21/07/04 - 18h:16mDenunciar

n to bem!

Hj n tenho o q falar n....n to bem.....bjus e t+



TÉDIO



Vala comum de corpos que apodrecem,

E esverdeada gangrene

Cobrindo vastidões que fosforescem

Sobre a esfera terrena.





Bocejo torvo de desejos turvos,

Languescente bocejo

De velhos diabos de chavelhos curvos

Rugindo de desejo.





Sangue coalhado, congelado, frio,

Espasmado nas veias...

Pesadelo sinistro de algum rio

De sinistras sereias...





Alma sem rumo, a modorrar de sono,

Mole, túrbida, lassa...

Monotonias lúbricas de um mono

Dançando numa praça...





Mudas epilepsias, mudas, mudas,

Mudas epilepsias,

Masturbações mentais, fundas, agudas,

Negras nevrostenias.





Flores sangrentas do soturno vício

Que as almas queima e morde...

Música estranha de fetal suplício,

Vago, mórbido acorde...





Noite cerrada para o Pensamento

Nebuloso degredo

Onde em cavo clangor surdo do vento

Rouco pragueja o medo.





Plaga vencida por tremendas pragas,

Devorada por pestes,

Esboroada pelas rubras chagas

Dos incêndios celestes.





Sabor de sangue, Lágrimas e terra

Revolvida de fresco,

Guerra sombria dos sentidos, guerra,

Tantalismo dantesco.





Silêncio carregado e fundo e denso

Como um poço secreto,

Dobre pesado, carrilhão imenso

Do segredo inquieto...





Florescência do Mal, hediondo parto

Tenebroso do crime,

Pandemonium feral de ventre farto

Do Nirvana sublime.





Delírio contorcido, convulsivo

De felinas serpentes,

No silamento e no mover lascivo

Das caudas e dos dentes.





Porco lúgubre, lúbrico, trevoso

Do tábido pecado,

Fuçando colossal, formidoloso

Nos lodos do passado.





Ritmos de forças e de graças mortas,

Melancólico exílio,

Difusão de um mistério que abre portas

Para um secreto idílio...





Ócio das almas ou requinte delas,

Quint'essências, velhices

De luas de nevroses amarelas,

Venenosas meiguices.





Insônia morna e doente dos Espaços,

Letargia funérea,

Vermes, abutres a correr pedaços

Da carne deletéria.





Um misto de saudade e de tortura,

De lama, de Ódio e de asco,

Carnaval infernal da Sepultura,

Risada do carrasco.





Ó tédio amargo, ó tédio dos suspiros,

Ó tédio d'ansiedades!

Quanta vez eu não subo nos teus giros

Fundas eternidades!





Quanta vez envolvido do teu luto

Nos sudários profundos

Eu, calado, a tremer, ao longe, escuto

Desmoronarem mundos!





Os teus soluços, todo o grande pranto,

Taciturnos gemidos,

Fazem gerar flores de amargo encanto

Nos corações doridos.





Tédio! que pões nas almas olvidadas

Ondulações de abismo

E sombras vesgas, lívidas, paradas,

No mais feroz mutismo!





Tédio do Réquiem do Universo inteiro,

Morbus negro, nefando,

Sentimento fatal e derradeiro

Das estrelas gelando...





O Tédio! Rei da Morte! Rei boêmio!

Ó Fantasma enfadonho!

És o sol negro, o criador, o gêmeo,

Velho irmão do meu sonho!

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