20/01/06 - 10h:19mDenunciar

CASAS HISTÓRICAS: portas e janelas do Serro colonial


"João Emanuel Pohl assinala que, no início do
século XIX, o Serro possuía cerca de 800 casas,
em sua maioria sobrados. Outros viajantes
estrangeiros consignam a mesma admiração
pelo número de sobrados, alguns deles de grande
vulto e que correspondiam, na época, à significação
que hoje têm os arranha-céus”.

(Sylvio de Vasconcellos)



CHÁCARA DO BARÃO DO SERRO (ver foto e mais informações)

Esta impressionante edificação foi erguida no século XIX, para residência do Coronel Sebastião José Ferreira Rabelo (1823-1900) e posteriormente do seu irmão e genro, José Joaquim Ferreira Rabelo, o Barão do Serro (1832-1910), todos os dois políticos influentes do norte de Minas. A antiga construção em forma de “U”, compõe um delicioso pátio interior, repleto de evocações, com o piso em “pé-de-moleque” (seixos rolados) com formações florais (herança mourisca da nossa arquitetura). Apresenta também belas portas e janelas de inspiração gótica, com vidraças coloridas. A entrada é formada por um patamar delimitado por gradil de ferro e duas escadas laterais simétricas. Neste patamar, destacam-se três bancos trabalhados em pedra-sabão, no estilo de poltrona, fixados entre as quatro portas que dão acesso à parte frontal da casa. O grande portão de entrada da chácara, também de ferro trabalhado, é ladeado por duas colunas de pedra, sobre as quais descansavam originalmente dois grandes leões, esculpidos em mármore. Na cozinha, chama a atenção uma pia e um enorme fogão de lenha, talhados em pedra-sabão. Merecem destaque também as dependências dos escravos domésticos, o tanque, o chafariz e outras peças em pedra-sabão, os dois túneis, por onde ainda hoje passam lendas e mistérios, os vários muros de pedra, e as jabuticabeiras centenárias, “que fazem a alegria da garotada”. Na entrada, uma homenagem aos antigos tropeiros. A casa foi adquirida pelo IEPHA em 1975, foi restaurada e tem servido para abrigar diversas atividades e instituições públicas.
Localização : Rua da Fundição do Ouro, S/N. Visitação: De segunda a quinta, e sábado, de 13 às 16,50h; no domingo, de 8 às 11,50h.


CASA DA ARCA (ver foto e mais informações)

Um raro exemplar de construção em estilo “pênsil”, dos poucos do Serro que chegaram ao século XXI. Foi moradia de importantes personagens históricos, começando pela famosa Maria do Ouro Fino, ainda no século XVIII. No início do século XIX, a casa era de propriedade de Roberto Mascarenhas de Vasconcelos Lobo, filho de Bernardo da Fonseca Lobo, o descobridor dos diamantes. Lá residiu também o Capitão Henrique Lessa, filho do Barão de Diamantina. Outra mulher de tradicional família serrana, famosa nos acontecimentos cívicos de 1831, D. Maria Salomé Perpétua de Queiroga, ali residiu e fundou a Casa da Arca, destinada a recolher meninas e moças desamparadas. Foi também residência de Augusto Clementino da Silva, deputado à Constituite Mineira de 1891. Em 1999, encontrava-se praticamente em ruínas. Atualmente já não existe mais, demandando um urgente projeto de reedificação.
Localização: Antiga Rua da Cadeia (próxima à Santa Casa).


EDIFÍCIO DA PREFEITURA MUNICIPAL (ver foto e mais informações)
(Casa dos “Carneiro”)

É o exemplar mais importante da arquitetura serrana e uma das maiores construções do estilo colonial mineiro. Este sobrado de 40 cômodos, possui na parte externa 68 janelas, 10 sacadas, 14 portas e 2 portões. Foi destinado, segundo a tradição, para abrigar o Imperador D.Pedro I, durante uma possível visita ao Serro, em 1831, que não chegou a se concretizar. De residência particular do Deputado e Comendador José (Juca) Ferreira Carneiro, passou à propriedade de sua filha Júlia Cândida (Ferreira Carneiro) da Cunha Pereira, esposa do Médico e Deputado Estadual Dr.Simão da Cunha Pereira, funcionando depois como Escola Normal e Câmara Municipal. Atualmente, é sede da Prefeitura e da Câmara, após uma restauração no final da década de 1980, que modificou as divisões internas, mas preservou a estrutura e a fachada. Mas, a principal modificação sofrida com esta reforma foi a perda do estilo “pênsil” (característica de várias construções da cidade, marcadas por uma visível inclinação da frente do edifício sobre a rua, segundo os arquitetos, para compensar o declive do terreno, que tornam maiores o peso e a altura da parte posterior do prédio). Esta perda, porém, não lhe tirou a grandeza e a imponência. Aberta para visitas, no horário comercial.
Localização : Praça João Pinheiro, 154.


CASA DOS OTTONI (ver foto e mais informações)

Sua típica e senhorial varanda lembra as velhas construções rurais mineiras. Foi construída ainda no século XVIII. Sua origem parece estar ligada ao Procurador do Senado da Câmara, Manuel Gomes do Amorim, e sua esposa, Juliana Correia da Cunha, de sangue caboclo. Em 1812, esteve penhorada pela Fazenda Real. O edifício entrou para a história por ter abrigado a família de Jorge Benedito Ottoni, pai de Teófilo e Cristiano Ottoni, todos os três líderes e políticos influentes durante o Império. Lá funcionou também o Liceu de Artes e Ofícios (1912) e posteriormente o Patronato Agrícola (1918). A construção é tombada pelo IPHAN e abriga o Museu Regional.
Horário de funcionamento: de terça a Sábado, das 10 às 18 h, e domingos e feriados, de 8 às 12 h.Localização: Praça Cristiano Ottoni, 72.


CASA DE JOÃO PINHEIRO (ver foto e mais informações)

A antiga casa onde nasceu o estadista e Presidente de Minas João Pinheiro da Silva, célebre político da Primeira República, foi restaurada, mas manteve a fachada original, com dois pavimentos. É um casarão colonial com janelas envidraçadas e amplos salões, abrigando atualmente diversas repartições públicas. Em sobrado contíguo, hoje anexado, antiga propriedade de D. Firmiana Araújo e, depois, de seu genro Simão da Cunha Pereira, funcionaram também as oficinas da Tipographia Serrana, de Nhô Costa, onde foram editados vários jornais do Serro, na primeira metade do Século XX.
Localização : Rua Dr. Luiz Advíncula Reis. 150.


CASA DO DR. SIMÃO DA CUNHA PEREIRA (ver foto e mais informações)

Na bela casa onde hoje se encontra instalada a Policlínica Municipal, logo atrás da Igreja matriz, morou o Dr. Simão da Cunha Pereira, médico e político serrano, Deputado Provincial e Presidente da Assembléia de Minas, durante o Segundo Império. Foi residência também do Dr. Luiz Advíncula Reis, jurista e escritor serrano. É uma das mais antigas construções da cidade. Possui dois pavimentos, com janelas rasgadas protegidas por guarda-corpo, na parte superior.
Localização: Rua Dr. Luiz Advíncula Reis, 50.


CASA DO BARÃO DE DIAMANTINA (ver foto e mais informações)

Uma das mais conservadas e imponentes construções em estilo colonial de Minas, erigida no século XIX, pertenceu ao serrano Francisco José de Vasconcelos Lessa, o Barão de Diamantina, que, segundo a tradição, pretendia superar com a sua residência a do Barão do Serro. A seguir, tem-se notícia de ter sido residência de João Luiz da Almeida e Souza, Deputado à primeira Constituinte Mineira da República. A partir de 1913, sediou o Asilo Nossa Senhora da Conceição, ali funcionando depois o setor de artes e letras do Patronato Agrícola. Atualmente, a casa é ocupada pela Escola Estadual Ministro Edmundo Lins, que lhe impôs algumas adaptações na parte interna. Só na parte exterior do edifício, possui 61 janelas, 11 sacadas, 8 portas e 1 portão, com dois pavimentos ao nível da rua e quatro na parte posterior.
Localização: Pça. Presidente Vargas, 54 (Largo da Matriz).


CASA DO GENERAL CARNEIRO (ver foto e mais informações)
(Sede do IPHAN)

Construção em estilo colonial, de dois pavimentos, caracterizada pelos extensos muros de pedra que a cercam e lhe dão suporte. Nela nasceu o lendário General Carneiro (Antônio Ernesto Gomes Carneiro), “Herói da Lapa”, uma das mais eminentes figuras da história do exército brasileiro, reconhecido por sua idéias e atos de bravura. A casa mantém ainda a sua estrutura original, rodeada por ladeiras e extenso gramado, que proporcionam uma bela visão da arquitetura, da engenharia e do paisagismo do Brasil colônia. Na última restauração (executada pelo IPHAN, em 2000/2001), uma escavação arqueológica realizada no terreno e no interior da casa encontrou vestígios interessantes de “utensílios domésticos antigos, de vidro, porcelana, louça e metal, nacionais, ingleses, franceses, holandeses e japoneses, que foram se acumulando no local ao longo dos anos”, atualmente em exposição na própria casa.
Localização: Pça. Pres. Vargas (Largo da Matriz).


ANTIGO SENADO DA CÂMARA (ver foto)

Construção do século XVIII, que guarda toda a sua originalidade. Passou a sediar o Senado da Câmara a partir de 1751, até 1896. É, talvez, a mais antiga sede de Câmara de Minas Gerais. “Aí funcionou o nobre Senado da Câmara da Vila do Príncipe, cabeça da Comarca do Serro Frio, com seus ilustres vereadores, juízes, procuradores, almotacés; aí eram feitas também as audiências de correição dos Ouvidores do Serro (ministros representantes de El-Rei Nosso Senhor)”. O prédio foi palco da formação do “espírito cívico dos serranos” e dos seus “ideais nativistas”, além de ter assistido ao aparecimento de personagens como Teófilo Otoni e tantos outros, que brilharam na política mineira e nacional. Situa-se onde, por mais de um século, a cidade manteve o principal ponto de encontro da população. Possui características interessantes. Na frente, duas escadas laterais simétricas, típicas das Câmaras mineiras, dão acesso ao edifício. No lado esquerdo se abrem duas grandes sacadas, de onde as autoridades solenemente se dirigiam ao povo, estacionado no antigo Largo da Matriz. Atualmente é residência particular.
Localização: Pça. Pres. Vargas (Largo da Matriz).


CASA DO JORNAL "Sentinela do Serro" (ver foto e mais informações)

Casa em estilo colonial, com dois pavimentos, onde era redigida e impressa uma das mais importantes publicações brasileiras do Século XIX : o jornal “Sentinela do Serro”. Desta casa, em 1830, Teófilo Ottoni coordenou a resistência aos desmandos do Primeiro Império e a campanha pela queda do regime e pela implantação da República, através do seu jornal. A edificação encontra-se em bom estado de conservação e preserva a memória de um dos mais conturbados momentos políticos do Brasil : a abdicação de D.Pedro I e o período das Regências. O andar superior, atualmente, é residência particular e no térreo funciona um comércio.
Localização: Praça Dr. Andrade, 34 (antiga Ladeira da Purificação).


CASA DE MESTRE VALEMTIM E PEDRO LESSA (ver foto e mais informações)

Atualmente ocupada por uma pousada e casas comerciais, nesta casa nasceram o Mestre Valentim da Fonseca e Silva - um dos maiores artistas/construtores do barroco brasileiro - e mais tarde Pedro Lessa - um dos mais prestigiados Advogados brasileiros, Ministro do Supremo Tribunal Federal e membro da Academia Brasileira de Letras. Também é conhecida como a casa das “Fonsecas”, ilustre grupo de irmãs, com participação patriótica na vida do Serro, que nela residiram por vários anos, no séc. XIX. É uma das mais expressivas edificações da cidade, seja pela extensão, seja pela notável curva que faz, acompanhando o traçado da rua, o que a torna única em Minas Gerais. Suas 10 sacadas em ferro trabalhado lhe conferem um ar da nobreza que habitou a cidade. Foi reformada de 1975 a 1980, com preservação das características originais.
Localização : R. Antônio Honório Pires, 38 (antiga Rua de Cima).


CASA DO POETA JOSÉ ELÓI OTONI (ver foto e mais informações)

O poeta, escritor e deputado José Elói Otoni morou na casa de belo estilo colonial, localizada na antiga Ladeira do Pelourinho, em frente à igreja Matriz, onde também residiram seus pais, Manuel Vieira Otoni e a mãe Ana Felizarda. As janelas ainda mantêm o interessante estilo muxarabi (treliça), de inspiração árabe. Os pais mudaram-se para o Serro, quando Manuel foi nomeado fundidor da Real Casa de Fundição do Serro. José Elói foi poeta, político e homem de letras, tendo trabalhado entre o Brasil e a Europa. Em Lisboa, foi membro de uma Arcádia com os amigos poetas Bocage e Bressane. Em 1821, foi eleito Deputado às Cortes de Lisboa, Deixou inúmeras poesias e traduções do latim, sendo considerado um dos precursores do Romantismo no Brasil.


Fonte: "GUIA DO SERRO"
Foto:
Soraya Lessa (vista geral da cidade, a partir do Morro do Vigário)




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