01/02/06 - 20h:57mDenunciar

MUSEU CASA DOS OTONI (IBRAM)


- A CASA:

A típica e senhorial varanda lembra as velhas construções rurais mineiras. Construída ainda no século XVIII, sua origem está ligada ao Procurador do Senado da Câmara, Manuel Gomes do Amorim, e sua esposa, Juliana Correia da Cunha, de sangue caboclo. Em 1812, esteve penhorada pela Fazenda Real. O edifício entrou para a história por ter abrigado a família de Jorge Benedito Otoni, pai de Teófilo e Cristiano Otoni, todos os três líderes e políticos influentes durante o Império. A 21 de maio de 1911, foi cenário de manifestações por ocasião das comemorações nacionais pelo centenário de nascimento de Cristiano Ottoni. Lá funcionou também, em 1912, um estabelecimento de educação e aprendizagem de órfãos, sob a orientação do Monsenhor João Moreira. Posteriormente, sediou o Patronato Agrícola (1918 a 1930). Foi tombada pelo IPHAN, em 28 de abril de 1950. Localização: Praça Cristiano Otoni, 72.


- O MUSEU:

O Museu Regional Casa dos Otoni, antes do IPHAN e agora do IBRAM, que ali funciona, abriga interessante acervo histórico, composto de móveis antigos, painéis, mapas, fotografias, pinturas, lampiões, objetos do cotidiano e uma sala de exposição com restos da antiga Igreja da Purificação. Construção do século XVIII, a Casa dos Otoni integrou-se à rede de casas do IPHAN a partir de 1942, recebendo o Museu em 1980. O acervo do Senado da Câmara do Serro, com documentos dos séculos XVIII e XIX, que lá esteve por longos anos, atualmente se encontra guardado na Casa do General Carneiro, onde funciona a sede do IPHAN na cidade. - Tel: ( 38 ) 3541-1440. - E-mail: mrco@museus.gov.br - Funcionamento: de terça a sábado, das 10 às 18h, e aos domingos e feriados, de 8 às 12 h.



- ANTIGOS MORADORES DA CASA:

Cristiano Benedito Otoni, em sua autobiografia, declara que na casa moravam "os pais (Jorge e Rosália), onze irmãos, fora uma irmã que morreu em tenra idade, além de quatro velhas parentas solteiras e cinco escravos".


- JORGE BENEDITO OTONI
Pai de Teófilo e Cristiano Otoni. Nasceu na Vila do Príncipe, hoje Serro, por volta de 1766, e era um dos 14 filhos do fundidor da Real Casa de Fundição do Serro, Manuel Vieira Otoni, de descendência genoveza, e da paulista Ana Felizarda Pais Leme. Foi arrecadador de dízimos, Advogado prático, Liberal por formação e Vereador. Casou-se com Rosália de Souza Maia Otoni. Foi um dos 12 representantes da Comarca do Serro Frio à primeira Junta Eleitoral de Minas, reunida em 1821, em Ouro Preto, que elegeu os Deputados à Corte Portuguesa, o Governo Provisório da Província e tornou-se, na prática, a primeira Assembléia Legislativa de Minas. Teve papel destacado neste importante momento da vida brasileira, marcando seu nome na história do Brasil ao propor e conseguir que fosse retirado o padrão de infâmia que, 30 anos antes, havia sido levantado contra Tiradentes. Tornou-se também Deputado à segunda Junta Eleitoral de MG, em 1822, novamente representando a Freguesia da Vila do Príncipe da velha Comarca do Serro Frio. Eleito Suplente, acabou tomando parte no Conselho Geral da Província de Minas (mandato 1830-33), corporação que se transformou depois na Assembléia Provincial. Na sessão de instalação, diversos conselheiros, ressaltando a importância da indústria nacional, compareceram vestidos com roupas de algodão mineiro, entre eles o representante serrano. Seus restos mortais se encontram hoje em urna exposta na Igreja do Carmo do Serro, para onde foram transladados pela família em 1998, juntamente com os de sua esposa, Rosália Otoni, e os de seu irmão, o poeta José Elói Otoni.


- TEÓFILO OTONI
"O homem mais popular do Brasil", "O Ministro do povo", "Uma vida inteira defendendo a liberdade", "Um homem que jamais abdicou da luta contra toda forma de opressão", estas são algumas das referências mais comuns feitas a Teófilo Otoni. Nascido em 27/11/1807, na Vila do Príncipe, Teófilo Otoni notabilizou-se por uma vida dedicada integralmente às reformas democráticas do estado brasileiro. Em 1830, com 22 anos, fundou o jornal "Sentinela do Serro", principal publicação mineira do seu tempo e um dos precursores da fundação do Partido Liberal, no qual militou até a morte. Através do jornal, defendeu a democracia, o voto universal, a república e o sagrado direito de resistência à opressão. Em 1831, liderou a insurreição dos serranos contra os desmandos de D.Pedro I, até sua abdicação. Foi naturalmente conduzido a uma cadeira de Deputado na primeira Assembléia Provincial de Minas, para o mandato 1835/37, reelegendo-se para os mandatos 1838/39 e 1842/43. Neste período, é de sua iniciativa a criação de aulas de Latim, Francês e Filosofia em cada comarca, além da clara postura já abolicionista e da grande contribuição na lei das estradas de rodagem. Como na época eram permitidas algumas acumulações de cargos eletivos, tornou-se também Vereador do Serro, para o período 1837/40, sendo substituído em 08/10/1838, ao eleger-se para a Corte como Deputado Geral ( 1838/41 ).

Reelegendo-se para o mandato 1842/44, é dissolvida a Câmara dos Deputados pelo Imperador Pedro II. Eclode então a Revolução Liberal em Minas e São Paulo e Otoni abandona a Corte, voltando ao seu estado, onde diversas vitórias animam os revoltosos. Logo depois, ocupam Santa Luzia, onde assume o comando das operações militares e vence as tropas de Caxias, numa batalha inicial, entregando-se em seguida para poupar novas vítimas, diante da avaliação de que a Revolução já estaria vencida no restante do país. Absolvido por unanimidade pelo júri de Mariana, Teófilo é depois anistiado contra sua própria vontade e volta à Câmara dos Deputados para o mandato 1845/47, quando é eleito seu Vice-Presidente.

Em 1848 se reelege novamente e inicia o projeto da Cia. de Comércio e Navegação do Mucuri, junto com o irmão Honório, com quem já tinha uma casa de tecidos no Rio de Janeiro. Em 1949, inicia um longo período de afastamento da política e passa a se dedicar integralmente ao projeto : liga o norte de Minas ao Rio de Janeiro, através da navegação pelo Rio Mucuri e pelo Atlântico; constrói a primeira rodovia brasileira, com 170 Km, ligando Santa Clara a Filadélfia; privilegia o trabalho assalariado e inicia a imigração alemã para o Brasil; denuncia a escravidão dos índios e inaugura uma nova relação de cooperação com as tribos da região; promove o povoamento e funda a cidade de Filadélfia (hoje Teófilo Otoni).

Voltando à cena política em 1860, escreve a famosa "Circular aos Eleitores Mineiros" (19/set), um dos mais importantes depoimentos sobre o segundo reinado. Candidata-se, então, a três cargos simultâneos : Deputado Geral por MG e RJ e Senador por MG. Apesar de ser preterido pelo Imperador para o Senado, é reconduzido facilmente à Câmara dos Deputados para os mandatos 1861/63 e 64/66, tornando-se o homem mais popular do Brasil, durante uma era chamada de "otoniana". Recusa o título de Conselheiro do Império, em 1862, reafirmando o postulado : "não devem os membros do legislativo receber favores do executivo". Com rara sensibilidade para entender a voz das ruas, ele se coloca sempre ao lado das causas populares e faz do lenço branco o símbolo com que dirige o povo em várias campanhas importantes, como no caso das mobilizações durante a "Questão Christie".

Candidatou-se seis vezes ao Senado, elegendo-se para a lista tríplice em todas : 1857, 1859, 1860, 1861 e 1863 por Minas, e 1862 por Mato Grosso. Como a escolha final dependia da indicação do Imperador, foi preterido cinco vezes. Só na sexta vez, em 1863, é finalmente indicado por D. Pedro II para a "confraria vitalícia", o reduto da reação. No mesmo ano, assume por pouco tempo, como suplente, uma vaga na Câmara Municipal do RJ. É eleito para uma vaga no Tribunal do Comércio, Diretor do Banco do Brasil e da Companhia de Navegação do Alto Paraguai, presidente do Montepio Geral, da Cia. de Seguros Marítimos e Terrestres e da Comissão da Praça do Comércio.

No Senado, mesmo envelhecido, Otoni agita, fala, escreve. Continua sua luta pelas reformas eleitoral e judiciária, contra o absolutismo, a escravidão e a discriminação dos pobres. Alquebrado, atacado pela febre da antiga maleita, contraída no Mucuri, pobre, Teófilo Otoni continua lúcido e combatente até o último instante, reunindo as últimas forças para ainda contribuir com os fundamentos para a criação do Partido Republicano, do qual se fez precursor sem chegar a vê-lo nascer. No dia 5 de outubro de 1869 fez seu último discurso na tribuna. Sentiu-se mal e foi para casa, esperando no dia seguinte recomeçar a lida. Não conseguiu mais sair da cama, morrendo no dia 17, um domingo, da mesma forma que entrou na política : defendendo os ideais da liberdade e da igualdade.

Apesar da popularidade, da capacidade e das várias indicações, Otoni não se tornou Ministro do Império, mas recebeu em praça pública, numa manifestação cívica por volta de 1863, o título sugestivo de "Ministro do Povo". Deixou, entre outras, as seguintes publicações : "Considerações sobre algumas vias de comunicações férreas e fluviais, a entroncar na Estrada de Ferro D. Pedro II e no rio S. Francisco" ( 1865 ), "Breve resposta ao relatório da liquidação da Cia. do Mucuri" ( 1862 ), "Notícias sobre os selvagens do Mucuri" ( 1858 ), "Vida e Poesias de José Eloy Otoni" ( 1851 ) e "Relatórios da Cia. do Mucuri". (ver mais informações no capítulo “Pequenas Histórias da Grande Comarca”)

- LINKS:
Blog do Bicentenário de Nascimento de Teófilo Otoni
Jornal "Sentinela do Serro"



CRISTIANO BENEDITO OTONI

Nasceu na Vila do Príncipe (hoje cidade do Serro), em 21/05/1811. Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1828, onde fez os estudos na Academia da Marinha. Graduou-se como Guarda-Marinha em 1830 e foi eleito Deputado Provincial do Rio de Janeiro pelo Partido Liberal, em 1834, aos 23 anos. Mas, durante o mandato, não abandonou os estudos. Foi nomeado Professor-Substituto de Matemática da Academia da Marinha no mesmo ano, onde lecionou durante 21 anos, dedicando-se ao estudo e publicando compêndios de aritmética, álgebra, geometria e trigonometria, conseguindo mesmo reformar, em todo o Brasil, o ensino da matemática elementar e tendo seus livros adotados no ensino do Império. Formou-se no curso de Engenharia da Academia Militar, em 1836. Em 1846, exerceu o cargo de Oficial de Gabinete do Ministro da Marinha e, em 1848, retornou à política, depois de longos anos, elegendo-se Deputado Geral por Minas Gerais. Em 1855, trocou suas atividades pelo cargo de Presidente da Estrada de Ferro Pedro II, que construíu e dirigiu por 10 anos. Elegeu-se Deputado Geral novamente, por Minas ( 1861-63, 64-66 e 67-68 ). Foi Conselheiro de Estado do Imperador D. Pedro II. Em fins de 1870, participou ativamente da fundação do Partido Republicano, tornando-se um dos signatários do seu famoso manifesto, como que suprindo a ausência da assinatura do irmão Teófilo, morto um ano antes.

Após um interstício de 10 anos, foi novamente chamado ao Parlamento, em 1879, já desta vez como Senador pelo Espírito Santo e depois por Minas, ali permanecendo até a Proclamação da República. Em 1892 retornou ao Senado, também para representar Minas na nova República. Aos 85 anos, ainda Senador, faleceu no Rio de Janeiro, em 17/mai/1896. Deixou escritas "Teoria das Máquinas a Vapor" (1846), "Biografia de D. Pedro II", "Biografia de Teófilo Otoni" (1870), uma "Autobiografia" e "O Futuro das Estradas de Ferro no Brasil", entre outras obras.


ELOY BENEDITO OTONI
Médico e Jornalista. Nasceu no Serro, em 1822, sendo o mais moço dos filhos de Jorge, e morreu no RJ, em 09/01/1905. Clinicou em MG, SP e RJ (Corpo Policial e Asilo de Alienados), publicando trabalhos literários e científicos, de 1857 a 1884, alguns originais e outros traduzidos. Escreveu também "Crenças Políticas".


ERNESTO BENEDITO OTONI
Médico e escritor, filho de Jorge. Nasceu no Serro em 1821 e morreu em 1881. Foi médico do Hospital de Marinha, no RJ. Escreveu "O Clima da província de Minas e moléstias que mais frequentemente acometem seus habitantes" (tese de formatura, 1841), "O chólera morbus" (1868) e "Relatório sobre o estado da companhia de colonização do Vale do Mucury" (1862).



Fonte: "GUIA DO SERRO"


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