave esquiva

E uma auréola secreta de malícia.





Mas hoje o Diabo já senil, já fóssil,

Da sua Criação desiludido,

Perdida a antiga ingenuidade dócil,

Chora um pranto noturno de Vencido.





Como do fundo de vitrais, de frescos

De góticas capelas isoladas,

Chora e sonha com mundos pitorescos,

Na nostalgia das Regiões Sonhadas.



(cruz e sousa)

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