05/01/05 - 11h:35mDenunciar

Violões que choram . . .



Ah! Plangentes violões dormentes, mornos,

Soluços ao luar, choros ao vento...

Tristes perfis, os mais vagos contornos,

Bocas murmurejantes de lamento.



Noites de além, remotas, que eu recordo,

Noites da solidão, noites remotas

Que nos azuis da fantasia bordo,

Vou constelando de visões ignotas.



Sutis palpitações à luz da lua.

Anseio dos momentos mais saudosos,

Quando lá choraram na deserta rua

As cordas vivas dos violões chorosos.



Quando os sons dos violões vão soluçando,

Quando os sons dos violões nas cordas gemem,

E vão dilacerando e deliciando,

Rasgando as almas que nas sombras tremem.



Harmonias que pungem, que laceram,

Dedos nervosos e ágeis que percorrem

Cordas e um mundo de dolências geram,

Gemidos, prantos, que no espaço morrem...



E sons soturnos, suspiradas mágoas,

Mágoas amargas e melancolias,

No sussurro monótono das águas,

Noturnamente, entre ramagens frias.



Vozes veladas, veludosas vozes,

Volúpias dos violões, vozes veladas,

Vagam nos velhos vórtices velozes

Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas



Tudo nas cordas dos violões ecoa

E vibra e se contorce no ar, convulso...

Tudo na noite, tudo clama e voa

Sob a febril agitação de um pulso.









Plangentes: que choram dilacerando ; torturando



veladas: abafadas



Ignotas : desconhecidas



pungem : ferem



volúpias: delícias



Sutis: leves, delicadas



laceram : machucam



vórtices: redemoinhos



Palpitações : sobressaltos



dolências : mágoas, tristezas



vulcanizadas: abrasadas



Anseio: desejo



soturnos: tristes s

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