Acreditar
De todas as coisas estúpidas que eu já lhe disse, eu deixava subentendido minhas intenções verdadeiras. Há uma grande chance das coisas que eu realmente quisesse dizer fossem tão idiotas quanto as que eu dizia para calar o silêncio. Há uma enorme possibilidade de você nunca ter captado sinal algum que eu mandei. E há uma previsão tão provável que eu não mais direi coisa alguma... Seja estúpida, coerente, superficial ou sincera. Acredito que se eu emudecer minhas palavras agora, talvez a dor que eu sofrerei inevitavelmente, será um pouco amenizada. Se eu conseguir me afastar... Percebo agora que eu sempre insistia muito em não perder um dia com tua presença, ou de ter notícias tuas pelos outros ou qualquer coisa que acrescentasse na minha sabedoria em relação a tua pessoa. É comum dizer isso, mas não é nada além da verdade, então eu direi sem medo de seguir o padrão típico. Comecei experimentando, sem medo de vício ou algo assim. Parecia, na verdade, algo bem inofensivo. Gostei da primeira sensação, era demasiada boa para ser real. Nunca pensei que chegaria a esse ponto. (Engraçado que é o que todos sempre dizem, mas só agora posso compreender). Depois de um certo tempo “ele” se torna uma necessidade diária, só ele é capaz de fazer você se sentir realmente bem. E ah, você se sente. Nada faz sentido sem aquilo que te dominou tão desprevenidamente. Queria absorver tudo que podia sobre você. Minha falha foi querer em demasia o que nunca pude realmente ter. E a tristeza toma conta de mim nessa noite. Me consome de maneira inconsolável. Ainda descrente do que me sucede começo a recordar o quão bom era. Sinto, nesse momento, o coração tão danificado. Deparo-me pela primeira vez com a dor e ela zomba de mim. Eu podia jurar que sofria tanto antes. Agora descubro o que é chorar, entendo o que é sofrer, crio intimidade com a dor. Anteriormente eu reclamava e reclamava. Tudo me parecia um pouco mais difícil do que devia ser. Se eu soubesse o quão fácil, o quão simples e o quão prático era. Queria sempre mais, nunca estava bom o suficiente. Não aproveitei adequadamente e dizia coisas impensáveis. Emudeci minha boca e hoje tantas palavras que gostaria de ter dito. E a nova realidade, sem ele, sem todas as vozes e olhares é tão ruim. É cruel, e é má. Agora entendo que a saudade virá. Nunca poderei evitá-la. Não importa se num ambiente conhecido ou inédito. E nem importa se com companheiros ou com estranhos. Mais também entendo que não posso me entregar, não posso ficar sofrendo, me lamentando! Tenho que simplesmente viver, embora existam dores que a gente não pode amenizar, temos apenas de agüentar. Mais mesmo que vocês não acreditem agora, vai passar!

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