21/04/05 - 11h:37mDenunciar

Leia o texto abaixo.....merece sua atenção!!!

BRASILEIROS POCOTÓS



O jumento e o cavalinho - eles nunca andam só - quando sai (sic) para

passear - levam a égua Pocotó - Pocotó, Pocotó, pocotó - minha egüinha

Pocotó.



Luciano Pires, Diretor de Comunicação da Dana Corporation, é autor de um

ótimo livro, do qual emprestei o título deste editorial,

"Brasileiros Pocotós - Reflexões sobre a mediocridade que assola o Brasil"

(Ed. Panda Books). Em sua contra-capa, ele escreve o seguinte: "Você liga

a televisão e não se conforma com o baixo nível da programação? Abre o

jornal e só encontra notícias superficiais e sensacionalistas? Liga o

rádio e parece estar ouvindo sempre a mesma música? Ruim? Chama um

'profissional' para fazer um conserto em sua casa e o resultado é um

desastre? No trabalho, sente a solidão de não ter interlocutores? As

conversas são rasas, os temas superficiais? Vê seus filhos decorando a

mesma tabela periódica que você decorou anos atrás? Você tem a sensação de

que o Brasil está ficando burro? Pois eu, sim! Daí este livro".



Muito bem. Foi disso que lembrei quando, dia desses, um amigo me

encaminhou um texto de autoria de Roberto Reccinella , que dizia: "Na

terça-feira, dia 22/02, a Rede Globo recebeu 29 milhões de ligações do

povo brasileiro votando em algum candidato para ser eliminado do Big

Brother. Vamos colocar o preço da ligação do 0300 a R$ 0,30. Então,

teremos R$ 8.900.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais

que o povo brasileiro gastou só nesse paredão. Suponhamos que a Rede Globo

tenha feito um contrato 'fifty to fifty' com a operadora do 0300, ou seja,

ela embolsou R$ 4.450.000,00. Repito, somente em um único paredão...".



Alguém poderia ficar indignado com a Rede Globo e a operadora de telefonia

ao saber que as classes menos letradas e abastadas da sociedade, que

ganham mal e trabalham o ano inteiro, ajudam a pagar o prêmio do vencedor

e, claro, as contas dessas empresas. Mas o "x" da questão, caro(a)

leitor(a), não é esse. É saber que paga-se para obter um entretenimento

vazio, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dela

desfruta; mostra só a ignorância da população, além da falta de cultura e

até vocabulário básico dos participantes e, conseqüentemente, daqueles que

só bebem nessa fonte.



Certa está a Rede Globo. O programa BBB dura cerca de três meses deve ter

faturado em torno de 78.000.000,00 só de ligações 0300 e Torpedos SMS.

O sábio público tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro quiser

com as votações. Aliás, algo muito natural para quem gasta mais de oito

milhões numa só noite! Coisa de país rico como o nosso, claro. Nem o

Unicef, quando faz o programa Criança Esperança com um forte cunho social,

arrecada tanto dinheiro. Vai ver deveriam bolar um "BBB Unicef". Mas tenho

dúvidas se daria audiência. Prova disso é que na Inglaterra pensou-se em

fazer um Big Brother só com gente inteligente. O projeto morreu na fase

inicial, de testes de audiência. A razão? O nível das conversas diárias

foi considerado muito alto, ou seja, o público não se interessaria.



Programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em terras

tupiniquins. Um país onde o cidadão vota para eliminar um bobão (ou uma

bobona) qualquer, mas não lembra em quem votou na última eleição. Que

simplesmente anula seu voto por não acreditar mais nos políticos deste

País, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita de

extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal. Que vota numa

legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que não

perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de PAGAR

pelo seu voto. Que eleitor é esse? Depois não adianta dizer que político é

ladrão, corrupto, safado, etc. Quem os colocou lá? Claro, o mesmo eleitor

do BBB. Aí, agüente a vitória de um Severino não-sei-das-quantas para

Presidente da Câmara dos Deputados e a cara de pau, digo, a grande idéia

dele de colocar em votação um aumento salarial absurdo a ser pago pelo

contribuinte.



Mas o contribuinte não deve ligar mesmo, ele tem condições financeiras de

juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir (?!?!), ao invés

de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer assunto

relevante para melhorar a articulação e a auto-crítica...



Há uma frase de Robert Savage que diz: "Há mais pessoas dispostas a pagar

para se entreter do que para serem educadas". E é verdade, a Globo sabe

disso! Quantas pessoas você conhece que

desistiram de cursar uma faculdade porque acharam o preço muito alto?

Pergunte a uma criança quantos nomes de bichinhos de desenhos japoneses e

funções das personagens de jogos de computador ela conhece. Você vai

perder a conta. Mas se perguntar quem foi Monteiro Lobato, como se escreve

"exceção" ou quanto é seis vezes três, ela vai titubear. Para piorar ainda

mais o cenário dos próximos anos, cito um ditado chinês: "Se você quer

educar uma criança, comece pelos avós dela".



Voltando ao parágrafo original desse editorial, o autor do livro comenta

num dos primeiros capítulos o surgimento, há cerca de quarenta anos, do

MNMB (Movimento Nacional pela Mediocrização do Brasil). Pois é, nem

Stanislaw Ponte Preta e seu Febeapá (Festival de Besteira que Assola o

País) imaginariam que a coisa iria piorar. E piorou. Sabe por quê? Porque

o brasileiro quer. Chega de buscar explicações sociais, coloniais,

educacionais. Chega de culpar a elite, os políticos, o Congresso. Olhemos

para o nosso próprio umbigo, ou o do Brasil. Chega de procurar desculpas

quando a resposta está em nós mesmos. A Rede Globo sabe muito bem disso,

os autores das músicas Egüinha Pocotó, O Bonde do Tigrão e assemelhadas

sabem muito bem disso; o Gugu e o Faustão também; os gurus e xamãs da

auto-ajuda idem.



Não é maldade nem desabafo não, é constatação.

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