04/01/05 - 11h:14mDenunciar

Fugindo da Solidão

A escuridão ecoa pelas paredes de meu quarto, meu corpo sucumbe em tristeza, minha mente se perde confusa em minha fortaleza. Ainda permaneço em minha solidão, sinto-me cercada por olhos famintos que parecem desejar consumir a pouca alegria que me resta. Olhos da escuridão que me observam salivantes. Solidão que se alimenta de minha esperança. Saio pela porta a correr. Assustada procuro por alguma alma sem olhos, Inutilmente pelas sombras ao meu redor . Tento fugir mas eles me perseguem, estão atrás de mim esperando por um tropeço meu! Eu grito sob a reluzente luz da lua, que ecoa na silenciosa floresta das trevas. Eu não entendo o motivo disso tudo. Corro entre as arvores, até que uma raiz surge em meu caminho e desatento eu tropeço...meu corpo cai no chão, bate em uma pedra e derrama o sangue de minha alma sobre a terra polida pelo vento e sobre as raízes das arvores que me olham com pena, mas imóveis não podem fazer nada.

Dolorida e manchada de sangue, numa ultima esperança tento rastejar, mas sua mão sombria com dedos assustadoramente pontudos, vira me de bruços para si, com um capuz que cobre o seu rosto misterioso. Sua boca emite uma gargalhada igualmente assustadora. Seus dedos esqueléticos, lentamente puxam seu capuz para traz. Mostrando-me seu horrendo rosto, com um nariz fino coberto por cicatrizes e com olhos fundos mas penetrantes. Agora de seus olhos mergulhados em sombras, surgem duas bolas de fogo flamejantes. Abrindo seus braços e arregalando os olhos... Sua boca se abre virando-se para o céu e soltando um grunhido para as trevas mostrando-me seus dentes assustadoramente afiados como pontas de facas Paralisado pelo medo e susto, tento fugir inutilmente Mas não consigo me mover. como se suas garras me segurassem...Seu rosto novamente retorna a minha direção e em seus olhos flamejantes vejo o fim. Seu corpo se transforma em uma fumaça negra que se camufla nas sombras da noite flutuando por um instante.Rapidamente penetra por meus olhos. Queima minhas pestanas, mas imóvel tento suportar. Agora se aloja em meu cérebro e lentamente vai descendo até o meu coração.

Grito em desespero pois a solidão se apossou novamente de meu corpo e num grito constante acabo por acordar, levantando-me rápido de baixo do edredom. Empurrando-o de lado e sentando-me na cama Com o rosto molhado e respiração ofegante Meu coração bate aceleradamente Inclinado seguro com as mãos minha cabeça Ainda pensando se tudo aquilo foi um sonho Pois parecia tão real Mas após pensar por um minuto me pergunto O que é real? O que se vê?O que se sente? Então digo que foi real...Pois sinto a solidão em meu coração e por isso se mostrou em minha mente.

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